Hasta siempre comandante!

(pause a rádio Escriba antes de tocar o video abaixo, pra não ficar truncado)

Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura

le puso un cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara

cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa

con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia

Comandante Che Guevara.

Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos
y con Fidel te decimos:
hasta siempre Comandante.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,

de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

(Carlos Puebla, 1965)

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Triste semelhança

“Para que as pessoas escutem, não adianta mais dar apenas tapinhas nas costas. Você tem que bater forte nelas com uma marreta, e aí você perceberá que tem toda a atenção delas.”

A frase acima bem que poderia ser do capitão Nascimento, o policial casca-grossa de Tropa de Elite que tanta polêmica tem causados nos últimos dias. Mas ela é do serial killer John Doe, interpretado com a costumeira maestria por Kevin Spacey em Seven, desconcertante filme de David Fincher que revi hoje na Warner (que diga-se de passagem picotou até não poder mais a obra, encurtando as cenas mais fortes). Os dois têm muito em comum: querem corrigir o mundo na marra, acreditam piamente que a violência, tortura e morte são a melhor forma de passar o recado, e não sentem culpa, pois estão convictos de que alguém tem que fazer o trabalho sujo – e ninguém melhor do que eles para levar a cabo a missão.

Não vou ao cinema ver o filme de José Padilha porque tenho certeza de que vou me irritar com as manifestações de apoio que o capitão Nascimento receberá a cada tapa, tiro ou distorcida lição de moral que dá. É até razoável (vi hoje pelo Google Video), mesmo sendo um sub-Cidade de Deus, versão policial. Mas seu grande defeito, pra mim, é passar acriticamente a mensagem da violência policial como redenção para o problema das drogas. Olho por olho e acabaremos todos cegos, já dizia Mahatma…

Independentemente de qualquer coisa, Tropa de Elite vai ser um grande sucesso de bilheteria e gerar inúmeros sub-produtos, até mesmo uma possível série de TV, quiçá bonecos falcon do capitão Nascimento. Até blog do capitão Nascimento já pintou, com direito a uma hilária carta-resposta do policial a Luciano Huck, que em artigo publicado na Folha protestou contra a falta de segurança em SP, indignado que ficou por ter tido seu relógio de US$ 48 mil roubado. O blog é bem divertido. Já esse filme que achei no Youtube, de crianças vibrando com o Caveirão em visita ao quartel do Bope, é no mínimo assustador…


A mente é seu próprio lugar e, em si, pode fazer um paraíso de inferno, um inferno de paraíso – trecho de Paraíso Perdido, de John Milton

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Bons ventos

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Meu camarada Baleia, fotógrafo especializado em temas ambientais, acabou de me mandar essa foto de uma fazenda eólica em Osório (RS). São 75 turbinas de 98 metros de altura cada, com capacidade instalada de 150MW. É a maior da América Latina. Com crescimento de 25% ao ano, a indústria eólica é a que mais cresce no mundo hoje. E segundo especialistas reunidos em um congresso na Argentina para discutir o tema, a capacidade de produção desse tipo de energia no mundo mais do que duplicará em três anos – de 75 mil MW para 160 mil MW. Se os governos pararem de subsidiar energias sujas como carvão e nuclear, e apostarem mais nas renováveis, o salto será ainda maior.

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Bip, bip, bip

Nunca um barulhinho tão simplório provocou tanto estrago. Quando os soviéticos anunciaram, na data de hoje há 50 anos, que o Sputnik estava em órbita, foi um deus-nos-acuda nos Estados Unidos. Bons neuróticos que são, os americanos se desesperaram com aquela pequena bola de metal brilhante e seu ‘bip’, talvez mais até do que com a falsa guerra dos mundos narrada por Orson Welles no rádio em 1938. Afinal, o feito era dos russos – e comunistas ainda por cima! Jogue um pouco de arrogância americana nisso tudo (ora bolas, como um país em frangalhos como a União Soviética, arrasado psicologica e economicamente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, que acabara 12 anos antes, podia ser o primeiro a explorar o espaço??) e tem-se bem o clima que rolou nos EUA.

Para esquentar ainda mais a Guerra Fria, os soviéticos enviaram em seguida o primeiro ser vivo ao espaço (a cadela Laika, ainda em 1957) e o primeiro homem, Yuri Gagarin, em 1961, que de lá disse a poética frase “A Terra é azul”. Emocionou o mundo e irritou de vez os adversários. Mas o primeiro revide só veio oito anos depois, em 1969: a nave Apollo 11 chega à lua e Neil Armstrong se torna o primeiro homem a pisar lá (será?) e diz: “É um pequeno passo para um homem, mas um gigantesco salto para a humanidade.” Com tanto tempo de preparação, poderiam ter caprichado mais, não?

Hoje, os americanos dominam plenamente a corrida espacial – apesar de terem sido os russos que conseguiram outro feito e tanto, construir a primeira estação espacial, a Mir, em 1986. Qual será o próximo passo? Um homem em Marte? Colonização da Lua? Não sei, mas é bem capaz dos russos darem um novo olé. Bip.

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A cidade ecológica

Uma cidade sem automóveis movidos a gasolina ou diesel, repleta de bicicletas e com um sistema de transporte público acessível a todos. A energia usada pela população vem de fontes renováveis e limpas (eólica, solar, biomassa, geotérmica – nada de nuclear!!). Com o uso inteligente da água – aproveitando-se a chuva e promovendo a reciclagem – economiza-se até 50%. Fazendas orgânicas vizinhas fornecem alimento de qualidade à população, que trabalha em empresas de tecnologia e com turismo ecológico. Dongtan mais parece uma daquelas cidades imaginárias de Italo Calvino. Os chineses, no entanto, querem transformá-la em realidade.

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Testando hipóteses também lá fora

A Teoria das Hipóteses (ou Cinismo Hipotético), de Ali Kamel, enfim ganha o mundo. Segundo notícia da Associated Press sobre a instabilidade política na Bolívia de Evo Morales, o jornal O Globo “deu credibilidade à lorota mais assustadora do ano”. Diz a matéria da AP (ver íntegra aqui):

“O Globo, um dos maiores jornais do Brasil, deu credibilidade à lorota mais assustadora do ano. Citou uma autoridade estadual anônima de Santa Cruz dizendo que uma milícia anti-Morales, de 12 mil homens, estava escondida na floresta, esperando o momento certo. O repórter do jornal nunca viu a milícia e não apareceu nenhuma prova para confirmar a fofoca”. (Tradução de Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo)

Que beleza, não? A notícia correu o mundo e está em dezenas de portais de notícias na internet – menos no Globo Online, claro. Kamel deve estar orgulhoso…

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Qual o limite dos biocombustíveis?

Foi iniciada neste mês a produção a todo vapor de biocombustível a partir de algas. Segundo seus desenvolvedores, é o que há em termos de energia renovável, não precisa de muita terra nem água. “E podemos cultivar em qualquer tipo de ambiente”, diz Glen Kertz, cientista-chefe do projeto, que já atraiu interesses de empresas portuguesas, sul-africanas e americanas.

Interessante. Mas confesso que essa história toda de biocombustíveis me dá calafrios. Hoje já há tecnologia para se transformar qualquer ser vivo em combustível – até animais. Qual o limite? Algumas vozes já se levantaram preocupadas. A FAO e a OCDE temem um aumento nos preços dos alimentos e Fidel Castro, num artigo brilhante, afirma que o buraco é bem mais embaixo:

O que é preciso de imediato é uma revolução energética que consistiria não só na substituição de todas as lâmpadas incandescentes mas também da reciclagem maciça de todos os eletrodomésticos, máquinas comerciais, industriais e de uso social de tecnologia obsoleta, que requerem dois ou três vezes mais energia.

E el comandante não fica só no discurso, já meteu a mão na massa, trocando centenas de geladeiras ultrapassadas por modelos novos. Mas a ordem entre americanos, europeus e japoneses é buscar alternativas para manter o consumo de energia no patamar atual, não reduzi-lo. A grande máquina do progresso não pode – e não quer – desacelerar. Onde vamos parar? Soylent Green?

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O macaco tá certo!

Robert Cailliau, um dos inventores da internet, é claro em sua entrevista para o Estadão, publicada neste sábado: a grande rede de computadores é uma puta ferramenta para exercitarmos o colaboracionismo e, assim, transformarmos os direitos autorais, a propriedade intelectual e a produção de informação. O problema, diz Cailliau, são os engravatados do mundo corporativo, que tudo fazem para manter a internet em rédea curta como uma grande promotora de vendas apenas. Consumo de bens, não de informação. Um trecho:

O senhor declarou recentemente estar decepcionado quanto à evolução da web. Por quê?

Há muitos aspectos sobre os quais eu estou contente: a Wikipedia, os blogs, os círculos de pessoas que têm coisas raras a compartilhar. Na verdade não há muito além de alguns aspectos sobre os quais eu estou decepcionado: a velocidade da compreensão de que a rede mundial é uma construção coletiva. Empresários, políticos e freqüentemente jornalistas não compreendem isso. Nós poderíamos avançar mais rápido se tivéssemos colaborado mais em vez de promover a competição em um tema no qual a competição é muitas vezes nefasta.

Nesta e nas demais respostas, o belga deixa claro que não está criticando a internet, mas o uso que dela fazem. O repórter bem que tentou arrancar dele alguma declaração que corroborasse a pauta que tinha em mãos, mas nada feito. Ainda assim o título da entrevista foi Criador da web critica a própria invenção. Heim??!? Enfim… o Estadão sabe como poucos editar a realidade para caber na pauta – principalmente quando o entrevistado ataca frontalmente os dogmas pelos quais reza o jornal. Cailliau é um macaco – e dos mais invocados!

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De grão em grão

O Escriba comemora este mês três anos de atividades, batendo na casa dos 100 mil acessos – cerca de 100 diários. Agradeço imensamente a todos que contribuem com o blog – lendo, comentando, repassando links, recomendando aos amigos e sugerindo notas. Espero continuar contando com seu apoio, galera!! Vamu q vamu!

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O Irã que se cuide

A Fox News continua batendo um bumbo firme e forte por uma guerra no Irã – assim como fez anos atrás para legitimar a invasão do Iraque. O mais incrível é que usam os mesmos argumentos! Saca só:

(Fontes: Vi o Mundo, Sivuca e FOX Attacks)

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