Mude vc também, Nestlé

Chegando ao Parque Villa-Lobos na manhã deste domingo, eu, Martim e Sofia fomos abordados por promotores da Nestlé que divulgavam uma marca de bebida à base de soja, o Sollys. Nos convidaram para experimentar o produto, com direito a barrinhas de cereais e aluguel gratuito (por meia hora) de bicicletas. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… acompanhando as guloseimas vinham os famigerados copos e sacos plásticos. Observei que no lixinho ao lado de uma das promotoras havia dezenas de copos já descartados. Os sacos teriam, com certeza, o mesmo destino – provavelmente já no parque. Custava evitar? Afinal, o plástico demora cerca de 400 anos para desaparecer completamente do meio ambiente. Quantos milhares de copos e sacos plásticos foram fabricados para tocar essa promoção? Qual o impacto dessa singela promoção no meio ambiente?

A empresa que nos diz, no lema do produto, que mudar faz bem. O mesmo digo eu para a Nestlé. Não adianta ser verde apenas nas palavras, tem que pôr em prática.

Em tempo: recusei as bebidas e, felizmente, nem Martim nem Sofia aceitaram os brindes (barrinhas e folhetos) no saco plástico. Mas deram uma voltinha nas bikes…

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Espanha de vento em popa

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Os ventos que sopram na península ibérica deram um gás na produção de energia na Espanha. As usinas eólicas geraram, no último fim de semana, mais de 40% de toda eletricidade do país – quase 10MW. A Espanha é líder mundial na produção de energia eólica e quer triplicar até 2020 a quantidade de energia que obtém de fontes renováveis.

A Espanha prova que investir em energia sustentável dá bom retorno – e mais cedo do que muitos apostam. Enquanto a União Européia prevê 20% de energia renovável apenas em 2020, os espanhóis conseguiram o dobro 12 anos antes! Não é pouca coisa não, mesmo considerando que o resultado foi obtido no meio do feriado de Páscoa, quando a demanda é menor.

E o Brasil querendo investir bilhões numa usina nuclear de 1.350MW… pff…

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Romênia diz ‘não’ a milho transgênico

A Romênia decidiu hoje que vai banir do país o plantio e a comercialização do milho transgênico MON 810, da Monsanto, por conta de inúmeras evidências científicas que apontam o produto como danoso à saúde humana e ao meio ambiente. É o oitavo país europeu a tomar essa decisão, seguindo os passos da França, Suíça, Áustria, Grécia, Itália, Hungria e Polônia.

Detalhe: esse milho MON 810 é o mesmo que foi aprovado recentemente no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizado pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que conta com a participação de 11 ministérios. No CNBS, a aprovação do MON 810 foi rejeitada pelos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário – ou seja, o tal milho será plantado e comercializado no Brasil, apesar do voto contrário dos órgãos governamentais que cuidam de nossa saúde, do meio ambiente e do desenvolvimento agrário. Os votos favoráveis vieram dos ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio, Relações Exteriores – todos intimamente ligados à defesa do saldo de nossa balança comercial, que tem como motor o agronegócio. Para esse pessoal, o lucro vem sempre à frente de detalhes como saúde e meio ambiente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no entanto, já mandou avisar: só dará o registro necessário para que produtos feitos com esse milho sejam comercializados no Brasil se a empresa responsável (Monsanto, no caso) conseguir comprovar sua segurança. Como a empresa nunca apresentou estudo algum desse tipo, o MON 810 não terá vida fácil por aqui. Ainda bem!

O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o fato da imprensa brasileira praticamente ignorar essas informações. Foi assim quando a França, maior país agrícola europeu, decidiu também congelar suas plantações de milho transgênico até que se comprove sua segurança. Foi assim também em relação ao livro e ao documentário francês recém lançado que revelam os podres da Monsanto. Silêncio constrangedor. Não deverá ser diferente em relação à decisão romena. Destaque eles só dão quando quem fala é a indústria. Triste, mas verdade. Desafio um jornalista que cobre o assunto vir aqui e mostrar que não é assim. A blindagem é forte. Mas ainda temos a internet. Lutemos, pois!

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Genocídio cultural no Tibete

Acabei de ler um bom artigo na versão online do Le Monde Diplomatique sobre o genocídio cultural que tá rolando no Tibete. Os chineses têm promovido o assassinato da cultura tibetana desde 1950, quando invadiram pra valer o país do Dalai Lama, e infelizmente não há sinais que de vão parar. Segue um trecho:

O Tibete deveria ter sido tombado por inteiro há décadas, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade. Seus mosteiros guardavam um imenso tesouro de fé, sabedoria e práticas religiosas que foi saqueado, dispersado e sistematicamente destruído pelos ocupantes maoístas durante décadas. O pouco que sobra hoje é minado pela modernização forçosa e sub-reptícia. Genocídio cultural quer dizer hoje as barulhentas comitivas de turistas chineses, vulgares e arrogantes, visitando como um lugar exótico o Palácio Potala, antigo mosteiro-mor e residência oficial do Dalai Lama e outros lugares sagrados do budismo tibetano. Quer dizer também hipermercados (chineses), bancos (chineses), eletrônica (chinesa), restaurantes e hotéis (para chineses) invadindo as cidades tibetanas. Quer dizer a ferrovia recém-inaugurada entre Pequim e Lhasa, na qual, além dos trens de carga, deverá viajar “o trem mais luxuoso do mundo”, segundo a propaganda, com “suítes cinco estrelas” para os turistas globais. Um detalhe: os vagões serão blindados, com vidros a prova de bala. Nunca se sabe…

Talvez só a Vaticano contenha um patrimônio cultural-religioso comparável aos tesouros guardados antigamente nas gigantescas lamaserias da Himalaia, onde milhares e milhares de monges produziam e conservavam obras-primas. A diferença é que o Tibete era ? e só em parte ainda é ? um país inteiro que vivia exclusivamente em função de seu sistema religioso, para sustentá-lo e eternizá-lo, sistema que proporcionava ao Tibete uma unidade fortíssima e identidade cultural milenária. Por isso mesmo, os chineses aplicaram-se, desde 1950, a destruir 70% dos mosteiros e matar metade dos monges tibetanos, obrigando finalmente o Dalai Lama ao exílio graças a uma fuga aventurosa, depois de muitas ameaças. Por isso, o Dalai Lama é a maior autoridade religiosa tibetana, e ao mesmo tempo seu único grande líder político.

O budismo, a cultura oriental e a cultura do mundo todo perderam no saque do Tibete. Mas a comunidade internacional não mexeu um dedo — assim como não nada fez na Armênia, em Biafra, Ruanda, e continua não fazendo no Darfur, etc. Vender Mercedes e Windows para os chineses é bem mais prioritário.

A íntegra do texto está aqui.

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Tibete pede socorro

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E vc pode ajudar assinando petição online que está rolando por aí – chegou pra mim hoje. Eles querem chegar a 1 milhão de assinaturas. A petição é endereçada ao presidente da China, Hu Jintao, e pede “cautela e respeito pelos direitos humanos” na resposta do país aos protestos no Tibete, além de defender negociações com o Dalai Lama para resolver a questão.

E os Jogos Olímpicos de Pequim estão chegando. Faltam seis meses. Eu particularmente defendo um boicote ao evento, mas a idéia parece que não vai vingar. Nem a Anistia Internacional é a favor! Vai entender… Dos países que participam dos Jogos, poucos são aqueles que querem ficar de mal com a China, grande parceiro comercial do momento. O dinheiro sempre fala mais alto. Por enquanto só a França admite pensar em boicote. A Inglaterra diz que não vai reprimir protestos quando a tocha olímpica passar por lá. Membros do grupo Repórteres Sem Fronteira (RSF) causaram rebuliço na Grécia (link com direito a vídeo da ação), durante a tradicional cerimônia em que a tocha olímpica é acesa. É deles a imagem que ilustra este post, show!

Enquanto isso os tibetanos tomam pancada. O pessoal de Mianmar também. Se nada acontecer para acabar com a opressão chinesa por lá, muita confusão vai rolar nos Jogos Olímpicos. É esperar pra ver.

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Documentários a la carte

Se vc é fã de filmes documentários sabe o quanto é difícil encontrá-los em locadoras. Nos últimos tempos isso até que melhorou, graças ao sucesso de títulos como Tiros em Columbine, Fahrenheit 9/11, Super Size Me, Edifício Master, entre outros, mas não muito. Pois uma boa alma se compadeceu da gente e montou um blog totalmente dedicado ao gênero, o Central Doc. Vc pode baixar por torrent ou encomendar um DVD com seus filmes preferidos – de preferência, os listados na página.

Esse cara vai pro céu, ô se vai…

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Larica em NY

O que aconteceu quando Bob Dylan encontrou os Beatles em Nova York em 1964? Foi mais ou menos assim…

(Fonte: Ovelha Elétrica)

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Observe o mar

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Nasci e fui criado no Rio, mas não aprendi a surfar. No máximo pegava jacaré (ou bodysurfing, surfe de corpo) nas pequeninas ondas de Copa e Ipanema. Mas me amarro na cultura surfista, o respeito que têm pelo mar, a devoção, o companheirismo. Frequentei Saquarema na década de 1980 com uma turma de surfistas e curtia ficar horas a fio na praia, hipnotizado pelas ondas, pelas gatas, pelo perfume ambiente, pelo som. Tinha alma de surfista – mas não a habilidade…

Se nós tivéssemos metade do respeito pelo mar que os surfistas têm, talvez não estaríamos numa situação de quase colapso dos oceanos e rios do planeta. Agora mesmo, neste sábado de Aleluia, milhares de pessoas estão no litoral do país desfrutando as maravilhas que o mar proporciona, sem se preocupar com o que produzem de lixo, com o tipo de material que consomem nas praias (copos descartáveis, embalagens plásticas e de isopor), com o desperdício de água potável, com o esgoto que suas casas de veraneio joga no mar ou nos rios locais. Elas querem o máximo do mar, e devolvem o mínimo de respeito.

Anteontem eu assisti pela terceira vez o documentário Riding Giants, que conta a história do surfe e, em especial, dos que se aventuram em descer ondas gigantes. Tem passado direto no Sportv 2, mas se quiser ver online, tá aqui. A trilha sonora é bem legal também, eu fiquei ligado em especial na música que fecha o filme, This is the Sea, do Waterboys (de um disco homônimo do grupo, um dos melhores deles).

Só lembrei que hoje era o Dia da Água quando visitei, há pouco, o blog da dona joaninha. E a música dos Waterboys me veio de sopetão. E depois, imagens do filme. Enfim, sincronicidade é isso aí…

Agora eu escuto um trem
Está vindo lá embaixo
É seu, se você se apressar
Você ainda tem tempo suficiente

E você não precisa de bilhete
E você não paga multa
Porque aquilo era o rio
E isto é o mar!

Observe o mar!

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Reflexões automotivas

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O Greenpeace Internacional lançou uma campanha para pressionar fabricantes de carros a produzirem veículos mais verdes e quer saber a sua opinião. E aí, o que é um carro verde para vc? No link vc também poderá escolher o pior carro do último Salão de Genebra, que rolou no início deste mês.

Estou há quase três meses sem carro e vou bem, obrigado. Tenho andado de casa para o trabalho (e vice-versa) todos os dias – já consigo fazer a distância em 25 minutos! Nessa brincadeira, já emagreci uns quatro quilos e estou com um fôlego e tanto. Carro, agora, só emprestado da ex para passear com os filhotes ou táxi. Não sinto falta mesmo.
Em breve vou reativar minha magrela para poder ampliar meu raio de ação pela cidade, até visitar amigos em bairros mais distantes. Mas andar a pé tem suas vantagens. A principal delas é poder observar melhor o entorno, os detalhes da cidade, que se perdem mesmo na (nem sempre) baixa velocidade de uma bicicleta. Já achei lugares interessantíssimos andando por aí, de lojas de antiguidades a restaurantes.

Quando morava no Rio de Janeiro, nunca tive um carro. Circulava de ônibus, táxi, a pé ou nos carros das namoradas. Em São Paulo, é um pouco mais complicado, mas dá pra se adaptar numa boa. Quando volto pra casa e passo por gigantescos engarrafamentos nas redondezas, vejo que estou fazendo a opção certa em não me aventurar numa prestação de 600 pilas pra entupir ainda mais as ruas. E torço por boas idéias como pedágio urbano, ampliação do rodízio e dos espaços para pedestres. O pessoal anda exagerando, tem quem pegue o carro pra ir na padaria da esquina.

Há quem deseje que o último motorista seja afogado com a última gota de petróleo. Não vou tão longe. Se dificultarmos ao máximo a circulação de carros particulares (aumentando taxas, pedágios, custo de estacionamento, etc), obrigando que eles sejam usados apenas em caso de necessidade, já tá de bom tamanho.

Já indiquei aqui outras vezes, mas não custa repetir: assista ao documentário Sociedade do Automóvel (neste link vc pode encomendar o DVD ou baixar o filme. Se quiser assisitir online, veja abaixo). Tenho certeza de que vc nunca mais vai olhar para um carro da mesma forma…

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O futuro é logo ali

O último texto de Arthur C. Clarke foi escrito em novembro de 2007 para o site da Forbes e se chama The View From 2.500 A.D. É um mini-conto sobre um possível atentado terrorista em Nova York com uma bomba de pulso eletromagnético e seus surpreendentes desdobramentos na civilização.

Vale conferir também um outro texto de Clarke para a Forbes, Join the Planetary Conversation, sobre o futuro das comunicações.

Esses textos fazem parte do relatório especial da Forbes sobre o futuro, onde vc encontra artigos interessantes como The History of the Future, bem como entrevistas com especialistas do naipe de David Brin (cientistas e escritor) e Nicholas Negroponte (um dos fundadores do Laboratório de Mídia do MIT).

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