Filme da lata

O verão mais louco da história brasileira, quando 20 mil latas de maconha boiaram entre o Rio de Janeiro e Santa Catarina a partir do final de 1987, vai virar filme pelas mãos do diretor João Falcão.

O trailer, se ele quiser, já tá pronto:

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Mistério desfeito, enfim!

Ontem no shopping Villa-Lobos, almoçando com a família em frente à casa do papai noel, escutei uma canção que sempre foi um dos grandes mistérios da minha vida musical.

Naquele jazzinho gostoso, cantado por um homem e uma mulher, uma história divertidíssima: o cara tenta convencer a menina a não voltar para casa, porque está rolando uma tempestade de neve. E fica sussurrando no ouvido dela que ela vai congelar, que a neve está alta, que ela é linda… O título da canção, deduzia eu, era algo como It’s Cold Outside, por ser o refrão da música.

Apesar de há tempos gostar de pesquisar a história de músicas pela internet, eu nunca corri atrás desta em particular, ficou esquecida no meu subconsciente musical até os primeiros acordes de ontem. Voltei pra casa decidido a desfazer o mistério que já durava, sei lá, 15 anos ou mais, desde que ganhei uma fita K7 de uma paquera dos tempos da faculdade com diversas cantoras de jazz – Billie Holiday, Bessie Smith, Sarah Vaughan, Nina Simone. A última música era justamente este misterioso dueto.

Qual o nome da música? Quem são os cantores? Sempre pensei que fosse o Nat King Cole, mas estava enganado…

Com a ajuda do oráculo Google, desfiz enfim o mistério: a canção é Baby, It’s Cold Outside, na versão da dupla Ray Charles e Betty Carter registrada no disco Dedicated To You, de 1961. Há várias outras – uma delas de 1949 está na seleção da rádio Escriba, com os ‘branquelos’ Johnny Mercer e Margaret Whiting -, mas a ‘minha’ é a mais sensualmente fiel à letra, num duelo vocal belíssimo entre Ray e Betty, que formam um par à altura de outra dupla genial, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.Baixei o disco no soulseek, claro, e achei também no Youtube. Uma delícia!


(não se esqueça de pausar a rádio Escriba pra não atrapalhar a experiência…)

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Ponta do iceberg

Estudo feito na Alemanha pela Universidade de Mainz mostrou que crianças pequenas que vivem próximas a usinas nucleares têm risco significativamente maior de desenvolver leucemia e outros tipos de câncer. O ministro alemão do Meio Ambiente ficou de examinar o estudo. Que tal fazermos um levantamento semelhante nas populações que vivem em torno das usinas de Angra dos Reis?

De qualquer forma, isso é apenas a ponta do iceberg do problema nuclear. A Alemanha pretende fechar até 2020 todas suas 20 usinas atômicas e está apostando firmemente em fontes renováveis de energia – eólica, solar, biomassa, geotérmica, marés. E aí é que começa outro problema, não só na Alemanha mas também em diversos países mundo afora.

Em mais ou menos 30 anos, boa parte dos reatores hoje em funcionamento terão que ser desligados e descomissionados (ou seja, todo o material usado neles terá que ser tratado, empacotado e guardado sob forte proteção para não contaminar o meio ambiente). Estamos falando de dezenas, quiçá centenas de usinas.

Nenhum país, nem mesmo os EUA – que mais têm usinas nucleares no mundo – sabe o que fazer ainda com o lixo nuclear. Na década de 1970 jogavam tambores com material radioativo no fundo dos oceanos, o que foi denunciado pelo Greenpeace e, então, proibido. Já pensaram até em mandar tudo para o espaço ou mesmo bombardear o sol! Hoje estudam armazenar o material no fundo de montanhas, como o projeto em andamento no estado de Nevada, nos EUA.

Pra variar, estamos deixando a conta para as gerações futuras. Não será a primeira vez, mas espero sinceramente que seja a última…

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WebOS

Lendo este post lá no blog do Nassif me dei conta que praticamente não uso mais os programas que tenho instalado no computador de casa. É basicamente o Winamp e soulseek, e o navegador Firefox claro. Para escrever, ver filmes, conversar com amigos distantes, guardar, ver e compartilhar albuns de fotos, ler, jogar online, basta o navegador. O HD virou um grande depósito de arquivos de MP3.

Tenho usado cada vez mais o Docs & Sheets do Google e não param de pipocar pela internet outras ferramentas na mesma linha: o youos, o eyeos (de código aberto), o zoho e o goowy. É o que chamam deWeb Operating System (algo como Sistema Operacional de Internet).

O futuro, pelo jeito, é mesmo online.

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GTA 4 quase pronto

O terceiro trailer do novo Grand Theft Auto acabou de sair. Confira ele e os dois anteriores aqui.

E quem quiser matar saudades das primeiras edições, pode baixar gratuitamente na página da Rockstar Games.

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Irlanda mais verde do que nunca

Pelo menos na Europa, as lâmpadas incandescentes estão com os dias contados. A Irlanda decidiu hoje eliminar todas até 2009. A França e a Inglaterra já haviam anunciado o mesmo, mas com prazos maiores – até 2011. Lá em casa, o prazo venceu há alguns meses, quando troquei todas por lâmpadas fluorescentes (com luz amarela e duas ou três pequeninas, para luminárias de mesa) e obtive uma economia na conta de luz de mais de 50%.

Conheça aqui os sete passos para chegar à eficiência energética! Mais do que fazer com que as pessoas mudem as lâmpadas em casa, temos que mudar as leis!

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Don´t believe the hype!

Os nuke boys estão a todo vapor na mídia para emplacar a energia nuclear como salvação do planeta, em tempos de aquecimento global e mudanças climáticas, por isso é bom relembrar que o alerta feito pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em janeiro deste ano, quando adiantou o ponteiro do seu relógio do Juízo Final para cinco minutos para meia-noite. O relógio simboliza quantos minutos faltam para o horário fatal do planeta (meia-noite). O mais próximo que o ponteiro chegou da hora fatídica foi dois minutos para meia-noite, em 1953, quando EUA e URSS testaram juntas bombas de hidrogênio.

E por que os cientistas desse grupo fizeram andar o ponteiro do relógio do Juízo Final? Basicamente a preocupação aumentou devido à possibilidade de uma Segunda Era Nuclear no mundo, que se caracterizam pelas seguintes ameaças:

* Ambições nucleares do Irã e Coréia do Norte;
* Materiais nucleares sem segurança na Russia e em outros países;

* O status de ‘pronto para disparar’ de 2 mil das 25 mil armas nucleares dos EUA e Rússia;
* Escalada do terrorismo;
* Pressão para expansão da geração de energia nuclear sob a desculpa de combate às mudanças climáticas, o que poderia aumentar os riscos de proliferação de armas atômicas.

A indústria nuclear quer matar a indústria de energia renovável assim como a indústria automobilística matou o carro elétrico.

Há soluções bem mais convenientes. Saca só:

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Legalização não aumentaria o uso de drogas pesadas

(Acima um registro de uma batida policial em Washington a depósitos ilegais de bebidas alcóolicas na época em que vigorava nos EUA a Lei Seca – 1920-1933)

Pesquisa feita nos EUA pelo Instituto Zogby no aniversário da derrubada da Lei Seca revela que 99% dos americanos não usariam heroína ou cocaína se elas fossem legalizadas. Atualmente, segundo o National Survey on Drug Use and Health (Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas e Saúde, que é mantido por uma agência do Serviço de Saúde dos Estados Unidos), 0,3% da população americana acima de 12 anos usou heroína nos últimos 30 dias e 2,4%, cocaína. O grande temor dos que advogam pela proibição das drogas, nos atuais moldes, é de que o consumo de drogas pesadas exploda com a legalização. A pesquisa mostra que não é bem assim.

A exemplo da Lei Seca dos anos 20, é curioso notar que hoje consome-se mais drogas em países que as proíbem do que naqueles que têm leis menos severas. Na Holanda, país que autoriza a venda e consumo de maconha em coffee shops, 12% dos jovens entre 15 e 24 anos admitiram ter fumado a droga em 2005. Na França, que prende quem fuma, foram 24%. Nos EUA, que prende 800 mil usuários por ano, quase 28%.

A tal explosão de consumo de drogas caso elas sejam legalizadas é um fantasma que alimenta a violência nas cidades e as organizações criminosas, desinforma os jovens e deixa ao deus-dará os que precisam de ajuda médica por conta do consumo excessivo de substâncias entorpecentes.

E ainda tem energúmenos que classificam esse tipo de notícia como apologia…

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Babel

Enfim consegui ver o filme. Aflitivo toda vida. Impressionante como o diretor Alejandro González Iñarritu mantém o controle em ambientes tão distintos – Marrocos, Estados Unidos, Japão e México, sua terra natal. Pra variar me liguei na trilha sonora, especialmente a mixagem de September, do Earth, Wind & Fire, com The Joker do Fat Boy Slim, produzida por um DJ japonês. Ficou muito bom!

Babel forma com Amores Perros e 21 Gramas uma trilogia e tanto. Iñarritu tá na crista da onda.

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Amazônia: vende-se ou explode-se.

A internacionalização da floresta amazônica já começou, para desespero de muitos. O governo da Guiana, ex-colônia inglesa no extremo norte da América do Sul, ofereceu à Grã-Bretanha a sua parte da Amazônia em troca de financiamento inglês para tornar sua indústria mais ambientalmente sustentável. É uma sinuca de bico e tanto para quem defende a soberania dos países sul-americanos sobre a floresta. Afinal de contas, se a Guiana é soberana sobre aquele pedaço da Amazônia, pode cedê-lo para quem quiser, da forma que bem entender, certo? Ou não? A alternativa parece assustadora: ver o pobre país desmatar tudo e ainda ter um parque industrial podrão.

O pior é que os ingleses não só gostaram da idéia como pretendem fomentá-la por toda a região. Ó só o que Chris Huhne, porta-voz para meio ambiente do Partido Liberal Democrata, o segundo mais importante de oposição no Reino Unido, depois do Partido Conservador, disse sobre o acordo:

Esta é uma novidade muito interessante. Precisamos trabalhar nas propostas que a Guiana fez em um nível internacional e expandir para cobrir não apenas a Guiana, mas também o Brasil, Venezuela e outros países onde está a floresta tropical.

Hoje é a floresta amazônica, amanhã é o aquífero Guarani (maior reservatório de água doce subterrânea do mundo), depois quem sabe o campo de petróleo Tupi, que exige grandes investimentos para ser explorado. Floresta, água, energia… e uma grande crise que se avizinha. Os quatro cavaleiros do apocalipse?

O grandes tycoons do capitalismo mundial já esfregam as mãos ansiosamente. Afinal, onde há crise, as grandes corporações farejam oportunidades de bons lucros. Com a conivência dos políticos.

A jornalista Naomi Klein, autora do instigante No Logo, revela essa intrigante parceria em seu novo lançamento, Shock Doctrine – The Rise of Disaster Capitalism (Doutrina do Choque – A Ascenção do Capitalismo do Desastre), mostrando como o capitalismo e suas grandes corporações se movem bem por entre crises políticas, econômicas, ambientais, o que for. Hay crise? Estan dentro!

Diz Naomi:

Olhe de novo para os eventos emblemáticos de nossa era e por trás de muitos deles você encontrará a lógica da doutrina do choque em funcionamento. Esta é a história secreta do livre mercado, que não nasceu sob liberdade e democracia; nasceu do choque.

O filme abaixo, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón (do Y Tu Mama Tambien e o terceiro filme da série Harry Potter), dá outras pistas:

Sob choque, ficamos todos mais suscetíveis a aceitar a trozoba que for. Ficamos mansinhos, incapazes de reagir. Serve também para sociedades inteiras. O choque pode ser induzido, provocado ou mesmo natural – o importante é saber aproveitar o momento de torpor que se segue para obter o máximo de vantagem. E isso as corporações sabem fazer como ninguém.

Dizae, Milton Friedman:

Só uma crise, real ou percebida, produz mudanças reais.

Homer protesta contra a energia nuclear em Bratislava, capital da Eslováquia

A doutrina do choque está em andamento no Brasil neste exato momento. Nos dias que se seguiram ao anúncio do mega-campo de petróleo na Bacia de Santos, os militares colocaram seus quepes de fora e tornaram público suas intenções de produzir uma bomba nuclear, para por um cadeado forte no país, que é cobiçado por ter água, alimentos e energia. As declarações do general do Exército José Benedito Barros Moreira, secretário de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa foram feitas durante um programa de TV e, em seguida, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu a construção de um submarino nuclear para proteger os recursos naturais brasileiros – notadamente o petróleo.

A imprensa, que faz parte da engrenagem, praticamente não repercutiu a fala do ministro, menos ainda a do general. Prefere seguir defendendo com unhas e dentes a construção da terceira usina nuclear brasileira, Angra 3, projeto que está nas mãos de um militar belicista, o almirante Othon Luiz Pinheiro – aquele que tentou testar clandestinamente um artefato nuclear na Serra do Cachimbo durante o governo Collor.

Somem-se a essa possível crise as questões ambientais – aquecimento global e mudanças climáticas -, que exigem novas perspectivas de geração de energia, e temos o cenário ideal para a doutrina do choque atuar em todo seu esplendor.

Enquanto o mundo volta a discutir o desarmamento nuclear multilateral e a investir pesado em fontes renováveis de energia, como o pessoal do Google, os cabeças-de-milico aproveitam o momento de certa euforia nacional e o fantasma da ameaça externa para tornar realidade seu maior sonho de consumo: a bomba. Angra 3 é apenas o meio, não o fim.

Afinal, como ensinou Robert Oppenheimer, físico americano pai da bomba atômica, não existe uma energia nuclear para a paz e outra para a guerra: a fonte é a mesma.

A destruição da floresta amazônica da Guiana e a proteção de riquezas naturais no Brasil por meios bélicos são duas faces da mesma moeda perversa da doutrina do choque.

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