Inside Llewyn Davis: os irmãos Coen nunca decepcionam

llewyn

Os irmãos Coen nunca me decepcionam. Mais uma vez fui ver um filme deles sem saber muito da história e saí do cinema pra lá de satisfeito. Llewyn Davis, Balada de um Homem Comum me pegou por diversos motivos. Pra começo de conversa, é um típico filme dos Coen. Ou seja: estão lá os personagens desajustados e radicalmente comuns, que nos fazem ficar íntimos deles mesmo com poucos minutos na tela; a trilha sonora que nos embala carinhosamente ao longo de toda a projeção, e me faz ficar até o final dos créditos, pra saber o nome das que mais curti; o cuidadoso recorte que a história faz no espaço-tempo e vai sendo contada sem pressa, te ganhando a cada minuto, e quando você menos espera, está totalmente envolvido, como se fosse a história de sua vida. Impossível sair de um filme dos Coen sem levar junto simpatia (ainda que agridoce) por um de seus personagens.

Em Llewyn Davis, além do personagem-título sobre quem falo já já, destaco o de John Goodman, um senhor soturno, com graves problemas de locomoção, ligado em jazz e magia negra, sarcástico e cheio de casos pra contar pra quem quiser (ou não) ouvir. Seu passado nebuloso e futuro incerto me deixaram com um certo nó na garganta…

Outro personagem que merece citação é o de Justin Timberlake. Ele é Jim, que junto à sua mulher, Jean (Carey Mulligan), tem uma dupla vocal de música folk. Só descobri que era o Justin quando o filme acabou e apareceu seu nome nos créditos. Esse cara tem me surpreendido cada vez mais, tanto como ator como cantor – suas apresentações no filme são bem legais.

Agora, o personagem-título: Llewyn Davis é um cantor de folk fracassado. Por mais que tenha um repertório belíssimo de canções folks para apresentar, não cai nas graças de empresários de gravadoras. Ele é todo errado. Bate de frente com amigos, amantes, empresários, colegas artistas. É um talentoso outsider. Mas também invejoso, mal-humorado, todo errado na vida. Tudo que faz dá errado. E de sofá em sofá, de pequenos shows aqui e acolá, vai tropeçando por aí, sob o congelante frio de Nova York ou Chicago.

Pelo que li, a história de Llewyn Davis foi baseada nas memórias de Dave van Ronk, cantor de folk novaiorquino que inspirou muita gente boa naqueles tempos, entre eles Bob Dylan. Li recentemente o livro Crônicas, autobiografia de Dylan contada a partir de sua chegada a Nova York no rigoroso inverno de 1961. Pois o filme começa justamente nessa época, e mostra Llewyn com o mesmo perfil franzino e blasé de Dylan, carregando sempre o case do violão pra cima e pra baixo, vestido com uma jaqueta pra lá de inapropriada pro frio que fazia então. Frequenta os mesmos lugares que Dylan narra em seu livro (o Gaslight, por exemplo), cita vários dos mesmos cantores de folk, dorme em sofás aqui e ali, sempre de favor.

O personagem de Llewyn pode ter sido construído a partir da vida de Ronk, mas uma vez finalizado, se tornou um duplo de Dylan, o seu pólo negativo. Ambos circularam pela selva de NY para conquistar um lugar ao som da cena folk americana. Dylan vingou, Llewyn não. Por isso, me pareceu emblemática uma das cenas finais, quando Llewyn sai do Gaslight pela porta dos fundos, após apresentar algumas de suas canções (uma delas abaixo, a belíssima Hang Me, Oh, Hang Me), e olha para trás e vê um jovem e desconhecido Bob Dylan começando a cantar. Em seguida, Llewyn toma uma surra num beco escuro.

A vida como ela é: enquanto uns voam alto, outros descem impiedosamente.

Hang me, oh hang me,

I’ll be dead and gone.
Hang me, oh hang me,
I’ll be dead and gone.
Wouldn’t mind the hanging,
But the layin’ in a grave so long, poor boy,
I been all around this world.

I been all ‘round cape Gigardeau,
Parts of Arkansas.
All around cape Giradeau,
Parts of Arkansas.
Got so god damn hungry,
I could hide behind a straw, poor boy,
I been all around this world.

Went up on a mountain,
There i made my stand.
Went up on a mountain,
There i made my stand.
Rifle on my shoulder,
And a dagger in my hand, poor boy,
I been all around this world.

So hang me, oh hang me,
I’ll be dead and gone.
Hang me, oh hang me,
And i’ll be dead and gone.
I wouldn’t mind the hanging,
But the layin’ in a grave so long, poor boy,
I been all around this world.

Put the rope around my neck,
And hung me up so high.
Put the rope around my neck,
Hung me up so high.
Last words i heard ‘em say, won’t be long now for you die, poor boy,
I been all around this world.

So hang me, oh hang men
I’ll be dead and gone.
Hang me, oh hang me,
I’ll be dead and gone.
I wouldn’t mind the hanging,
But the layin’ in a grave, poor boy,
I been all around this world.

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