
Quando ainda estava na garagem de casa, pra pegar o carro e ir à pré-estréia do filme Cidade dos Homens lá no shopping Frei Caneca, na terça-feira, era pura ansiedade. Disse à minha mulher: “Temo que o Paulão tenha feito um pastiche de Cidade de Deus ou, pior, do seriado com Laranjinha e Acerola que passou na Globo…” (afinal, foi esse seriado que deu origem ao filme). Fui com essa incômoda expectativa até o cinema e ela só aumentou depois que vi a logo da Globo Filmes na abertura. “Aff, lá vem o novelão…” Já na abertura percebi que estava enganado.
E muito enganado. Por diversas razões. O filme de Paulo Morelli tem a violência e tensão de Cidade de Deus, mas ambas são tratadas com delicado esmero – quase não se vê sangue na tela – e sensibilidade próprias, nem melhor nem pior do estilo de Fernando Meirelles, apenas diferente; vc não precisa ter visto nenhum episódio do seriado para entender a relação dos dois moleques, vividos pelos ótimos atores Darlan Cunha e Douglas Silva (é o meu caso, não vi o que passou na TV); e o que vc vê na tela é cinema de mais alta qualidade, não telenovela disfarçada, como muitos por aí fazem na maior cara dura.
O Paulo conseguiu finalmente se soltar na direção e o resultado é primoroso. Após a projeção disse a ele que Cidade dos Homens não representa uma evolução do seu trabalho, que até aqui se resumia aos fracos O Preço da Paz e Viva Voz. É mais do que isso, é uma ruptura. No Preço da Paz ele estava amarrado, já que o filme fora encomendado. Em Viva Voz, fez tudo (roteiro, direção, produção) e resultou num laboratório pastiche de Snatch. Agora é diferente. Paulo mesmo me disse que mudou completamente sua cabeça a primeira vez que entrou no morro, o Vidigal – realmente um dos mais bizarros do Rio de Janeiro, pelo convívio forçado entre diferentes classes sociais. Isso o fez amadurecer muito, o que está perfeitamente refletido no filme, todo dedicado à relação de Darlan e Douglas com a idéia paterna – um procura o pai que não conheceu, o outro procura o pai em si.
Gostei particularmente da atuação do ator Rodrigo dos Santos, que vive Heraldo, pai de Darlan que vive metido em enrascadas. É o anti-pai-herói. Gente como qualquer outra, sem maniqueísmo barato. Destaque também para a trilha sonora de Antônio Pinto, que deixou um pouco a eletrônica de lado e mergulhou fundo no estilo Ry Cooder, resultando num pano de fundo tranqüilo e delicado que faz um contraponto interessante com a tensão que transborda na história.
Abaixo, o trailer do filme, que desde já recomendo a todos (principalmente a quem é pai):
Interessante é que você não comentou nada sobre o relatório da ANAC, que alertava o Estado para o perigo de acontecer um acidente como o da TAM, pela pista não ter área de escape.
Imparcialidade, pelo menos.
[ ]’s
E aí meu caro Jorge…
Querendo agradar o cunhadinho com esses elogios ao Cidade dos Homens…
Brincadeirinha…
Eu assisti, mas não tenho o mesmo entusiasmo que você pelo filme. Terça-feira publico a minha crítica…
O que fazes? Eu nada… Se souber de algo me diga… (não tem nenhuma fita para decupar ou algo do tipo)
Vamos tomar uma creveja qualquer dia desses…
abraços,
Jairo Lavia
Pois hazz, nao comentei mesmo. Estou na luta, em Cananeia (SP), fazendo umas entrevistas para a campanha de oceanos do greenpeace, conversando com pescadores locais, comunidades ribeirinhas, quilombolas, pessoas que estão longe das páginas dos jornalões, porque a estes, só interessa falar dessa galera quando é pra descer a lenha pra abrir caminho a industria, quase sempre predatoria. E até Lula tem culpa nisso tambem… mas enfim, no caso da Anac, havia o perigo sim de acontecer um acidente em Congonhas, mas nao COMO O DA TAM, porque nem houvesse uma area de escape do tamanho da pista, e toda de piche, seguraria aquele aviao que explodiu. Leia o relatorio e depois volte pra gente conversar….
E Jairo, pois é, fiquei meio assim de dizer que o Paulão é meu cunhado, mas vou encaixar a informacao em algum lugar no texto senao vem um engracadinho e comeca a fazer ilacoes despropositadas…
Mas falando serio, curti mesmo o filme. Gostaria de ler sua critica, manda pra mim – em link mesmo! Afinal, saiu onde?
abração!
(e pô, ligae pra gente marcar algo sim, podemos até chamar o mala do Pedrão!!