Adib Jatene disse poucas e boas para o Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em defesa da CPMF – o imposto mais justo que o Brasil tem hoje, insonegável (e por isso combatido por empresários e afins). O esporro foi dado num jantar beneficente em São Paulo, segundo nota publicada na coluna da Mônica Bérgamo, na Folha. Foi mais ou menos assim:
Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, “pai” da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda”.
Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: “Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!”. E Jatene: “Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais”. Skaf continua: “A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?”. E Jatene: “Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões”. Skaf diz: “A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF”. “É que a CPMF não dá para sonegar!”, diz Jatene.
Skaf circula. O deputado Adriano Diogo, do PT, levanta o dedo positivo para ele: “E aí, contente em detonar a saúde?”. Nova discussão. “Não adianta. São visões de mundo diferentes”, conforma-se o empresário. Em outra mesa, Tião Viana (PT-AC), presidente do Senado, diz que a votação da CPMF segue indefinida. “Está difícil para os dois lados.”
Skaf tá certo quando diz que são visões de mundo diferentes. A dele é a do ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’.
É meu amigo,
Confesso que não tinha pensado por esse lado. O Dr. Jatene pode ter mesmo razão…
Daí uma pergunta que não quer calar: por que será que o imposto sobre grandes fortunas, previsto na Constituição de 88, nunca foi (e nunca será) regulamentado?
Abs,
DV
Claro que existe muita sonegação no Brasil, porém esta sonegação nao justifica a manutençao permanente de um imposto que era para ser provisório , e que claramente teve a sua finalidade desviada.
As elites brasileiras tanto industriais quanto intelectuais são tão vaidosas que se esquecem do que é claro e básico:não será aumentando os impostos que haverá a tão esperada justiça social.
O Brasil precisa de uma reforma moral.
Guilherme, há um engano no seu comentário. As elites industrais são sim vaidosas, mas são contra a CPMF.
A CPMF é tão boa que nenhum cidadão brasileiro sabe ao certo quanto paga – justamente por ser um valor irrisório.
O Brasil não precisa de reforma moral alguma, não somos tão diferentes de outros povos. O problema é que aqui muitos da elite se comportam como descendentes diretos de Carlota Joaquina, aquela que tinha asco de viver no Brasil.
Acabou o haldol, foi?
Até entendo que indidualmente é um valor irrisório mas quando observamos no contexto geral ,escriba,é um dinheiro enorme que está com destino desviado(como muitos outros).
No que se refere a reforma moral,digamos que nossos dirigentes necessitam de ser menos egoístas.
A propósito ,conheci hoje o seu blog e quero te dizer que foi a melhor coisa que vi na internet até hoje.
Valeu, Guilherme!
Mas ainda assim, acho que em vez de eliminar a CPMF como querem os tubarões, melhor seria reforma-la e torna-la fixa, eliminando outros impostos que só provocam confusao.
Enfim, quando CNI, Fiesp, DEMos e afins se juntam contra uma coisa, é porque essa ‘coisa’ é do bem…
abraços.
CPMF é mais um imposto que o governo desvia. Não sou contra a cpmf até porque é um excelente meio de ratrear operações financeiras, mas que o jatene bebeu muito nesse jantar, ah, bebeu sim. Carga tributária no Brasil BAIXA? tá de brincadeira, doutor…
kingston » Constatações necessárias sobre o óbvio
[…] fui parar n’O Escriba, que eu não conhecia. De cara, dois comentários importantíssimos: um sobre a CPMF, outro sobre o lobby das indústrias de […]