Escriba na Rede Ecoblogs

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Fui convidado a participar da Rede Ecoblogs, juntamente com outros cinco blogs – Sturm und Drang, Ladybug Brasil, Mude o Mundo, Guindaste e Rodrigo Barba – e convido você a dar uma passadinha por lá. Tutti buena gente!

A rede vai reunir nossos posts sobre meio ambiente e ajudar a espalhar a palavra por um mundo menos predador e mais sustentável. Os deniers estão na ativa e contam com apoio inequívoco dos peso-pesados da indústria, que querem manter o status quo poluidor em nome dos incessantes lucros. Para eles, o planeta vai bem, obrigado. Tô falando sério, saca só.

PS. Estou viajando já já pra Amsterdã e só volto no outro domingo. Vou participar de um curso do Greenpeace, o Set Sail, para aprender melhor como funciona a organização. Pelo que me falaram, mal vou ter tempo para respirar e, portanto, não sei se conseguirei atualizar o blog. Na medida do possível, dou uma passadinha por aqui para pelo menos aprovar comentários – se houver. Até a volta!

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Fidel, lá e cá

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A revista Veja cometeu uma das capas mais ‘baixas’ de sua história na edição em que comemorou a saída de Fidel Castro da presidência de Cuba com um “Já vai tarde” na capa. Por mais que se tenha diferenças ideológicas com el comandante, tratar um ícone do século 20 (quer o pessoal da Abril queira ou não, Fidel o é) dessa forma é uma prova do quão vulgar se tornou a revista Veja.

Mais uma vez, infelizmente, a dica é ignorar o jornalismo tapioca e procurar revistas estrangeiras, como a New Yorker, que sabem separar as coisas e oferecer ao público leitor textos menos rancorosos e mais inteligentes. O Luiz Carlos Azenha publicou a íntegra da matéria da New Yorker em sua página, Vi o Mundo – tá em inglês, mas vale o esforço.

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A grande ameaça à biodiversidade já está entre nós

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Não foram poucas as matérias publicadas nos últimos dias sobre o cofre do fim do mundo, imenso depósito de sementes de plantas com valor alimentício inaugurado na Noruega numa parceria do governo local com a ONU. As sementes estão sendo armazenadas para salvar a agricultura em caso de catástrofes naturais, guerras nucleares, queda de asteróides. Mas há uma grande ameaça à biodiversidade que já está entre nós e que não foi relacionada em nenhuma das matérias que li – o cultivo descontrolado de transgênicos ao redor do mundo.

Casos de contaminação de plantações convencionais pelas transgênicas estão aumentando em progressão geométrica em diversos países – Brasil incluso – e não há controle algum tanto por parte dos governos como das empresas. O assunto é tão grave que vários países que adotaram os transgênicos anos atrás estão proibindo-os agora – caso da França, Áustria, Suíça, Polônia, Romênia e Grécia, entre outros – devido a muitas novas evidências científicas que apontam problemas causados não apenas ao meio ambiente (contaminação genética de plantações convencionais, contaminação do solo pelo maior uso de herbicidas, efeitos colaterais em seres que vivem em torno do cultivo, etc) como também à saúde humana.

A indústria de biotecnologia nega tudo e faz um esforço hercúleo de propaganda para esconder os fatos, mas curiosamente jamais conseguiu apresentar estudos que garantam a segurança de seus produtos – e não foi por falta de pedidos. O tema preocupa e será destaque da próxima reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, que acontecerá em maio, em Bonn, na Alemanha. Durante o encontro também serão discutidos os termos do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que dispõe sobre os testes, plantio, comercialização e rotulagem de produtos transgênicos – pontos estes quase nunca respeitados, diga-se de passagem.

O Brasil, por exemplo, é signatário do Protocolo e ainda assim aprovou variedades transgênicas de soja e milho sem providenciar regras claras que impeçam a contaminação genética, responsabilizem empresas em caso de incidentes e garantam a correta informação ao consumidor sobre o que ele está comprando. O mesmo acontece em outros países, principalmente em desenvolvimento, já que na Europa o cerco apertou e a situação está cada vez mais difícil para os organismos geneticamente modificados.

Do jeito que está, temos (no Brasil e no mundo): as empresas lucrando, a gente comprando às cegas, o meio ambiente pagando, a biodiversidade perdendo.

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Nós e eles

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Um repórter do Le Monde Diplomatique passou uma semana com a nata dos conservadores americanos num cruzeiro marítimo pelo Oceano Pacífico. O relato publicado na edição de fevereiro da revista é um dos mais assustadores retratos da elite do mais poderoso país do mundo! É esse pessoal que dá as cartas por lá. Mas enfim… somos todos homens comuns…

Segue um trecho:

A nau dos dinossauros

No crepúsculo da Era Bush, centenas de neo-conservadores norte-americanos embarcam num cruzeiro marítimo, durante o qual debatem o “sucesso notável” dos EUA no Iraque, a “inexistência” do aquecimento global e o “risco iminente” de dominação muçulmana sobre a Europa. Nosso repórter estava com eles.

Johann Har

De frente para o Oceano Pacífico, pés na água, deixo-me levar pelo bate-papo casual tão apreciado pelos norte-americanos em férias. Uma bondosa senhora de Los Angeles está sentada a meu lado, sobre as rochas. Ela me fala de seu filho. Eu lhe pergunto se tem só um. “Sim. E o senhor, tem filhos, lá na Inglaterra?” Respondo que não e sua expressão é de assombro. “O senhor deveria pensar a respeito. Os muçulmanos se reproduzem como coelhos. Logo, logo, vão invadir toda a Europa.”

Começo a me habituar a esse momento estranho em que a discussão amena entre dois viajantes envereda para… não sei muito bem o que, exatamente. Embarquei em um navio de um branco ofuscante, dotado de dois restaurantes, cinco bares e quinhentos assinantes da National Review. Aqui, a guerra do Iraque é um “sucesso notável”. O aquecimento global “não existe”. A Europa está se transformando em um califado. E não tem para onde fugir.

Regularmente, a National Review, a Bíblia dos conservadores norte-americanos, organiza um cruzeiro para seus leitores, a fim de coletar fundos. Paguei 1.200 dólares para me juntar a eles. Obriguei-me a uma única regra de conduta. Quando um passageiro perguntar o que sou, responderei a verdade: jornalista. Meu objetivo: misturar-me à massa, para descobrir o que dizem os conservadores quando se imaginam a salvo de ouvidos indiscretos.

A íntegra do texto está aqui.

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O som não pode parar

Minha conta no FileDen, onde guardo as músicas que tocam na rádio Escriba, vai expirar e não estou com caixa pra mantê-la. Daí que em breve a rádio Escriba vai ficar bem mais limitada, porque sua largura de banda vai diminuir bastante na versão gratuita. Ainda vai dar pra colocar algum som, mas não tantos como agora. Tô pensando em destacar nela um disco por semana – o Let It Be, dos Beatles; ou o Waka-Jawaka, do Frank Zappa; quem sabe um do Cartola ou do João Nogueira. E como o blog tem mais acessos do que suporta a nova largura de banda, a rádio provavelmente vai deixar de tocar durante vários dias no mês.

Pra compensar, resgatei a Virgin Radio Classic Rock, que eu tinha na versão 2.0 do blog. Então, agora, quando vc chegar aqui, a rádio que vai começar a tocar é essa. É bem legal, 24 horas, mas limitada a roquenrol. Confira as últimas 10 músicas tocadas por ela.

A rádio Escriba ficará desligada, mas se quiser curti-la, basta pausar a Virgin Radio e pôr pra tocar a outra. Fácil, não? Acho que vai funcionar direitinho. Se der problema, avise!

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Musique non stop

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Fim de semana agitado em SP para os amantes do jazz e do samba. Hoje, no Ó do Borogodó (rua Horário Lane, 21 (quase esquina com a Cardeal Arcoverde, próximo ao cemitério da Vila Madalena), vai rolar um show com vários artistas em homenagem a Negão Almeida, sambista paulistano de longa data. Começa às 22h30. Ver detalhes no blog do Nassif.

E sábado, mais uma edição do Jazz nos Fundos – desta vez especial. Será o primeiro show de uma série sobre a história do jazz. Agora é a vez do ragtime e do dixieland, criados entre 1900 e 1930. Ao final da apresentação da Tito Martino Jazz Band, será exibido o filme ‘New Orleans’, com a participação de Louis Armstrong e Billie Holiday, entre outros monstros do gênero.

O Jazz nos Fundos rola nos fundos de um estacionamento (dãh…) da rua João Moura (também quase esquina com o Cardeal Arcoverde), 1076, a partir das 19 horas.

E aí, bora lá?

(por falar em música, minha querida cunhada Juli Mariano, cantora de primeira, acaba de ganhar um site! Parabéns!!

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10 minutos de intolerância

Mesmo que Ela Fosse Culpada, documentário curta-metragem do francês Jean-Gabriel Périot, nos mostra numa veloz sucessão de imagens a ocupação nazista na França e a posterior libertação do país, que desencadeou uma grande caça às bruxas – mulheres acusadas de colaborar com os alemães foram humilhadas em público. O filme mostra o quão longe ainda estamos de uma possível civilização. Somos movidos pela vingança e, assim, não chegaremos a lugar algum. Mais detalhes sobre esse filme no Blog do Mello

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Mana Manas

Eu conhecia este:

Aí encontrei este outro aqui, que supostamente seria a versão original:

Até o Bush entrou na roda (claro!):

Difícil escolher o mais legal… :)

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Permacultura para o povo!

O leitor Diogo pediu, eu pesquisei e achei o livro Introdução à Permacultura, de Bill Mollison (já esgotado) para download no blog Viver Sustentável. Infelizmente só encontrei na versão original, em inglês. Se alguém souber onde tem o livro traduzido, por favor avise!

De quebra, achei outro livro interessante sobre o tema: Os Fundamentos da Permacultura – Um resumo dos conceitos e princípios apresentados no livro “Princípios e Caminhos da Permacultura Além da Sustentabilidade“, de David Holmgren.

Ambos são arquivos PDF para download e agora fazem parte da Biblioteca do Escriba. Sirvam-se!

(Não sabe o que é permacultura? Então clique aqui.)

E por falar em agricultura sustentável, entre os dias 12 e 16 de maio vai rolar em Bonn, na Alemanha, o Congresso Mundial sobre o Futuro da Alimentação e Agricultura.

O encontro, que acontece em paralelo à próxima reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, marcada para a mesma cidade alemã, discutirá temas como soberania alimentar dos países; o direito de acesso à comida saudável, água e terra; direitos dos consumidores; qualidade e tradição alimentar e agrícola; produção de alimentos livre de transgênicos; biocombustíves X segurança alimentar; inovação agroecológica e orgânica; patentes de seres vivos e sementes estéreis, árvores geneticamente modificadas, biologia sintética e outras ameaças de novas tecnologias à diversidade biológica do planeta.

Mais detalhes sobre o Congresso podem ser obtidos na página Planet Diversity.

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Fora dos gabinetes, Fidel continua no front

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Fidel está nas manchetes dos sites de notícias de todo o mundo por ter anunciado que não mais governará Cuba. Engana-se porém quem pensa que o homem ficará alheio aos destinos de seu país e do mundo. Fidel não é de se aposentar. Mitos não se aposentam. Terá agora mais tempo do que nunca para suas reflexões, como esta abaixo, que pesquei no blog Sierra Maestra, do meu camarada Edu:

A sociedade de consumo é uma das mais tenebrosas invenções do capitalismo desenvolvido. Tento imaginar 1,3 bilhão de chineses com o nível de motores e automóveis dos EUA. Não posso imaginar a Índia, com 1 bilhão de habitantes, vivendo em uma sociedade de consumo. Essa ordem é incompatível com os recursos essenciais limitados e não-renováveis do planeta e com as leis que regem a natureza e a vida.

Aos 81 anos, Fidel é um dos pensadores mais lúcidos da atualidade, e tem se mostrado antenado às questões ambientais e aos desafios que elas nos impõem. Foi o primeiro chefe de Estado a abraçar a revolução energética defendida pelo Greenpeace – mesmo não citando diretamente o grupo ambientalista. E não ficou só na conversa não, pôs a mão na massa. Iniciou, por exemplo, um amplo programa de eficiência energética em Cuba, trocando eletrodomésticos antigos, que consumiam muita energia, por outros mais novos e econômicos. O país também está investindo pesado em energia renovável, como a eólica.

Agora, livre das obrigações burocráticas a que todo governante está sujeito, Fidel terá mais tempo para nos brindar com textos provocativos. Uma vez no front, difícil sair.

Confira aqui uma bela galeria de fotos preparada pela BBC.

Aqui, texto sobre as conquistas e derrotas de Fidel Castro em Cuba.

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