Demorei pra aprovar uns comentários porque passei o fim de semana em Cananéia, litoral sul de São Paulo, entrevistando pescadores, quilombolas e comunidades extrativistas. Estamos – eu, Leandra e Baleia, a turminha ‘pelágica’ do Greenpeace – fazendo um diagnóstico da questão marinha brasileira e o material levantado deverá subsidiar a criação de uma futura campanha de oceanos. Uma pena não termos tido mais tempo para continuar a mini-expedição, que apesar dos percalços (mosquitos, atividades logo cedo, looongas caminhadas), foi bastante esclarecedora. E divertida – afinal, depois de um longo dia de trabalho, é certo que a mesinha do boteco, a cerveja gelada e uma porçãozinha de camarão estarão ali, firme e fortes, esperando.
Chegamos na sexta a tarde e desde então circulamos bastante para levantar o máximo de informação possível para traçar um painel do que acontece na região em termos de exploração dos recursos marinhos. Fomos à Ilha Comprida, à Reserva Extrativista do Mandira e, hoje, passamos o fim da tarde na Ilha do Cardoso, onde conversamos com o Serginho, caiçara nascido e criado na pesca de cerco e de arrasto também, para capturar camarão, tainha e paratis. Estou impressionado como o bom nível de vida das comunidades pesqueiras daqui (escrevo de uma lan-house de Cananéia) e da maneira como lidam com a natureza. No mar ou na terra, parece haver uma consciência ancestral regulando as atividades. Uma harmonia de fazer inveja. Mas há perigos rondando a região, apesar dela estar coalhada de parques, reservas e áreas de proteção ambiental. Coisa pesada, em várias frente. E o pior: a maior parte do pessoal daqui parece que ainda não se deu conta… Falo mais sobre isso depois.
No caminho de barco até a ilha, botos cinzas brincaram a metros da gente, já perto da praia. Infelizmente meu celular já tava mortinho da silva e não consegui registrar. Mas tenho algumas boas imagens da brincadeira toda. Voltamos amanhã e, à noite, conto melhor como foi nossa mini-expedição. Com direito a fotos. Agora vou ali comer camarãozinho porque ninguém é de ferro. Inté!
Querido amigo urbanóide…
Realmente nossa primeira mini-expedição teve um saldo super positivo. Concordo contigo em suas conclusões sobre a cidade… e digo mais, a comunidade precisa de ajuda para perceber que os problemas estão perto, e uma consequencia disso, pode ser o início de uma ambição entre os moradores, que hoje parecem viver em uma única família. Continuamos na lita para preservar o ambiente, mas mais que isso, a integridade de comunidades caiçaras e quilombolas.
Agora, longas caminhadassss… tá brincando, né? Você precisa andar mais com o pé na areia…
beijos querido e obrigada pela cia…
lelê (pelágica)