“Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”
Quase 30 anos após sua morte, Simone de Beauvoir continua mais atual do que nunca. E ouso dizer, mais atual até do que Sartre. (pedras voando em 3, 2, 1….)
[Simone de Beauvoir, em retrato de Henri Cartier Bresson, 1945, Magnum, Paris]
Por Flávia Biroli e Luis Felipe Miguel.
A figura de Simone de Beauvoir (1908-1986) ocupa para o feminismo contemporâneo uma posição fundadora ainda mais central que a de Mary Wollstonecraft para seus primórdios. Ela se tornou uma espécie de lenda em vida, encarnação da mulher liberada dos constrangimentos da sociedade machista, capaz de fazer o próprio caminho. Sua relação com Jean-Paul Sartre aparecia como promessa de uma nova conjugalidade, mais livre, equilibrada e satisfatória, uma idealização que ignorava que a ruptura com algumas das premissas predominantes na organização das relações afetivas convivia, no relacionamento entre os dois, com a manutenção de assimetrias muito significativas e a aceitação, por parte dela, de uma posição bastante subordinada.1
Mas a influência de Beauvoir se deveu sobretudo à publicação de O segundo sexo, em 1949. Apesar da flagrante falta de unidade…
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