Ameaça à mesa

Meu timing não poderia ser melhor – até parece que tenho informantes na Organização Mundial de Saúde (OMS). Um dia depois de escrever o post abaixo sobre os problemas da indústria de alimentos, que colocam em risco nossa saúde e mesmo a do planeta, leio que a agência da ONU divulgou relatório mostrando que cerca de 1,8 milhões de pessoas morrem no mundo por ano exclusivamente por causa da ingestão de bebidas e alimentos contaminados. A indústria é a grande vilã, sendo responsável também por 200 casos de fraude por ano no mundo.

Segundo o relatório, 325 mil pessoas foram hospitalizadas em 2005 nos EUA, meca dos enlatados, por terem ingerido alimentos contaminados. Cinco mil morreram e houve 76 milhões de incidentes diversos – pedaços estranhos em meio à comida, por exemplo.

Diz o documento:

A produção de alimentos está mais complexa, gerando maiores oportunidades para a contaminação e o aumento de doenças.

Questões como a globalização do comércio de alimentos, urbanização, mudanças no estilo de vida e degradação ambiental estão aumentando os riscos de consumo, contrariando as expectativas de que a tecnologia garantisse produtos melhores e mais saudáveis.

As corporações são psicopatas. Se tiverem que reduzir a qualidade de um produto para não comprometer os dividendos dos acionistas, não duvide, eles o farão. E toma soda cáustica no leite!

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Você tem fome de quê?

O que a sabedoria popular já apontava agora foi confirmado por um estudo científico recém publicado: alimentos orgânicos são muito melhores do que os produzidos pela agricultura industrial. Têm mais nutrientes e podem ajudar a prolongar a vida das pessoas. O estudo, que levou quatro anos para ser concluído e custou cerca de US$ 200 milhões, foi financiado pela União Européia e pode provocar mudanças significativas na forma como os governos promovem os alimentos em seus países.

Isso é importante porque o lobby da indústria de alimentos é pesado e vem cada vez mais forçando governos a aceitarem seus enlatados em detrimento de produtos mais saudáveis – e orgânicos. Lembra da multimistura, um composto alimentar que incluia farelos de arroz e trigo, folha de mandioca e sementes de abóbora e gergelim? Foi inventado há uns 30 anos no Brasil pela pediatra Clara Takaki Brandão e nas mãos da Pastoral da Criança ajudou a reduzir as taxas de mortalidade infantil no país. Pois então, apesar de ser altamente nutritiva e barata , a multimistura perdeu espaço nas merendas das escolas públicas brasileiras para produtos da Nestlé (Mucilon e Farinha Láctea) e Procter&Gamble, que têm 20 vezes menos ferro e vitaminas e custam o dobro. O argumento do ministro da Saúde, José Gomes Temporão? “Não sou obrigado a adotar a multimistura.” Mas e o bom-senso, também não?

Temporão não é o único que se deixa seduzir pelo canto da sereia. Países do terceiro mundo estão na alça de mira da indústria de biotecnologia, por exemplo, e vários não resistem à tentação. Os caras chegam, dizem que suas sementes transgênicas são mais produtivas, usam menos agrotóxicos e renderão lucros fabulosos, prometem o melhor dos mundos. Mas ao cabo de um certo tempo, os agricultores percebem que a produtividade não aumenta tanto, o uso de agrotóxico tende a aumentar e os lucros são pífios, porque não há mercado para os transgênicos hoje no mundo.

Ainda assim, a campanha continua. Esta semana a Tailândia, um dos maiores exportadores de arroz do mundo, foi palco de uma feira de produtos transgênicos (a BioAsia 2007) e a menina-dos-olhos do evento foi o justamente o arroz geneticamente modificado. Com a Europa fechando cada vez mais seu mercado a essas bizarrices, principalmente agora que a França, maior produtor agrícola daquele continente, decidiu congelar o plantio geneticamente modificado, resta à indústria procurar países em desenvolvimento para despejar seus produtos. De preferência os exportadores como a Tailândia e a Índia, porque aí matam dois coelhos com uma cajadada só: dão vazão à sua produção e abrem uma brecha para entrar na Europa, que mais dia, menos dia, poderá se ver cercada apenas de vendedores de transgênicos. Aí não tem jeito.

Essas e outras questões serão discutidas numa reunião de governos de todo o mundo em janeiro de 2008, em Nairóbi (Quênia), que resultará no Relatório da ONU para a Agricultura. A indústria de alimentos, com ajuda de governos parceiros como o dos Estados Unidos, quer fazer prevalecer sua visão de como se deve produzir alimentos no mundo, abafando qualquer menção a problemas ambientais, éticos (no tratamento aos animais, por exemplo) e de saúde pública. Entidades ambientalistas, cientistas, educadores e pesquisadores estão na luta para que o relatório – fundamental para definir financiamento a pesquisas e meios de produção – não se dobre às falsas promessas. A briga é desigual, mas vale a luta.

Pelo menos lá em casa, os orgânicos venceram há tempos.

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Saindo da casinha

Ontem à noite eu e Mari tivemos um momento de fúria aqui no escritório, putos que estávamos com o fracasso de um projeto. E nossa indignação foi ouvida até no estacionamento que fica aqui ao lado, tanto que o dono comentou hoje de manhã: “Vcs estão fazendo algum tipo de treinamento para pastor da Universal? Que gritaria foi aquela?”

Foi mais ou menos nesse estilo aqui (e mais não falo…):

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Já pra rua!

Sempre curti bater perna pela rua. Sou andarilho por natureza. No Rio, São Paulo, Londres, Sevilha, onde quer que seja, é um grande barato circular a pé, só assim é possível realmente conhecer os cantos da cidade.

Em Paris uma vez perdi o último metrô em La Defense, bairro modernão que fica nos subúrbios da capital francesa, e sem um puto do bolso, o jeito foi caminhar até a casa onde estava hospedado no Boulevard Pasteur, do outro lado da cidade. Acho que andei por uma hora ou mais e passei por quase todos os pontos turísticos parisiense, do Arco do Triunfo e avenida Champs-Elysees, ao Trocadero e Torre Eiffel, maravilhado com a lindeza silenciosa deles. Era madrugada e estava frio, mas Paris é plana e ainda mais bela à noite. Naquele perrengue danado entendi enfim o por quê do apelido Cidade Luz.

No Rio, meu recorde pessoal foi o trajeto Vila Isabel-Botafogo, com direito a amanhecer na Presidente Vargas em meio a cotias. Aqui em sampa, já andei da Vila Madalena ao Parque do Ibirapuera. Com dois filhos, as caminhadas encurtaram bastante, mas sempre que posso dou umas voltas pelo bairro, apesar dos muxoxos do Martim: “É muito cansativo andar, pai…”

Além de ser um bom exercício, caminhadas longas nos dão o tempo que falta no dia-a-dia para reflexões essenciais à manutenção da saúde mental. Prefiro os périplos noturnos, de preferência na alta madrugada, quando é possível topar com os tipos mais bizarros da fauna urbana, apreciar cenários que à luz do dia são ofuscados pelo cotidiano e escutar o quase-silêncio.

Acabei de ler o livro Carnaval de Fogo – crônica de uma cidade excitante demais, do Ruy Castro, uma ode ao Rio de Janeura. Me inspirei pra escrever este post ao ler trecho do capítulo quatro em que o autor diz a certa altura:

Tom Jobim dizia que a melhor maneira de passear por Nova York era de maca. No Rio, os veículos ideais são os pés – pelo asfalto ou pela areia – e a literatura. Os dois costumam andar juntos: poucas cidades se prestam tão bem como personagens, já fizeram tantas ruas de musas e geram tantos autores que escrevem com as pernas – pena que escrevam com tinta secreta, digo, em português.

E desanda a citar legítimos flâneurs cariocas, andarilhos urbanos que exploram a cidade a bordo da tradicional Viação Canela e souberam como poucos decifrar o Rio. De Joaquim Manuel de Macedo (autor do livro Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, de 1862, e Memórias da rua do Ouvidor, de 1878) a João do Rio (A alma encantadora das ruas, de 1908) e Luiz Edmundo (O Rio de Janeiro do meu tempo, 1938).

Lá pelas tantas, Castro pergunta: “haverá o escritor que seja um flâneur puro e ande pela cidade decidido a não escrever?” Me considero mais flâneur do que escritor, mas ainda assim me atrevo a responder: impossível. A enxurrada de boas histórias que brotam de uma boa caminhada pedem para serem compartilhadas. Podem até demorar pra ganhar vida fora da cachola, mas uma hora sai. Como agora.

E se flanar por aí hoje em dia ainda é prazeiroso, apesar dos pesares, imagina num Rio de Janeiro idílico de 1936? O filme abaixo, City of Splendours, fazia parte de uma série de documentários da MGM chamada Traveltalks (The Voice of the Globe) e nos revela uma cidade verdadeiramente maravilhosa. Confira!

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O fantástico (e árido) mundo da Bunge no Piauí

Esta notícia circulou por uma lista de jornalistas ambientais. Tipo de matéria que a grande imprensa NÃO FARÁ para evitar confronto com um grande patrocinador, no caso a Bunge.

Nesse último domingo cenas de miséria, fome e sede foram exibidas no Fantástico. Sabemos que a seca existe a séculos, mas a imprensa insiste em mostrar apenas um lado da desgraça. Há 5 anos a multinacional BUNGE Alimentos se instalou no sul do Piauí. Ambientalistas contestavam a implantação desta empresa, mas do outro lado a imprensa e o governo mostravam uma miragem.

A imprensa anuncia: “O DESENVOLVIMENTO NO PIAUÍ CHEGOU”

Hoje a imprensa piauiense divulgou a seguinte matéria, após a reportagem do Profissão Repórter: “Seca piora e falta água até para os carros-pipas; governo manda controlar barragens.”

Quando o assunto é a seca no Piauí os meios de comunicação locais mostram apenas quantos carros pipas o governo disponibiliza, o controle de aguá nas barrages, cestas básicas, perda da lavoura e outros.

No último dia 19 de outubro foi o aniversário do Piauí. As TVs locais fizeram imensas repotagens mostrando os rios do Piauí, que pena que boa parte das imagens eram no período de chuvas.

Para quem assitiu o Fantástico deve ter visto o jornalista da Globo perguntando para o lavador de carro se “ele não tinha medo que a água acabasse”, o lavador respondeu para ele mostrando o rio a frente que existe “muita água” e que “não acaba nunca”. Esse é o pensamento do piauiense, pois é o que ele ver nas TVs locais; os rios caudalosos e eternos.

O Profissão Reporter mostrou apenas o lascado lavador de carro da beira do rio. Se eles tivessem descido mais um pouco ao sul do Piauí teriam visto quilômetros de áreas de deserto causado pela monocultura da soja. Afluentes caudalosos que matavam a sede do povo foram engolidos por correntões de tratores de esteiras para abastecer a multinacional BUNGE.

Vale lembrar que BUNGE é uma das maiores patrocinadoras da Rede Globo, e estive cansado de ver ao termino de cada GLOBO REPÓRTER o nome da BUNGE Alimentos, isso principalmente, na época em que a briga aqui estava intensa. A multinacional hoje está processando no Piauí uma pequena ONG por danos morais e pede um valor de 2.000.000.000 de reais.

Enquanto o maior rio legitmamente nordestino seca ( Rio Parnaíba), aumenta o nível da omissão dos verdadeiros fatores. Enquanto isso o sertanejo bebe lama.

Mostro assim uma breve situação do que acontece com imprensa do Piauí que se restringir em mostrar balelas de políticos, e não se aprofunda em informações mais técnicas, digo até, verdadeiras.

Jornalismo Ambiental aqui sginifica: tragédias, o plantio de uma arvóre feito pelo governador, um caçador preso, os rios eternamente belos e perenes e a BUNGE preocupada com o “Meio Ambiente”.

Dionísio Carvalho
Estudante de jornalismo e ex-morador do semi-árido

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Pergunta que não quer calar

Por que Pervez Musharraf, do Paquistão, é chamado de presidente pela imprensa brasileira e Fidel Castro, de ditador? Mesmo o presidente venezuelano, Hugo Chavez, que tudo faz dentro das regras constitucionais de seu país (inclusive tentar mudar as regras do jogo, o que é legítimo), foi carimbado pela grande mídia brazuca. Lula que se cuide.

Cada vez mais, ler jornais e revistas brasileiras não é sinônimo de estar bem informado…

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Levanta e sacode a poeira

Quase que a casa cai. Perdi o prazo de renovação do meu domínio escriba.org e quaaase dancei. Vc deve ter reparado que no início do feriadão, ao tentar acessar o blog, era redirecionado para uma página americana de anúncios imobiliários. Bizarro. Eu também fui pego de surpresa – achei que já tinha resolvido a questão da renovação, mas estava redondamente enganado. Uma dezena de emails trocados com o pessoal da Register Fly e da eNom, e também com meu camarada Passamani, além de algumas horas arrumando a casa pra deixá-la como antes e pronto, estou de volta à batalha!

Cheguei a temer pela minha sorte no concurso Bobs 2007 da Deutsche Welle mas, para minha surpresa, até aumentou minha votação por lá! Vai entender… :) Por falar nisso, já votou no Escriba? Não? Então a hora é essa, clica aqui! (procura a categoria Melhor Weblog em Português, clica na bolinha ao lado do nome Escriba V3.0 e depois desce para preencher os dados e pronto!)

Apesar do sufoco e tensão, deu até pra curtir o feriadão. Na sexta, fomos todos ao Circo Spacial, no Tatuapé. Os caras fazem uma cópia barata do Cirque du Soleil, mas Martim e Sofia ficaram vidrados, de boca aberta – foi a primeira vez deles num circo. Evidentemente que Martim já faz planos para o futuro, afirmando que será mágico ou trapezista. E ontem, sábado, fomos ver Tá Dando Onda, o filme dos pinguins surfistas. Uma grata surpresa. A animação é uma das mais incríveis que já vi e a história é bem divertida. No domingão, trabalhei num frila esporádico e colei figurinhas do Danny Phantom pro Martim. No final do dia, relaxei ao ver o Escriba todo bonitinho de volta ao ar… ufa!

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Vai um copo de glifosato aí?

Hoje de manhã fui naquele seminário sobre transgênicos que rolou na FGV aqui em SP e fiquei espantado com a falta de argumentação dos que defendem os organismos geneticamente modificados (OGMs) e sua liberação comercial. Confrontados com dados mais contundentes, saem pela tangente e evitam o debate, preferindo o deboche ou o silêncio. Foi o que vi no debate que reuniu na mesma mesa Jeffrey Smith, que há anos desmascara a indústria de biotecnologia, tendo escrito dois livros sobre o assunto; Rubens Nodari, gerente de recursos genéticos do Ministério do Meio Ambiente; e Marcelo Menossi, professor do Departamento de Genética de Evolução da Unicamp.

Esse professor Menossi deu um show de desinformação e prepotência, negando todo e qualquer problema com os transgênicos, chegando a afirmar que suspeita que todos os que apontam evidências nesse sentido tenham “ficado loucos” – sejam cientistas, ambientalistas ou políticos, de todo o mundo. Curioso que ele falou isso logo depois de Jeffrey ter mostrado que os pró-transgênicos normalmente ou ficam em silêncio ou fazem graça das críticas. “Foi brilhante, porque confirmou justamente o que eu disse minutos antes. Ele simplesmente não tinha nada”, afirmou Jeffrey a mim, durante o intervalo para o café. Durante o debate, Jeffrey chegou a dar o cartão dele para Menossi pedindo para que o professor lhe enviasse estudos e pesquisas que digam que os transgênicos são ok. Melhor esperar sentado…

Lá pelas tantas a discussão no auditório girou em torno do conflito de interesses – bola levantada por Nodari. Alguém da platéia perguntou: “A Unicamp tem algum tipo de parceria com a Monsanto?” Menossi disse simplesmente que não. E eu me encafifei lá com meus botões. “E ele, Menossi, tem algum tipo de conflito de interesse? Recebe ou já recebeu dinheiro da indústria de biotecnologia para suas pesquisas, trabalha em parceria com alguma delas?” Não tive tempo de perguntar a ele in loco, mas assim que tive acesso a um computador, tirei a dúvida no oráculo Google. Digitei: “Marcelo+Menossi+transgênicos”. Bingo! Ele é conselheiro da CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), que por sua vez tem entre seus parceiros empresas como Basf, Cargill, DuPont, Dow, Syngenta, Bayer e… Monsanto! Que cara-de-pau!

Para vc ter uma idéia até que ponto esse pessoal vai para desinformar, Menossi chegou a defender um cientista da CTNBio que afirmou num jornal que o agrotóxico glifosato usado em plantações transgênicas é praticamente inócuo para o ser humano, sendo possível até beber uma certa quantidade dele. Ao que alguém da platéia emendou de pronto: “O senhor beberia agora um copo de glifosato?” O professor poderia voltar para Campinas sem essa…

De resto, foi constrangedor. Enquanto Jeffrey e Nodari detalharam dados, pesquisas e relatórios científicos e econômicos que colocam em xeque (diria mate) os transgênicos, por sua nocividade ao meio ambiente, saúde humana e finanças dos agricultores, Menossi apenas questionava: “Será que há tanta gente de má-fé na indústria e nos órgãos reguladores?” Peralá, onde essa cara estava nos últimos dias? Não viu o que a indústria de laticínios faz para ludibriar consumidores e fiscalização?

Nodari lembrou uma antiga frase do botânico holandês Hugo de Vries, que disse em 1907:

Numa ciência aplicada como a genética agrícola, o econômico domina o científico e, além dos ganhos financeiros, determina o que é cientificamente verdadeiro.

Nada mais atual. E assustador. Segundo Jeffrey, a contaminação genética pode ser a próxima grande questão da humanidade.

Ela se auto-propaga e pode representar em breve um risco maior para a humanidade do que o aquecimento global e o lixo nuclear.

A hora de pôr os pingos nos ‘iis’ é agora. E a França, maior país agrícola da Europa, deu o primeiro grande passo para pôr a transgenia no seu devido lugar: no laboratório de testes.

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Jesus era um cara legal

Que Jesus tem a maior pinta de hippie, ninguém discute. Cabelão, barba, sandália, andarilho, contestador, vivia ao livre e montou uma sociedade secreta com os amigos mais chegados, pra curtir um pão e vinho. E há quem diga que nessas reuniões rolava otras cositas más. Foi o que li nesta matéria do jornal The Guardian, que por sua vez se refere a este artigo publicado na revista High Times em 2003. Que doideira (ops)…

E já imaginou se existisse a revista Veja naquela época? No auge da agitação causada pelo nazareno, daria uma edição especial assim:
JESUS, QUEM É ESSE AGITADOR?

* Os planos secretos de tomar o poder dos Césares.
* Seus comparsas são pescadores que vendem peixe no mercado negro.

* Os ladrões que eles acobertam.
* A vida pregressa de Maria.
* Lázaro revela: EU NUNCA ESTIVE MORTO!
* Especialistas desmascaram os “milagres”
* 10 Motivos para crucificá-lo

(criação de Eduardo, camarada do Orkut)

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França pinta o futuro de verde

Fiquei deveras impressionado com a abrangência do pacote verde lançado semana passada pelo governo francês para tornar o país ambientalmente responsável e sustentável. Há quem diga que o presidente Sarkozy está querendo apenas pegar carona na onda ecológica, mas o conjunto de medidas negociado no âmbito do que os franceses estão chamando de Le Grenelle de l’Environnement e divulgado semana passada na Comissão Européia é bem interessante. Se levado à risca, pode fazer da França o país que melhor trata dos temas ambientais no mundo.

O plano verde francês ataca diversos pontos ao mesmo tempo. Vamos a eles:

– Redução de 20% a 30% das emissões de gases do efeito estufa até 2020;
– Garantir que 20% da energia produzida no país seja obtida por fontes renováveis até 2020;
– Incentivo a programas de eficiência energética para reduzir em 20% o consumo de energia (basicamente no transporte e nos prédios públicos;

– Suspender a construção de novas estradas e aeroportos no país;
– Abolir as lâmpadas incandescentes até 2010;
– Suspensão do cultivo comercial de transgênicos no país;
– Redução de 50% no uso de pesticidas em 10 anos;

– Aumentar de 2% para 6% a área agrícola destinada a produtos orgânicos;
– Banir a importação de madeira extraída de maneira ilegal;
– Apoiar o fim da pesca de arrasto no fundo do mar;
– Apoiar a criação de áreas marinhas protegidas;

É coisa pra burro! O suficiente para promover uma revolução verde na França, como nunca antes vista em outro país. Curioso não ter saído uma linha sequer nos jornais brasileiros. Nadica de nada (se alguém viu, me mande o link por favor).

Suspeito que um dos fatores que contribuiu para o assunto ter sido ignorado pela mídia brazuca seja o fato de que um governo de direita lá fora confirmou o que movimentos sociais, ambientais e muitos cientistas tachados de ‘esquerdistas’ inconsequentes cansaram de dizer aqui no Brasil: os transgênicos são uma perigosa farsa, que coloca em risco a saúde humana e o meio ambiente, além de causar sérios problemas aos agricultores. O Estadão, por exemplo, cansou de dar editoriais acusando os anti-transgênicos de serem ideologicamente obscurantistas e inimigos da ciência (ver um exemplo aqui). Pois Sarkozy, direitista de carteirinha, se fiou em evidências científicas, econômicas e ambientais para banir os transgênicos da França. E agora? Que saia justa, heim?

Ah, por falar em transgênicos, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) promove quarta-feira agora, dia 31, um seminário internacional sobre alimentos transgênicos e seus impactos na sáude, na economia e no meio ambiente. Vai das 8h30 às 18 horas no auditório que fica na avenida 9 de julho, 2029 – Bela Vista – São Paulo. Um dos palestrantes é Jeffrey M. Smith, autor do livro Seeds of Deception – Exposing Industry and Government Lies About Safety of the Genetically Engineered Foods You’re Eating (Sementes da enganação – as mentiras da indústria e do governo sobre a segurança dos alimentos transgênicos que você está comendo). Jeffrey falará na parte da manhã. Quem se interessar, pode fazer a inscrição (gratuita) aqui.

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