
A declaração do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, de que ações da polícia em morros da zona sul carioca, como Dona Marta (em Botafogo) ou o Pavão-Pavãozinho (Copacabana-Ipanema) têm que ser diferentes ds realizadas nas favelas da Coréia ou Alemão (em bairros afastados), revela bem a hipocrisia de nossa sociedade em relação à questão da violência. Colé? Madame de Copa ou dos Jardins não güenta o tranco? A garotada do Santo Inácio ou do Santa Cruz não curte um Counter-Strike? Vai curtir a valer então ver o Bope ou a Rota em ação in loco, ao vivo e a cores, esculachando geral – de repente até mesmo um colega de turma. Por que não umas ‘operações de inteligência’ dessas nos bairros em que elas têm tantos defensores? If you want blood, you’ve got it…
Beltrame deixou escapar o que todo mundo sabe, mas não admite – pelo menos assim em público: em bairro pobre ou favela que fica distante dos oásis urbanos, tudo bem a polícia entrar atirando em meio a crianças e donas-de-casa, porque é ‘terra de bandido’. Agora, na zona sul carioca ou nos jardins paulistano não pode. A imprensa grita, políticos pedem cabeças, personalidades do mundo artístico marcham pela paz. E a roda da confusão continua girando.
Eu quero ver quando zumbi chegar à porta da classe mérdia que tanto pede sangue na seção de cartas do leitor dos jornais, nas áreas de comentários dos sites, nas salas de cinema que exibem Tropa de Elite, nos bares da moda, nos almoços de fim de semana. Eu quero ver o que vai acontecer.
Eu também quero ver!
E digo isso depois de ser acusado de “reativo” várias vezes. Engraçado como neguinho (quer dizer, branquinho) faz questão de colocar (ou achar que coloca) a gente em xeque. O problema é que para argumentar é preciso ir até o universo deles e, lá, a perspectiva é muito única, muito viciada (sem trocadilhos).
Acho que eles/elas precisam disso para relaxar e continuar acreditando que o que querem é Justiça. E não uma falsidadezinha de bosta que irrita até o mais comedido dos punks. Mas estou aprendendo a não me importar com o que pregam os escrotos, estou aprendendo a ser menos reativo, como eles dizem, e a seguir naquilo em que acredito. Melhor assim.
Você falou em Zumbi e eu fiquei lembrando da capoeiragem, de tudo que permeia os movimentos de luta por liberdade de verdade. Às vezes, a gente chega a duvidar que esta vitória seja possível. Às vezes.
A onda é lembrar que a vida é o/um “processo”, e que não se entregar é o que faz diferença. Tamos aí na luta. E vamos nos divertindo no caminho. Para desespero dos otários.
Que a força esteja com a gente.
é, meu camarada, tamos aí na luta. É realmente um processo e nós somos gotas no oceano. Mas de gota em gota, podemos provocar maremotos!
Tem um poster lá no Greenpeace com uma frase muito boa de um antigo ativista do grupo, o canadense David McTaggart, que em 1972 pilotou um barco para impedir testes nucleares da França no Pacífico.
A frase diz mais ou menos assim: “Quando se trata de fazer nossos filhos chegarem ao século 21, que se fodam as regras!”
A regra hoje é da vingança, olho por olho, violência como ponto de partida, individualismo extremo. Está demodê ser pacifista, veggie, anti-consumo, etc. Que se fodam as regras!
E vamu q vamu!
abração!
É a volta do pau de aroeira no lombo de quem mandou dar.
A elite branquela escravizou, assassinou, censurou, torturou, renegou milhões e milhões de brasileiros à miséria, e agora vem falar de violência? Mais dos que as que vem sendo cometidas há séculos? Pois é, meu cumpadi, aí está a fatura.
Enquanto isso, mais presídio. Mais Bope. Mais “Rota na rua”. Mais chacinas. Mais violência.