
Os cabeça-de-milico estão cabisbaixos. Meses de trabalho de lobby pró-Angra 3 foram picotados com a última operação da PF, a Navalha. Um dos principais defensores da usina nuclear, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, ficou todo encalacrado e deve pedir o boné ainda esta semana. Sua saída deve atrasar um bocado o rolo-compressor que quer empurrar goela abaixo do governo um empreendimento caro, ineficaz e sem sentido num país como o Brasil, rico em fontes renováveis de energia.
Como bem lembrou José Goldemberg, secretário de Meio Ambiente de SP, em artigo publicado ontem no Estadão, é falsa a premissa de que precisamos de Angra 3 para evitar um apagão elétrico – a usina que oferece tão somente 1.350 mW de energia só deve ficar pronta em 6 anos, no mínimo. Até lá, poderíamos ter muito mais megawatts com programas de economia de energia, incentivo à produção de eletrodomésticos mais eficientes e construção de pequenas centrais hidrelétricas já licenciadas – e paradas por falta de dinheiro. Enquanto isso, querem gastar bilhões de dólares na retomada do projeto nuclear, que já se provou economicamente inviável. Segundo o relatório Aspectos Econômicos da Energia Nuclear, feito por encomenda do Greenpeace, a construção de uma usina nuclear pode ultrapassar em 300% seu orçamento inicial e, em média, leva quatro anos a mais do que o planejado para ser construída.
Mesmo países ultra-dependentes de energia nuclear, como Japão, Alemanha e França, já estudam alternativas mais baratas e eficientes. Boa parte de suas atuais usinas atômicas estão em fase final de operação e construir novas está fora de cogitação. Por que não podemos antecipar esse passo aqui no Brasil? Quem ganha com Angra 3? Certamente, não é o país…
Fala Jorge…
Bem, eu tenho uma tese de que essas operaçoes fantásticas tem um fundo de entretenimento proposital.
Dá uma olhada lá no meu blog e comenta o que vc acha.
Dá uma força.
Abs,
Thiago.
Acho que a PF tá fazendo o que tem que ser feito. Precisamos mesmo de uma Operação Maos-Limpas. Vamos ver até onde chegamos…
abração!
Como disse José Simão (que raramente é o autor de suas frases): “silascou e rodeau”.
Oi Escriba!
Descobri seu blog hoje e achei muito bom, já está nos favoritos.
Entretanto, nessa questão da energia nuclear não estou de acordo com você.
Há muita paranóia em torno desse assunto. Hidrelétricas causam um impacto ambiental grave ao inundar centenas de km para a formação do lago, acabando com a biodiversidade do local e desalojando moradores da região. Está longe de ser energia limpa.
As usinas nucleares não têm estes inconvenientes.
Quanto ao lixo radioativo, as UN mais modernas geram apenas 600 gr de resíduos, e mesmo estes podem ser reaproveitados. Mesmo que não o sejam, não oferecem riscos ao meio ambiente, desde que bem acondicionados.
Outra coisa: as UN não são caras. O que é caro é o desenvolvimento da tecnologia, pois os poucos países que a dominam não a vendem por dinheiro nenhum. Aliás, aí é que me parece estar o “x” da questão. Os países que dominam esta tecnologia não têm o menor interesse disseminá-la. Quem constrói uma UN também pode construir uma bomba atômica e ninguém é besta de se meter com uma nação que detenha ese poder (qual outro motivo para os EUA não invadirem a Coréia do Norte?).
Falae, Sydnei, blz?
Cara, os dados que eu tenho mostram que as usinas nucleares são as mais caras de todas as formas de se gerar energia. Dá uma conferida neste relatório – http://www.greenpeace.org/the-economics-of-nuclear
Vamos tomar o exemplo de Angra 3. Pra que gastar R$ 7 bi (pra começo de conversa, em se tratando de Brasil, bota mais uns dois ou três aí nessa conta) pra gerar 1.350 mw se podemos gastar bem menos em outras fontes de energia – solar, eólica, biomassa, marés, pequenas centrais hidrelétricas e programas de eficiência energética? Não faz sentido, cara!
As usinas são tão caras que nenhuma é construída sem subsídio de governo. E nos EUA e na Europa, não há projetos de novas usinas, justamente pelo alto preço.
Ainda acho que a saída é apostar na tal revolução energética e em redução de consumo – não dá pra continuarmos gastando energia como EUA e países europeus fazem, o planeta não suporta…
abração e apareça mais vezes!