Um gênio norueguês do xadrez e Mequinho

Segundo li ontem à tarde no blog do Nassif, um dos grandes nomes do xadrez da atualidade é Magnus Carlsen, um jovem norueguês de 18 anos. Entre os feitos do rapaz, hoje um Grande Mestre do Xadrez, está um empate contra ninguém menos do que Kasparov, em 2004, quando tinha apenas 14 anos! Há quem diga que desde Bob Fischer não aparecia um enxadrista ocidental tão genial.

Curto pacas jogar xadrez e, sempre que posso, me exercito online na página do Yahoo Games – não ter um bom parceiro no mundo real dos tabuleiros não é mais um grande problema, ufa! Tempos atrás eu frequentava o site do Kasparov, onde enfrentava jogadores de todo o mundo, mas a página não existe mais. Fiz um amigo búlgaro, outro canadense e um brazuca, que me deram boas dicas – principalmente nas aberturas, que são fundamentais no desenvolvimento da partida.

Dava pra jogar partidas ultra-rápidas, de 1 minuto, ou sem tempo prévio marcado, com ou sem tempo de acréscimo. Eu preferia as mais rápidas, em que vc tem que decidir o movimento em segundos, pra não perder o jogo estourando o tempo. Tensão total!

Numa das madrugas, aconteceu algo bizarro: estava numa sala jogando e de repente vi que havia dezenas de espectadores, o que nunca tinha acontecido comigo. Havia um tal Gary dando instruções pro meu adversário e minha paranóia foi a mil. Será?!? Perguntei a um dos espectadores quem era o tal Gary, e recebi de volta: “Quem vc acha?” E nada mais. Fiquei com vergonha de perguntar novamente e segui com o jogo. Perdi honrosamente após 40 minutos. Se era aluno do campeão mundial azerbaijano mesmo, tomou um esporro daqueles por tomar tamanho sufoco de um zé-ninguém…

Em 2000 tive a oportunidade de entrevistar Henrique Costa Mecking, o Mequinho, nosso maior enxadrista de todos os tempos – chegou a ser o terceiro do mundo em 1977. Nessa época, os grandes nomes do esporte nacional eram ele, Pelé e Émerson Fittipaldi.

Mequinho estava retornando às competições depois de oito anos e o Jornal do Brasil queria a história. O encontrei num quarto de hotel em São Paulo e conversamos sobre xadrez e religião. Desde que se curou da miastenia (doença terrível que ataca o sistema nervoso e os músculos), que o obrigara a abandonar as competições em 1978 (ele tinha grandes chances de ser o número 1 do mundo à época, segundo especialistas), ele se tornara adepto fervoroso dos cultos da Renovação Carismática da Igreja Católica. Tudo então girava em torno da religião. Tentou me convencer a não usar cartões de crédito e de débito bancário por acreditar serem coisas do demo, por darem números aos homens (disse que isso tá na Bíblia…) e me mostrou as dezenas de livros complexos com as mais variadas aberturas de xadrez que estudava para retomar a atividade em grande estilo. Jogou dias depois com o então tricampeão brasileiro e perdeu por pouco. Hoje Mequinho é quarto no ranking brasileiro e adepto também dos jogos online de xadrez.

Quem sabe não esbarro com ele pelo mundo online? Vai encarar?

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Uma resposta para Um gênio norueguês do xadrez e Mequinho

  1. edinei ficher disse:

    comecei a saber mais de mequinho agora,torce por ele e por sua recuperação…..
    gostaria de jogar contra ele em caxias.
    será uma grande experiência p/mim.
    “pode me faltar jogo,mais coragem não falta”.

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