Ao largo – Marina Colasanti #umpoemapordia

Um homem nada

em mar aberto.
Metade do seu corpo nada
em água
metade do seu corpo nada
em céu
e ele todo em azul nada
e mais nada.

Um homem quando nada
não é barco
é casco e passageiro ao mesmo tempo
é moinho de vento
em movimento.

Um homem não tem vela
que o impulsione
tem a esteira de espuma
que o acompanha
e o hélice dos pés que adiante
o leva.

Um homem nada

em mar aberto
linha reta traçada
sempre em frente
como se houvesse meta
em seu percurso
ou porto adiante
ou terra.

E adiante é mar somente
e mar às costas
sem ponto de chegada
Que se veja
e sem medida outra
que não seja
a braçada.

(Poema de Marina Colasanti, publicado em 2005 na antologia República dos Poetas)

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