Anderson x ‘Schlep’: round 3

Na briga que teve via email com o jornalista e escritor Jon Lee Anderson por conta daquele texto mequetrefe sobre Che Guevara que foi capa da Veja semanas atrás, o editor de internacional da revista, Diogo Schelp (ou ‘Schlep’, como queiram), deu piti e disse que o biógrafo nunca mais apareceria nas páginas da publicação da Abril.

Pois Anderson, em sua tréplica, não deixou barato:

Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo. Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas páginas de uma revista louvável como Veja. Seus leitores merecem mais do que isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser ‘editor de internacional’.

Leia aqui a íntegra do esculacho de Anderson. Depois dessa, ‘Schlep’, melhor ficar quietinho porque tá ficando ruim pro seu lado – nem a verborragia oca de ostentação expurgatória do sofista-mor Reinaldo ‘dodói’ Azevedo vai te ajudar…

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Tirando o atraso

Quis o destino que eu assistisse o filme Crash às vésperas do dia de Zumbi. Filmaço. Lembrei o tempo todo de Magnólia, de Paul Thomas Anderson, e Tempestade de Gelo, de Ang Lee, obras com o mesmo tom poético. São os meus preferidos. Crash foi muito criticado à época por trazer alguns clichês, mas a inteligente costura deles é que faz o diferencial. Bom cinema é saber reinventar o clichê. A cena da menina que corre para proteger o pai e leva um ‘tiro’ é por isso mesmo antológica.

É, eu sei, tô meio desatualizado em termos de cinema. Por isso aproveitei que o feriadão em casa pra pegar alguns DVDs. Ontem vimos Pequena Miss Sunshine – muito bom. Hoje foi Crash. Amanhã, Babel e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Só ‘velharia’. Afinal, atualmente, só tenho ido ao cinema pra ver filmes infantis, como a Loja Mágica de Brinquedos, que iremos assistir com Martim e Sofia provavelmente amanhã também. Pelo trailer, promete ser divertido.

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O caminho do bem

Acrescentei mais um banner aí do lado, do Portal Orgânico, um grande banco de dados sobre produtos orgânicos do Brasil. Uma amiga, a Lívia, sugeriu d’eu montar aqui uma lista, mas com páginas completas como essa aí, seria como reinventar a roda. Tem dicas de restaurantes, feiras livres e supermercados, e tudo o mais que você precisa saber sobre os orgânicos. Fundamental. Sirvam-se!

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Tupi or not Tupi?

A descoberta do mega-campo de petróleo deixou tanta gente eufórica que parece que estamos no melhor do mundos e que poderemos usar os bilhões de litros encontrados nas profundezas do mar sem maiores problemas. Não é bem assim.

O relatório do IPCC divulgado nesta sexta-feira é claro: as mudanças climáticas estão acelerando, o aquecimento global idem e os países pouco ou nada fizeram para mudar o estado das coisas. A negociação da segunda fase do Protocolo de Quioto vai girar em torno de metas mais ambiciosas para frear a tragédia e nisso entram redução drástica de emissões de gases do efeito estufa, economia de energia, produção de energia limpa (eólica, solar, biomassa, geotérmica, marés) e fim do desmatamento.

Quando o Brasil começar a usar o tal mega-campo de petróleo, vai contribuir para aumentar suas emissões e ferir de morte programas de geração de energia limpa. É isso que queremos? Espero sinceramente que a tal camada de sal seja mais problemática do que o pintado até agora

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Blog bielorusso vence Bobs 2007

Saiu enfim a lista dos vencedores do The Best of Blogs 2007, promovido pela Deutsche Welle. Por enquanto só dá pra conferir a lista dos premiados pelo júri, que escolheu o blog Fotomania, de uma fotógrafa bielorussa que registra o cotidiano de seu país, como o grande vencedor. Na categoria de Melhor Weblog em Português, Marcelo Tas faturou. Ele provavelmente ganhou também no voto popular na categoria geral (Melhor Weblog) – tava na frente disparado na última vez que vi. O Escriba tava em segundo lugar na categoria em português, e assim deve ter ficado. Quando sair o resultado da votação online, eu aviso. Parabéns a todos! Em 2008, estaremos lá de novo!

ATUALIZAÇÃO: O júri do Bobs 2007 premiou apenas um blog brasileiro, o do Tas (Melhor Weblog em Português), mas na votação dos internautas, foram três – novamente o blog do Tas (Melhor Weblog geral, em que concorriam páginas de todo o mundo), Nerdcast (Melhor Podcast) e Pensar Enlouquece, Pense Nisso (Melhor Weblog em Português), que venceu com 57% dos votos depois de ganhar o decisivo apoio do Kibe Loco e de muitos de seus quase 200 mil visitantes diários – totalmente legítimo, eu também ganhei apoio de outros blogs, que foram fundamentais para o Escriba ficar em segundo lugar nessa última categoria, com 14% dos votos. Show! Agradeço imensamente a todos que votaram neste blog! Segue o jogo!

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Lembrete

Agora a moda é mandar o outro se calar, na esteira da arrogância colonialista do rei espanhol. A Espanha se uniu (e o imprensalão brazuca também, evidentemente) para defender um rei e um ex-primeiro-ministro que são expressões modernas do franquismo, e atacar Chavez, o presidente cafuso venezuelano. Por eles, calavam-se todas as vozes que protestam contra o estado das coisas.

Pois para cada ‘cale-se’ que escutarmos, ouvirão: “tente a sorte!”

Eu vi El Rey andar de quatro,
de quatro caras diferentes.
E quatrocentas celas
cheias de gente.

Eu vi El Rey andar de quatro,
de quatro patas reluzentes.
E quatrocentas mortes…

Eu vi El Rey andar de quatro,
de quatro poses atraentes.

E quatrocentas velas
feitas duendes.

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Corrente pela Amazônia

O Greenpeace acabou de pôr no ar uma cyber-ação bem bolada: você se cadastra no site Desmatamento Zero, envia uma foto e participa de um abraço virtual à floresta amazônica. Sua foto aparecerá num dos bonequinhos que fazem o abraço, juntamente com um texto que é enviado automaticamente ao presidente Lula exigindo medidas para zerar o desmatamento na Amazônia.

O Brasil é o quarto emissor do mundo de gases do efeito estufa – atrás da China, EUA e Índia – e 75% desse total vem das queimadas na Amazônia. O governo ainda não apresentou medida concreta alguma para frear a derrubada da floresta e a situação tende a piorar com o aumento dos preços da carne e da soja no mercado internacional – duas commodities que pressionam a floresta – e com a febre mundial pelos biocombustíveis, que já detona as florestas na Indonésia.

Em dezembro, vai rolar a Convenção do Clima em Bali, na Indonésia, quando será discutida a segunda fase do Protocolo de Kyoto. Enquanto os EUA boicotam a reunião (afirmando que não reduzirão suas emissões), a China e Índia dizem que não é justo cobrar dos países em desenvolvimento um mesmo comprometimento do que os países industrializados, que poluem o clima há séculos. Já o Brasil faz discurso verde na ONU, mas pouco têm de concreto para apresentar em Bali, apesar dos esforços da ministra Marina Silva e das boas sugestões feitas por ONGs ambientalistas, como o pacto pelo desmatamento zero.

Então, vamos encher o saco do Lula!!

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Leu na Veja? Azar o seu.

Mesmo quem não gosta de Che Guevara ficou estarrecido com a matéria de capa da Veja publicada no início de outubro por ocasião dos 40 anos da morte do líder revolucionário. O material escrito por Diogo Schelp e Duda Teixeira era tudo menos reportagem. Se fosse um editorial da revista, ok, faria sentido. Mas como jornalismo… Melhor ficar com a matéria feita em 1997 pela Dorrit Harazim, que é – esta sim – uma bela reportagem sobre Che. Será que os novos controladores da editora Abril têm algo a ver com essa, digamos, guinada de estilo em 10 anos? Huum….

Agora, quem detona a reportagem (sic) da Veja é ninguém menos que Jon Lee Anderson, jornalista americano autor da biografia mais conceituada sobre Che. Ele foi procurado à época por Schelp para falar sobre o assunto mas o papo não foi adiante. Ainda assim, Anderson foi citado na matéria, à maneira de Veja. O cara teve acesso à revista, leu o texto e ficou indignado. Mandou o seguinte email para Schelp:

Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei pôr pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é.

Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson.

Detalhe: Anderson é conservador de carteirinha. Até o momento, nem Veja nem Diogo Schelp responderam ao jornalista americano.

(fonte: Pedro Dória)

ATUALIZAÇÃO: O Diogo ‘Schlep’ (como é mais conhecido…) respondeu ao Jon Lee Anderson e, grosseiro toda vida, disse que o jornalista americano não mais será citado na revista Veja. Caramba, Anderson deve estar inconsolável, né não? pfff…. Clique aqui para ler a resposta do Schlep.

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CPMF neles!

Adib Jatene disse poucas e boas para o Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em defesa da CPMF – o imposto mais justo que o Brasil tem hoje, insonegável (e por isso combatido por empresários e afins). O esporro foi dado num jantar beneficente em São Paulo, segundo nota publicada na coluna da Mônica Bérgamo, na Folha. Foi mais ou menos assim:

Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, “pai” da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda”.

Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: “Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!”. E Jatene: “Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais”. Skaf continua: “A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?”. E Jatene: “Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões”. Skaf diz: “A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF”. “É que a CPMF não dá para sonegar!”, diz Jatene.

Skaf circula. O deputado Adriano Diogo, do PT, levanta o dedo positivo para ele: “E aí, contente em detonar a saúde?”. Nova discussão. “Não adianta. São visões de mundo diferentes”, conforma-se o empresário. Em outra mesa, Tião Viana (PT-AC), presidente do Senado, diz que a votação da CPMF segue indefinida. “Está difícil para os dois lados.”

Skaf tá certo quando diz que são visões de mundo diferentes. A dele é a do ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’.

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Café vai reinar na terra do chá

Venho recebendo nos últimos meses uma newsletter bem interessante, a Green Chip Stocks, que traz boas dicas de investimento em empresas de energia renovável (eólica, solar, biomassa), mas também em companhias que têm produtos e projetos ambientalmente corretos. Segundo o Jeff Spiegel, que faz as indicações, o grande lance no momento é investir na Green Mountain Coffee, que produz café orgânico. Simples: eles fecharam uma parceria com uma empresa chinesa para abrir cafeterias na China, o maior mercado consumidor do mundo, algo que nem a Starbucks – que tenta há anos tal empreitada – conseguiu. Com isso, a Green Mountain Coffee está com as ações borbulhando! As primeiras lojas de olhinhos puxados abrem este mês.

Mal tenho dinheiro para fechar as contas do mês, mas me interessei pela história e comecei a ler mais. Fiquei de cara ao saber que o café era proibido na China há 30 anos e que as pessoas lá hoje têm que se contentar com café instantâneo ou um café-com-leite-e-açúcar servido por máquinas. Expresso? Cappuccino? Nem pensar. Ainda assim, tomar café virou uma febre nos últimos anos entre os chineses.

Aí, já viu: um mercado consumidor de mais de 1 bilhão de pessoas, ávidas por um produto que inexiste na prática (café de boa qualidade). Não é preciso ser um tycoon de Wall Street para perceber que os caras da Green Mountain Coffee vão bombar por lá.

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