
Para fãs… de música!
Croco Press
Demorei mas enfim escrevo sobre o novo disco do Arnaldo Baptista, figura ímpar do roquenrol brasileiro. Passei uns dias curtindo o disco no carro (já que o CD não toca no computador…saco) e fiquei bem impressionado com o retorno do eterno mutante – um gol de placa da revista Outra Coisa. Let It Bed tem tudo o que se podia esperar de um cara como o Arnaldo: psicodelia, poesia, irreverência, boas sacadas. Ele toca todos os instrumentos e se mostra mais afiado do que nunca.
Depois de duas canções/vinhetas (“Gurum Gudum” e “Everybody Thinks I´m Crazy”, uma trilha do desenho do Pica-Pau, de 1941) e uma terceira (“L.S.D”) em que presta homenagem à trindade que fez ele ser quem é – religião, drogas e roquenrol -, finalmente chegamos ao resultado de uma das parceiras mais interessantes e promissoras do cenário musical brasileiro: Arnaldo Baptista e John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu que cuidou da mixagem, orquestração, produção e otras cositas más deste CD.
Escutem To Burn Or Not To Burn, e depois me digam se não tenho razão. O som nasceu de uma poderosa linha de baixo e ganhou força com a ajuda dos computadores de John. Aliás, pausa para reverenciar esse cara que é, para mim, um pouco subestimado no Brasil. O cara saca tudo de música. Desde os tempos do Sexo Explícito, sua primeira banda, ele já se destacava – lembro de quando a gente lá na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) colocava o som dessa banda pra rolar na Rádio Livre 91.50 e ficávamos impressionados com a habilidade dele na guitarra. No Pato Fu, em meados da década de 1990, mostrou que era mais do que um simples guitarrista, programando a bateria eletrônica de uma forma que ninguém dizia que a banda não tinha baterista! Show de buela!
O casamento do mestre Arnaldo com o pupilo John deu muito certo. Apesar de um ou outro efeito de gosto duvidoso, como em “Imagino”, John conseguiu dar corpo a pérolas como Cacilda, que foi gravada há mais de 30 anos em fita K7. Ou “Deve Ser Amor”, em que a porção baixista de Arnaldo é mais uma vez realçada como manda o figurino – e a letra é genial: “Eletricidade solar nos carros// Não poluem nem gastam nada// Lambidas na utopia // ‘slept’!”
Se o Arnaldo tinha a preocupação, em 1974, de virar ou não bolor (“Será Que Eu Vou Virar Bolor?”, do disco Loki?), pode ficar tranqüilo. O cara tá inteirão – ok, ok, a voz tá meio baleada, mas dá pra contornar isso sem problema. Bola pra frente agora.
Em tempo: antes de terminar, queria apenas fazer uma observação. O pessoal responsável pelo lançamento do CD do Arnaldo Baptista achou melhor bloquear o uso do CD em computadores. Quando vc coloca o disquinho no CD-Rom, em vez de tocarem as músicas, aparece uma tela com releases, fotos e três clipes de músicas do disco (A de “Deve Ser Amor” é muito legal). Beleza, tudo muito bom, mas eu quero ter o direito de escutar o som no computador também. Eu comprei a revista na banca, paguei pelo CD e tenho esse direito. Mas o pessoal ainda tem essa mentalidade tacanha de que ‘ripar’ o CD e colocar as músicas na Internet é ruim para o artista. Ô gente burra! E não adiantou nada, porque o disco já foi craqueado e todas as músicas estão disponíveis para serem baixadas em qualquer rede P2P na Internet. E o que eu vou fazer? Mesmo tendo comprado o CD, vou baixar as músicas também, porque quero escutá-las no computador quando me der na telha… Entenderam?
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Atenção fãs de Frank Zappa! Dia 28 de outubro tem show da banda Central Scrutinizer no Café PiuPiu, lá no Bexiga. Até lá!
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