
Minha maior crítica ao filme de José Padilha é a sua falta de equilíbrio no trato de um tema tão delicado como o consumo e tráfico de drogas. O diretor deixou-se levar pelo fascismo da elite policial carioca e fez um filme sem nuances, maniqueísta, comprando a tese – conscientemente ou não – de que o problema todo está no consumo apenas. Não há espaço para divergências e o (anti) herói Capitão Nascimento é alçado nas quase duas horas de projeção como o vingador que muitos desejam e exigem.
Padilha é um ótimo diretor de documentários. Na ficção ainda tá devendo. Num universo que tem 11 dimensões ou mais, ele conseguiu no máximo duas para cada personagem.
Já Meu Nome Não é Johnny, que acabei de assistir, é um primor justamente por conseguir tratar do mesmo tema sem idiossincrasias. Temos ainda a atuação brilhante de Selton Mello (que apaga o mico no pretensioso O Cheiro do Ralo), uma direção ágil e equilibrada, trilha sonora empolgante e um puta roteiro bem amarrado. Retrata com fidelidade a classe média consumidora, o tráfico, a polícia, o Rio da década de 1990, o Baixo Gávea, o cárcere, o manicômio judiciário. E usa com perfeição o humor para dar leveza ao tema. O filme defende o ponto de vista de que ninguém é irrecuperável, mas não o faz ostensivamente. É equilibrado.
Há quem diga que Profissão de Risco (com Johnny Depp) é o melhor filme já feito sobre a cocaína. Meu Nome Não é Johnny chega muito perto disso. Em todos os quesitos.
Não vi o dito filme mas vi CHEIRO DO RALO, filme SENSACIONAL e Gosto muito de Tropa de Elite. Cheiro é dos grande filmes do nosso cinema, tremendo mergulho no vazio urbano, na merda. E Tropa é um lado da coisa, há outros, mas não há dialética no filme, há DEPOIS dele, esse é um PUTA mérito de Tropa.
Ah sim, e li um comentário sobre o documentário sobre os fotografos. Não vi ainda, mas o seu comentário tava lá, aquele velho e incorrigível ranço da turma da redação e que fotógrafo é bando de apertador de botão e a profissão nem merece reflexão etc… ê Jorge véio, não muda.
Realmente Cheiro do Ralo é um grande mergulho no vazio. Tanto que acabou mesmo oco – não tem nada ali: nem cinema, nem quadrinhos, nem boa historia, atuacoes memoraveis (a bunda, talvez…), musica, nada.
Tropa é um sub-Cidade de Deus mal dirigido. Fraaaaaaco…
Meu comentario sobre documento de fotografos? onde? nao lembro desse. Mas de qq forma, acho que em jornalismo, a fotografia tem que ilustrar a materia. Se o faz de forma direta ou indireta, nao vem ao caso. Mas na hierarquia jornalística de uma publicacao, o texto vem antes da imagem. É claro que há exceções e uma bela foto pode gerar uma materia – eu mesmo fiz algumas nessa linha.
abração ae!
Aí é que está e por isso saí de jornal.
No Brrrrrasil fotógrafo não é autor da matéria, é um mané que “ilustra” o texto genial dos ditos escribas… fala sério.
Cheiro é MUITO bom. Talvez você tenha esperado algo que não tenha visto ou tenha ido ver com uum esquema “Veja modo de ver a vida”: tese pronta para ser comprovada.
Não é só no Brasil nao, Andre- é no mundo inteiro. Fotografia ilustra a materia. A nao ser nas exceções eventuais.
Vc conhece algum jornal que o texto é escrito de acordo com a foto?
E quanto ao filme, eu fui na expectativa de ver algo baseado na obra do Mutarelli, que conheço e curto pra caralho. O que vi foi um trabalho pretensioso, sem eira nem beira, mal dirigido e péssimo roteiro. Uma pena…
Tenho a impressão de que as críticas ao Tropa de Elite – favoráveis ou contrárias ao filme – se apóiam de forma simplista no narrador e nos diálogos que levam a história e se esquecem de observar a obra como um todo. O tal fascismo da elite policial carioca, a meu ver, é um dos pontos principais da crítica do Padilha. Claro, em um ‘universo de 11 dimensões ou mais’, não dá pra abordar em lugar nenhum do mundo todas elas. Fazem-se escolhas, e além delas a disposição do receptor leva essas nuances ainda a outro nível.
Nesse sentido, achei o filme bastante sincero. Não identifiquei em nenhum personagem o porta-voz da opinião do diretor, mas sim um retrato um tanto consciente, ainda que sob uma perspectiva discutível, de como o Estado se apropria de seu ‘monopólio da violência’.
Fico pensando que a interpretação de que o filme defende que o problema da droga está no consumo, ou que bandido é bandido, só reflete como está torta a percepção da sociedade com relação ao problema. Porque o capitão Nascimento é protagonista, não herói; e porque o protagonista não é, necessariamente, o porta-voz do objetivo do autor, mas o objeto do problema que se coloca.
enfim.
Não assisti Meu Nome Não é Johnny pra contrapor as idéias, então te livro de mais dois parágrafos desnecessários.
hasta.
Me livra de mais dois parágrafos? como assim? Fala como se sua opinião fosse indesejável por aqui. Eu heim…
Discordo de sua análise, mas a entendo perfeitamente. De mais a mais, o filme Tropa de Elite é ruim como cinema, o que me faz desgostar ainda mais dele.
Tropa de Elite é desequilibrado na mensagem – sim, toda obra de arte tem uma mensagem, explicita ou implicita, não há obra imparcial.
Nela, o protagonista se transforma em heroi, porque nada perde, só vence. O protagonista é alçado a herói justamente pelo diretor que não soube – ou não quis – dar maior profundidade a ele, criar uma ou duas dimensoes a mais, nem precisavam ser as 11…
Repito: Padilha pode ser um otimo diretor de documentarios, mas para lidar com ficção e direção de atores, ainda está fraco.
Oi,escriba levo daqui umas páginas para ler e a tua opinião sobre o filme.
Nesta conversa amigável,aqui nos comentários,eu,uma prof do ensino elementar,cuja paixão é justamente a língua portuguesa,venho só opinar que jornalismo é uma coisa,reportagem fotográfica outra e escrita literária outra,em que aí sim, podemos começar pela imagem para criar o texto…o que eu faço muitas vezes..Parabéns por este espaço.
eu tambem volta e meia começo meus textos depois de ver determinada imagem/foto. Mas no jornalismo isso é menos comum – não que não deva ser feito. Mas não é a regra.
espero q tenha gostado daqui. Volte sempre!
bjs
Gosto é como c… Cada um tem o seu. Mas o filme “Tropa de Elite” tem o mérito de não exaltar a bandidagem e, para mim, o Capitão Nascimento, que foi alçado à condição de “ídolo das massas”, não triunfa. Como a história se passa em um passado recente, o espectador, ao confrontar a realidade de hoje, percebe que o pobre Capitão não venceu luta alguma. Para mim, o personagem central é o Matias. Ele é quem mais se transforma no decorrer da obra.
E, sim, “Tropa de Elite” é um filmaço. Menos para quem estar mais à esquerda…
Curioso ver que todos que defendem esse tipo de filme fascista e intolerante sempre comentam usando pseudônimo ou de forma anônima…
sintomático…