Google Chrome visto por dois fãs do Mozilla Firefox

Há tempos que se especulava sobre a entrada do Google na guerra dos navegadores de internet. Várias questões pairavam no ar sobre a possibilidade. Destaquemos duas: haveria espaço para mais um programa desse tipo no mercado? A empresa teria o que apresentar de tão novo que justificasse a troca do Explorer da Microsoft ou do Firefox da Fundação Mozilla (para ficar apenas no universo PC)? A primeira pergunta só será respondida com o tempo, mas a segunda está liquidada com o lançamento nesta terça-feira do navegador Chrome – há novidades e vantagens de sobra para o usuário.

Eu e meu camarada Élcio (do blog Reverb), desenvolvedor de web dos bons, passamos parte do dia discutindo o novo browser e fazendo alguns testes, e resolvemos compartilhar algumas de nossas (boas) impressões. O Chrome corresponde a todas as expectativas que se criam quando se fala em um novo produto do Google e vai além. Em tempo: somos ambos fãs e usuários de longa data do Firefox, e mais do que nunca agora. Como assim? Expliquemos, pois.

O Chrome é novo, pero no mucho, já que usa a plataforma do Firefox para funcionar. Seu desenho e funcionalidades são novas, mas a tecnologia é a mesma do navegador da Fundação Mozilla – e também do Safari, da Apple. Clique naquela ferramentazinha do canto superior direito do Chrome e depois em ‘Sobre Google Chrome’ e comprove. Tá lá: Versão oficial 1583 Mozilla/5.0 (Windows; U; Windows NT 5.1; en-US) AppleWebKit/525.13 (KHTML, like Gecko) Chrome/0.2.149.27 Safari/525.13.

Essa parceria Google/Fundação Mozilla vem de longe e está mais forte do que nunca. Um dia antes do lançamento do Chrome, na segunda-feira (1/9), a Google Inc. renovou por mais três anos seu contrato de cooperação com a Fundação Mozilla. Estava para vencer no final deste ano e agora vai até novembro de 2011. Os valores não foram divulgados, mas é coisa grande. Em 2005, o Google colocou US$ 52,9 milhões na Fundação Mozilla; em 2006, mais US$ 66,8 milhões.

Isso sinaliza algumas coisas interessantes, entre elas que o Google não quer perder de vista o que a comunidade de desenvolvedores de softwares livres/código aberto tem de melhor, que é: desenvolvimento e inovação constante de tecnologia e o compartilhamento dessa informação. Revela também que o Firefox não é um concorrente do Chrome, muito pelo contrário, é um co-irmão cuja evolução só contribui para o crescimento e fortalecimento do navegador do Google. O risco de acontecer algo semelhante ao que aconteceu com o Navigator, da Netscape, que foi sufocado até sair do mercado, é muito próximo de zero.

O cenário mais plausível é a constante melhora dos dois navegadores, Firefox e Chrome, pois são interdependentes. O browser do Google, por usar a plataforma do Firefox, precisa de seu desenvolvimento contínuo para não ter problemas de segurança ou cair no fundo do poço sem atualizações expressivas como ocorreu com o finado Navigator.

Após algumas horas de utilização do Chrome, podemos dizer que ele segue o padrão dos demais projetos do Google (Gmail, Google Docs, Google Maps, entre outros): muita inovação e simplicidade na veia. O que se nota de primeira ao se usar o novo navegador é o fim daquele monte de botões e barras de funções que existiam no topo do programa. Sobraram uns poucos, a saber: para voltar ou avançar nas páginas visitadas, recarregar, favoritos, um espaço para a URL (que embute também o buscador Google) e outro para as abas abertas, e botão para configurar seu navegador. O resto virou lenda, graças a uma novidade irritantemente ‘simples’ que tava quicando na área: as abas. Mais precisamente toda aquela área branca das abas.

Além de ampliar a área de visualização das páginas, o sumiço de botões e barras permite que o navegador seja mais ‘inteligente’ e amigável para o usuário. Ao abrir uma nova aba, tudo que você precisa para circular pela internet está ali, na cara do gol, como se fosse um grande portal de internet somente com suas informações – histórico de páginas visitadas (selecionadas por dia e horário), favoritos, campo de pesquisa dentro do seu histórico (palavras, URLs, o que for, uma beleza). Parece pouco? Você vai se surpreender como menos é mais. Saca aquela sensação de ficar perdido quando se tem um controle-remoto com uma infinidade de botões? Pois é, agora não mais.

As abas têm outra particularidade revolucionária. Cada uma delas roda um processo independente. Ou seja: se uma página que você abriu travar, não precisa fechar todo o navegador, apenas a aba que deu o problema. Quem nunca penou para reencontrar páginas descobertas após algumas horas de navegação por conta de travamento de navegador que dê o primeiro clique…

Para entender melhor todas as melhorias e inovações do novo navegador, confira a apresentação que os caras preparam no formato de história em quadrinhos.

Vale ressaltar que o Chrome lançado nesta terça-feira é apenas uma versão beta de testes, e por isso perdoamos na boa as travadinhas que ainda dá vez ou outra. Mesmo assim não faz feio frente aos principais navegadores do mercado. Conforme for usado por mais e mais pessoas, entre as quais muitos desenvolvedores, a tendência é ganhar robustez e a confiança dos usuários – como aconteceu com o Firefox, que hoje detém 20% do mercado de navegadores no mundo.

Segundo texto publicado por Sundar Pichai, vice-presidente de Gerenciamento de Produtos do Google, e Linus Upson, diretor de Engenharia no blog da empresa, o Chrome “ainda tem um bom caminho a percorrer” e o beta foi lançado “para gerar um diálogo construtivo” com os usuários.

Mesmo com o (já) velho e bom Firefox 3 recém instalado em nossos computadores após o badalado Download Day, vamos acompanhar de perto a evolução do Chrome e usá-lo freqüentemente. Mas algo nos diz que será por pouco tempo. Afinal, os rumores de que os caras do Google estão com um sistema operacional engatilhado circulam faz tempo. Aí, meu caro, vai saber se ainda precisaremos de navegadores para usar a internet.

Anúncios
Esse post foi publicado em internet. Bookmark o link permanente.

12 respostas para Google Chrome visto por dois fãs do Mozilla Firefox

  1. Thiago Mattos disse:

    Coincidentemente postei lá no blog (http://sanguedbarata.blogspot.com/) um post sobre o mesmo tema e a pergunta que lancei – o que mais falta a Google inventar? – parece q começa a ser respondida aqui… Sistema operacional google?!?
    =O
    Só uma coisa a dizer: Uau!

  2. Thiago Mattos disse:

    E mais uma questao pra ser respondida:

    E quanto à apropriação da Google por tudo o q vc digita no Chrome, segundo a licensa??
    Abs.

  3. escriba disse:

    Thiago,
    o que eles propõem no Chrome já acontece no Orkut, por exemplo? Exatamente igual. Tudo que vc publica está sujeito às mesmas regras, mesmo que seja um texto da Folha ou seu próprio.

    São os tais novos paradigmas da web 2.0 afunilando a questão dos direitos autorais. É tanto crossover que vai acontecer, como aconteceu com a IBM, que desistiu de processar usuários e desenvolvedores de Linux porque percebeu que os custos de processar todo mundo que pegou algo daquele Unix seria muito maior do que receberia em caso de vitoria. Aí, o que acontece? A lei caduca…
    Se todo mundo começar a usar o Chrome, o Picasa, o Youtube, o orkut, os direitos autorais vao ter que ser aliviados ou mesmo remodelados. Quem não quiser ter seus direitos autorais ‘flexibilizados’ e permanecer dentro das normas draconianas atuais, não usa nada do Google. Mas aí, se não usar… tá praticamente fora da internet!

    E aí, qual vai ser?

  4. Bráulio Barros de Oliveira disse:

    Correção, o google chrome não usa a mesma tecnologia do firefox, isto é, ele não usa o mesmo engine que este último.
    Mozilla/5.0 (Windows; U; Windows NT 5.1; en-US) AppleWebKit/525.13 (KHTML, like Gecko) Chrome/0.2.149.27 Safari/525.13.
    A indentificação acima somente mostra a compatilidade, útil para os sites saberem se o seu browser é capaz de exibir corretamente a página deles.

    O chrome usa o engine da apple, derivado do khtml (software livre) que é parte do KDE. Ele se chama webkit, é um engine feito para desenvolvedores criarem seu browser em cima dele, ao contrário do gecko do firefox.
    Sugiro correções drásticas no artigo.
    Um abraço,
    bráulio

  5. Elcio disse:

    Bráulio,
    Obrigado por ajudar a fomentar as discussões sobre os navegadores, acredito que nada foi dito explicitamente sobre a utilização do engine do Firefox 2 ou 2.x, mas com toda certeza o navegador tem uma mescla de engines de execução.
    Não seria possível o software de meu banco reconhecer o uso de um novo navegador sem solicitar a instalação para o Chrome agora.
    Segue parte do agradecimento da equipe Google para os desenvolvedores:
    Somos muito gratos a diversos projetos em código aberto e estamos comprometidos a continuar neste caminho. Utilizamos componentes do WebKit da Apple e do Firefox do Mozilla, entre outros. E, com este intuito, estamos deixando todos os nossos códigos abertos também. Esperamos colaborar com toda a comunidade para ajudar na evolução da web.

    http://www.google.com/chrome/intl/pt-BR/why.html?hl=pt-BR
    Como a Apple se apropriou e usa a tecnologia do Konqueror junto com algumas utilidades do próprio Safári acredito que isso também ocorreu neste caso ou mesmo a Gecko que utiliza a tecnologia do Mozilla para rodar.
    Como todos os códigos são abertos, isso pode ser feito para acoplar partes do código em um novo projeto.

  6. Sputnicker disse:

    Recomendo que você faça a leitura desta matéria que fiz em meu blog, acredito que possa te interessar:

    http://soulthrash.blogspot.com/2008/09/o-que-o-futuro-nos-reserva.html
    Acredito que você vai concordar com a posição que coloquei.

  7. Thiago Mattos disse:

    Parece que pouca gente se interessou (e se importa) quanto a questao que levantei sobre a propriedade dos usuários do Chrome se tornando propriedade do Google.
    De qualquer forma, me informei e parece que eles voltaram atrás quanto a 2 artigos que realmente diziam aquilo.
    Vou postar aqui um comentário que fiz lá no blog sobre o mesmo tema.

    Originalmente havia o artigo 11.1, que basicamente dizia o seguinte:
    “1.1 You retain copyright and any other rights that you already hold in Content that you submit, post or display on or through the Services. By submitting, posting or displaying the content, you give Google a perpetual, irrevocable, worldwide, royalty-free and non-exclusive licence to reproduce, adapt, modify, translate, publish, publicly perform, publicly display and distribute any Content that you submit, post or display on or through the Services. This licence is for the sole purpose of enabling Google to display, distribute and promote the Services and may be revoked for certain Services as defined in the Additional Terms of those Services.”
    E o 11.4 (mais absurdo ainda):
    “You confirm and warrant to Google that you have all the rights, power and authority necessary to grant the above licence.”
    O que é um absurdo completo! Imagine todas as suas informações virando propriedade da Google, e o que é pior: com o seu consentimento.
    Mas parece que a Google voltou atrás e retirou o 11.4 e modificou o 11.1, que ficou apenas:

    “You retain copyright and any other rights that you already hold in Content that you submit, post or display on or through the Services.”
    Mas nada impede que eles mudem de novo e ninguém perceba, certo?
    Com o Google todo cuidado é pouco.

  8. escriba disse:

    Thiago, eu te respondi. Não tenho tanto medo assim dessa pretensa quebra dos direitos proprietarios do que se faz pelas ferramentas google, pelo contrario, acho que pode ser uma boa forma de obrigar muitos a não embarcarem nas draconianas regras de propriedade intelctual que existem hoje…
    abração!

  9. Victor disse:

    Não concordo que quem não usa nada do Google está praticamente fora da internet, há sempre uma alternativa aos produtos do Google, para tudo.

  10. escriba disse:

    Com certeza, Victor, há muita alternativa ao Google, foi mais força de expressão minha. abração!

  11. Funcionamento Google Chrome « Reverb disse:

    Funcionamento Google Chrome « Reverb

    […] Segue também uma matéria que escrevi junto com meu amigo Escriba. […]

  12. Chrome, por que não?! | DGmike disse:

    Chrome, por que não?! | DGmike

    […] um novo browser no mercado. Ou fazer uma resenha do tipo “Minhas impressões sobre o Google Chrome”. Tem muita gente fazendo isso na grande web. Quero colocar minha visão atual sobre o […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s