Fait diver

No último dia 19 eu completaria 8 anos de casado. Pra variar, esqueci a data, mas fui devidamente lembrado por minha ex. Só por curiosidade fui ao Google e descobri que iria completar bodas de papoula!! hehehehe, é mole ou quer mais?

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Transgênicos blindados

Atenção para esta notícia:

O Conselho de Estado da França reafirmou nesta quarta-feira (19) a moratória aos transgênicos no País. O mais alto corpo administrativo do país rejeitou queixa da Monsanto contra a decisão de banir do território francês sua variedade de milho transgênico MON 810. Até o ano passado, cerca de 22 mil hectares eram cultivados com a semente modificada no país. Como esta era a única variedade transgênica autorizada, com essa decisão a França se torna livre de transgênicos.

Mais, aqui.

A notícia é fresquinha, de hoje mesmo. Quer apostar que não será publicada amanhã em jornal brasileiro algum? Relevância o assunto tem de sobra para nós brasileiros, afinal de contas esse mesmo milho transgênico da Monsanto, o MON 810, foi liberado recentemente pela CTNBio para ser plantado aqui. Mas a blindagem da indústria de biotecnologia é forte nos meios de comunicação tupiniquins. E não faz muito tempo que a Monsanto promoveu um arrastão da imprensa brazuca para divulgar como ela conseguiu vencer os céticos ambientalistas com sua inovadora e benéfica tecnologia (sic), oferecendo vários altos executivos da empresa para dar entrevistas exclusivas.

A França está com a pulga atrás da orelha em relação ao milho da Monsanto por conta de muitas novas evidências científicas que colocam em xeque o produto. Suspeita-se que esse milho cause inúmeros problemas ao meio ambiente (contaminação genética, poluição do solo, desenvolvimento de pragas secundárias) e à saúde pública (alergias). O governo da Áustria já havia banido esse milho – e outros, também transgênicos – de seu país e produziu um detalhado relatório explicando os motivos (devidamente ignorado pela mídia brasileira, as usual…). Clique aqui para ler o relatório em PDF.

Enquanto lá fora o assunto é tratado com seriedade, tanto pelo governo como pela mídia, no Brasil o que temos é um vergonhoso silêncio. E pior: quando alguma matéria trata dos transgênicos, não raro aparece que não há evidências científicas de que faça mal ao meio ambiente ou à saúde, como aconteceu num post publicado ontem no Blog do Planeta sobre uma ação do Greenpeace.

No post, o editor Alexandre Mansur afirma:

Desde 2004 o Brasil tem uma lei que exige a rotulagem de todo produto alimentício fabricado com 1% ou mais de matéria-prima transgênica. A questão é o que fazer com essa informação. Esses alimentos são consumidos no mundo há mais de dez anos, inclusive em países desenvolvidos como os Estados Unidos e Canadá. Até hoje, não há evidências científicas de que eles façam mal à saúde.

Opa! Peralá! Como assim, cara-pálida?? O que mais se tem hoje são evidências científicas de que a tecnologia está longe de ser segura o suficiente para ser liberada no meio ambiente como vem sendo feito irresponsavelmente no Brasil, nos EUA, Canadá e Argentina – que são os quatro maiores celeiros de transgênicos do planeta, responsáveis por mais de 80% da produção mundial.

Deixei lá na área de comentários uma penca de links com estudos, relatórios e pesquisas apontando inúmeras evidências científicas de que os transgênicos não são seguros e, por isso, não deveriam sair dos laboratórios até que possam garantir essa segurança. Seguem abaixo alguns deles:

* Milho da Monsanto pode causar diabetes e mal de Alzheimer.

* Herbicida Roundup, da Monsanto (usado em plantações transgênicas) pode afetar reprodução e desenvolvimento fetal.

* Algodão transgênico plantado na Índia é suspeito de causar alergia de pele e problemas pulmonares

* Estudo da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) da ONU revela que os efeitos do fluxo transgênico pode causa grandes implicações negativas à saúde humana, ao meio ambiente, à biodiversidade e às finanças dos agricultores.

E por aí vai. Vc provavelmente nunca ouviu falar desses estudos, o que só prova o quão eficiente é a blindagem transgênica no Brasil. Mas não é perfeita. Quer uma dica? Use a internet, o Google e páginas como o GM Watch, Greenpeace, GeneWatch UK e a página do governo do estado do Paraná para se informar sobre transgênicos. Caso contrário, vc continuará às cegas. E o assunto é importante demais, é o futuro da sua comida que está em jogo, além de sua saúde e do meio ambiente. Tanto que será um dos temas principais da próxima Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU, que acontece em maio na Alemanha. A blindagem da indústria é boa, mas não resiste à era da informação.

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Adeus a Arthur C. Clarke (1917-2008)

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Acabei de ler no Blue Bus que Arthur C. Clarke morreu, aos 90 anos. O escritor se foi sem ter conseguido realizar 3 desejos: testemunhar a existência de vida extra-terrestre, ver a humanidade livre da dependência no petróleo e aderindo às fontes limpas de energia e ver o Sri Lanka, país onde viveu por mais de 50 anos, em paz.

Quando completou seu nonagésimo aniversário, em dezembro, o autor de 2001, Uma Odisséia no Espaço gravou um depoimento em vídeo e colocou no YouTube, com reflexões sobre literatura, civilização, guerra e paz. Eu publiquei aqui na época, mas não custa repetir:


(a transcrição do depoimento de Arthur C. Clarke pode ser lida aqui.)

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Reflexão não-violenta

(dica do meu camarada Edu, do Sierra Maestra. Se ficou pequeno pra ler, clique na imagem com o botão direito e, depois, em Ver a Imagem)

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Abba to Zappa

Alguém já fez a lista na área de comentários do YouTube, mas será que você consegue identificar todos os grupos listados no vídeo abaixo? Eu deixei escapar uns cinco.

(Melhor pausar a rádio pra curtir o vídeo)

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Baleia + vaca = cinismo

Os japoneses afirmam que caçam baleias na Antártica para promover estudos científicos sobre esses animais. A justificativa já foi desmascarada há tempos – o que eles querem mesmo é vender a carne de baleia no mercado interno, burlando assim a moratória à caça comercial de baleias que vigora atualmente.

Pra se ter uma idéia do ‘valor científico’ das pesquisas promovidas pelo Japão, saca só o que cientistas descobriram ao analisar alguns dos relatórios produzidos pelos pesquisadores japoneses nos últimos 18 anos. Eles tentaram produzir baleias de proveta e cruzar vacas com baleias minke!

“A pesquisa também envolve experimentos estranhos e bizarros com ovelhas e porcos. É totalmente esotética, realmente muito estranha”, afirmou Nick Gales, chefe da delegação científica da Austrália que participou da reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB) realizada no último fim de semana em Londres.

É muita cara-de-pau, né não?

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17 dicas de quem entende do assunto

Um dos editores do Boing Boingeleito um dos 50 blogs mais poderosos do mundo – deu 17 dicas de como tornar uma página na internet interessante, simpática e popular para blogueiros e internautas em geral. Fico feliz em saber que não só concordo com a lista integralmente como procuro colocá-la em prática. Dar e receber links, evitar páginas em flash e também PDFs e pop-ups, abrir o conteúdo (com licenças Creative Commons, por exemplo), por aí vai.

O Escriba não é um dos 50 blogs mais poderosos do mundo, mas quem vem aqui até que se informa e se diverte, né não? (reclamações, elogios e sugestões na área de comentários!)

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Traficante gay


(Não se esqueça de pausar a rádio antes de por o vídeo pra tocar)

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O direito à embriaguez

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O filósofo espanhol Javier Esteban, em entrevista ao jornal La Vanguardia, defendeu o direito de ficar embriagado, no sentido mais lato da palavra. Tá no Uol, para assinantes. Mas como quem tem amigos não morre pagão, me mandaram a íntegra dela, que eu reproduzo abaixo.

Filósofo defende o direito de ficar bêbado
“A embriaguez é um direito humano fundamental”, diz Javier Esteban

Víctor-M. Amela

Tenho 42 anos. Nasci e vivo em Madri. Licenciado em Filosofia e Direito, dirijo a revista universitária “Geração XXI”. Sou casado e tenho duas filhas, Alma (10) e Sol (8). Sou um excêntrico de centro. Sou sufi: caminho para onde caminha o amor. O poder combate a embriaguez.

A entrevista:

LV – O que é a embriaguez?
Esteban –
Uma expansão da consciência que descortina os véus que ocultam a realidade.

LV – Desde quando ela existe?
Esteban –
Desde sempre. Até os animais se drogam com substâncias naturais, com frutos fermentados… Formigas, cabras, pássaros, macacos… Todos se extasiam e brincam!

LV – Então nós somos como os animais?
Esteban –
Não, eles agem por um determinismo instintivo, mas nós temos liberdade! Liberdade para a embriaguez. Liberdade para experimentar com a nossa consciência.

LV – Liberdade para nos drogarmos?
Esteban –
É o uso dessa liberdade que nos torna humanos! O direito à embriaguez, portanto, é um direito humano fundamental.

“Que ninguém venha me dizer quantos copos de vinho eu posso beber”, disse Aznar. Ele tem razão. Mas com certeza a droga favorita dele é o poder, como a de Zapatero…

LV – Nem Zapatero nem Rajoy nunca fumaram nem um baseado, conforme declararam.

Esteban – Por uma questão de geração, custa-me crer que Zapatero nunca tenha experimentado um baseado. É como se o pai dele nunca tivesse provado um copo de vinho!

LV – Quem é que coíbe o direito humano à embriaguez, em sua opinião?

Esteban – A Igreja católica e o Estado (igreja laica), que querem fiscalizar a nossa consciência.

LV – Castigando os motoristas bêbados?
Esteban –
Não, eu não me oponho a sancionar as condutas que são perigosas para terceiros. Mas critico o fato de que estão boicotando o autocontrole que temos de nossa consciência.

LV – Desde quando isso acontece?
Esteban – Começou com a destruição do templo grego de Eleusis, no século 4 d.C.

LV – Agora você foi longe!
Esteban –
Desde o ano de 1.500 a.C., no contexto dos mistérios eleusinos, acontecia um ritual de embriaguez que cada grego vivia uma vez na vida, e isso lhes abria as portas da consciência.

LV – Em que consistiam esses mistérios?
Esteban –
Eram rituais que aconteciam à noite. Em comunhão coletiva, eles ingeriam um enteógeno.

LV – O que é um enteógeno?

Esteban – A palavra significa “deus existe dentro de mim”. É uma substância psicoativa capaz de induzir a uma experiência extática de unidade com o cosmos. Uma vivência da divindade.

LV – Que substância era ingerida em Eleusis?
Esteban –
Uma sopa de cereal chamada “kikeon”, que continha cornelho de centeio, um fungo com uma substância psicoativa idêntica ao LSD, o enteógeno mais poderoso conhecido.

LV – O que acontecia então?
Esteban –
Cada um vivia a sua própria experiência de consciência expandida. Símbolos eram mostrados e cenas eram representadas para guiar o indivíduo ao autoconhecimento.

LV – Era uma embriaguez ritualizada?
Esteban –
Sim, fazia parte do sistema, em benefício da livre consciência de cada indivíduo. Isso foi varrido, destruído. Hoje sentimos falta disso, e nossos jovens, ignorantes, acabam causando danos a si mesmos em suas irrefreáveis tentativas de embriaguez.

LV – Quem destruiu esse ritual?
Esteban –
Os bárbaros e os monges cristãos nestorianos, no século 4 d.C. A cultura ocidental ficou sem referência de embriaguez.

LV – Temos o vinho, o álcool…
Esteban –
Não são enteógenos, são muletas úteis para nossas vidas insatisfatórias, escravizadas pelo rendimento econômico. E, em vez de expandir a consciência, a deixam turva.

LV – Um pouco de álcool pode cair muito bem.
Esteban –
A verdade é que o veneno está na dose, como diziam os gregos.

LV – Que personagens ilustres sabiam disso?
Esteban –
Toda a obra de Platão é uma crônica de embriaguez! Aqueles filósofos, assim como os xamãs, chegavam ao êxtase, assim também como os druidas e depois as bruxas, ou até mesmo os místicos, ébrios sem substâncias, que tanto inquietaram a Igreja. O poder estabelecido sempre combateu essas pessoas!

LV – Por que motivo?
Esteban –
Não há nada mais dissolvente que o livre acesso à própria consciência! Por isso Nixon arremeteu contra os profetas do LSD (Hoffman, Junger, Michaux, Wason, Huxley, Kesey, Leary…), cujas experiências alimentaram o feminismo, a militância ecológica, o pacifismo, os direitos civis… Nixon declarou guerra à consciência: quando começou a guerra contra a droga, começou a grande catástrofe.

LV – Que catástrofe?
Esteban –
Milhões de presos, dezenas de milhares de mortos, narcoditaduras, a terceira maior fonte de renda do mercado negro no mundo, camponeses com fome, multiplicação de politoxicomanias… A proibição da droga foi o maior erro do século 20!

LV – Você propõe eliminar a proibição?

Esteban – Por acaso a proibição evitou que nossas crianças estejam se metendo com drogas aos 13 anos de idade? Não! Pelo contrário: a proibição presenteia as máfias com um poder imenso.

LV – Um político colombiano já me disse isso…
Esteban –
Muitos governantes já reconhecem o fracasso da praga proibicionista.

LV – Você faz a apologia das drogas?
Esteban –
Das drogas não, mas da embriaguez. Qualquer pessoa maior de idade deveria poder consumir qualquer substância (com o limite único da liberdade de terceiros). E, veja só, Silicon Valley nasceu da embriaguez de pessoas como Bill Gates. Este sim admite que fumou alguns baseados!

LV – O que você diria a Zapatero?
Esteban –
Que o direito à embriaguez é um direito inerente à liberdade de consciência, e que a lei deveria protegê-lo.

Tradução: Eloise De Vylder

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Respeito é bom e o consumidor gosta

E aí, blz? Depois de uma semana revigorante em Amsterdã, estou de volta ao batente, alive and kicking! Tive que chegar cedão no escritório pra monitorar uma ação do Greenpeace aqui em SP. Fechamos a sede da Vigor porque a empresa vem se recusando a informar se usa ou não matéria-prima transgênica em seus produtos. Apesar de termos uma lei de rotulagem valendo desde 2004, ninguém a respeita – no final do ano passado, as empresas Bunge e Cargill começaram a rotular algumas marcas de óleo de soja (Liza, Soya, Veleiro) apenas porque foram obrigadas por decisão judicial.

A ação na Vigor deu o pontapé inicial à Semana do Consumidor, que terá diversas atividades de voluntários do Greenpeace em 10 cidades do país – confira aqui a programação – para dar um alerta à população: as empresas têm que informar se usam ou não matéria-prima transgênica em seus produtos. Se usam, devem colocar no rótulo aquele triângulo amarelo, conforme exige a lei.

Eu sei que os rótulos hoje em dia mais parecem bula de remédio, tal a quantidade de informação que trazem, e que muita gente nem se dá ao trabalho de ler aquilo tudo. Mas as empresas não podem sonegar informação e o consumidor tem o direito de saber o que está comprando. Sempre.

Por essas e outras o Greenpeace criou o Guia do Consumidor, cuja nova versão já está no ar. Nele estão listadas as empresas que podem ou não usar matéria-prima transgênica em seus produtos. Ovomaltine e sucrilhos Kellog’s, nunca mais!

PS – Assim que eu tiver um tempinho de sobra compartilharei detalhes da semana que passei em Amsterdã. Muita coisa pra contar e pouco tempo pra escrever! Estou indo pro Rio amanhã e volto na quarta. Acho que na quinta rola na boa.

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