Dissimulados

Um problema pontual, a crise aérea, que afeta a vida da minoria da população, ganha mais destaque nas páginas dos jornais do que as muitas histórias que poderíam ser contadas sobre o aumento de consumo das famílias brasileiras verificado pelo IBGE nos últimos três anos – é sustentável? estão adquirindo bens duráveis ou supérfluos? como se comportam esses neo-consumidores na hora da compra? qual o impacto desse consumo no meio ambiente?

A imprensa prefere alimentar picuínhas a discutir o país. Não à toa se torna cada vez menos relevante.

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17 Responses to Dissimulados

  1. Avatar de Fábio José de Mello Fábio José de Mello disse:

    Eles sabem o que fazem, Jorge. Eles têm objetivo claro: derrubar o presidente Lula e colocar no poder o grupo deles, que defenderá os interesses dos (tu)barões da mídia e seus financiadores.
    Eu ouvi pela Jovem Pan, na sexta-feria, o desenrolar da crise. O locutor – José Nello? – afirmava constantemente, de forma irritada e agressiva, que naquele dia ocorria o “maior apagão da história”. Não apagão “aéreo” – o que já é uma expressão cunhada pelos golpistas da mídia salafrária. Faltou pouco para exigir a derrubada de Lula. Bem, pode ser que isso tenha acontecido. Não acompanhei até o final; aquela nojeira era demais para mim e fui ter com as publicações internacionais.

    Apostam na repetição da História e sonham com 64. Só não sabem que se mexerem com o presidente Lula, haverá forte reação popular. Vai começar pelo Norte e Nordeste e vai se espalhar pelos movimentos populares e pelo ABC – sem falar na reação internacional, principalmente a que virá dos países da América do Sul. Se isso acontecer, então o imprensalão vai conhecer a força daqueles que não têm voz nos jornais.

    Essa patifaria proporcionada diariamente pelos (tu)barões da mídia, esse farisaísmo explícito, esse golpismo descarado, podem proporcionar um banho de sangue sem precedentes. Quando isso acontecer, meu caro, muita vaca sagrada do jornalismo terá as mãos sujas de sangue. Estes não serão perdoados.

  2. Avatar de Léo Bueno Léo Bueno disse:

    Fábio, o nome do sujeito é Nelo Rodolfo e ele já proferiu, sim, a seguinte frase: “se esse país fosse sério, o presidente Lula já tinha caído.” Não é frase exclusiva do locutor: Daniel Piza, no Estadão, escreveu a mesma coisa.

    A desestabilização à la Allende a que Lula possa ser submetido, e um conseqüente golpe, enfrenta duas dificuldades: 1) a classe média já não consegue mais manipular as classes desfavorecidas, como provaram as eleições. É uma situação diferente da de 64 (no Brasil) e da de 73 (no Chile); 2) o fundamental apoio norte-americano não existe. Bush e Lula estão se dando bem (infelizmente); Susa Schwab exibe seu sorriso ao lado de Celso Amorim todos os dias; e as empresas norte-americanas passeiam à vontade pelo Brasil.

    Mas que houve motim, houve.

  3. Daniel Piza, aquele que enforcou Jesus e hoje caga-regra sobre tudo e todos? Esse tem a credibilidade de uma nota de 3 reais…

  4. Avatar de Léo Bueno Léo Bueno disse:

    Ele mesmo, que por duas vezes chamou José Dias, de ‘Dom Casmurro’, de João Dias num livro que vendeu para o Brasil inteiro.

  5. Outro dia escutei ele na CBN comentando o jogo do Corinthians – ou Santos, sei lá. Marrento toda vida, o protótipo do jornalista moderno. Tadinho….

  6. Avatar de Fábio José de Mello Fábio José de Mello disse:

    Olha, eu estou pegando tamanho nojo da imprensa conservadora que vocês não fazem idéia. E fico puto porque acreditei um dia na velha guarda; achava que eles, por estarem na luta pela redemocratização do país, estavam do lado do povo. Me apaixonei por uma garota muito bonita e que se mostrava gente fina, mas que em determinado momento se mostrou volúvel. Uma puta. Uma biscate. Uma desqualificada.
    É assim a imprensa brasileira. Há algum tempo eu a defenderia com unhas e dentes. Hoje, não mais.

  7. Avatar de ernesto ernesto disse:

    tá na hora de a gente se tocar: a mídia está nos blogs! e esse aqui é um bom exemplo.

    só na rede a gente consegue informação mais completa sobre qualquer assunto. veja os británicos detidos no irã: faciam parte duma operação amerikana pra pegar uns altos funcionários do governo iraniano no kurdistão.
    não concordo com o julgamento militar dos controladores. todo cidadão, inclusive aquele fardado, tem o direito de se recusar a realizar ação que coloque em perigo a vida de terceiros. colocar esses cidadãos controladores aéreos como bodes expiatórios só contribui a ocultar os verdadeiros responsáveis pela situação do setor aéreo. esses parece que são fardados mesmo. será que tem idoneidade para julgar os controladores?

    e-e_x

  8. Avatar de Izabela Izabela disse:

    A cobertura que pretende ser revolucionária tem que tomar cuidado pra não cair nas mesmas armadilhas que o jornalista tradicional acaba caindo. E isso acontece com frequência. Não falo dos tubarões, mas dos peixes pequenos. O “sujeito jornalista” acredita que detém os sentidos da palavra e que pode/deve ser objetivo. Nessa objetividade e na falta de uma apreensão da realidade que considere a história e o espaço geográfico ele perde sua função social e globaliza o discurso, num mundo de profundas diferenças…

  9. Avatar de escriba escriba disse:

    Pode dar exemplo, Izabela?

  10. Avatar de Izabela Izabela disse:

    Claro que posso. Não há nada mais clichê e universalizado no momento que o discurso sobre o aquecimento global na mídia e o discurso sobre desenvolvimento sustentável. As variáveis de sustentabilidade, por exemplo, são enormes. Mas na imprensa tradicional e até nos jornais especializados a questão prática e geográfica da sustentabilidade não é abordada, salvo raras publicações. E então… o que acontece? O discurso acaba virando um discurso voltado para atores hegemônicos.

  11. Avatar de escriba escriba disse:

    Concordo plenamente, Izabela. Mas a mídia nunca deu muita trela pra esses temas e o faz agora porque ficou muito na cara o seu descaso. Note que, pelo menos no Brasil, nenhum veiculo tem uma editoria específica para o meio ambiente. Já economia, agronegócio e afins…

  12. Avatar de Izabela Izabela disse:

    É certo que, desde a década de 90 (Eco 92), o meio ambiente, mesmo que superficialmente, ganhou um espaço que não tinha na mídia tradicional e chegou em doses homeopáticas ao cotidiano de pessoas comuns. Mas de lá até os dias de hoje os avanços foram insignificantes. Essa é minha preocupação. Acho importantíssimo que ativistas, especialistas, jornalistas… não se percam nas armadilhas da ideologia do desenvolvimento sustentável. Precisamos fugir dos globalitarismos e combater o despotismo. Precisamos focar na ação local, mesmo que façamos alusão a outros espaços e histórias. Precisamos buscar quem está por trás dos discursos e quem se beneficia com os mesmos para em seguida trazer uma realidade menos fragmentada às pessoas menos iluminadas.

  13. Avatar de escriba escriba disse:

    É só ver como os arautos da energia nuclear aproveitam agora o tema do aquecimento global para vender a idéia de que usinas atômicas são renováveis e sustentáveis!! Ou empresas que posam de ambientalmente corretas, mas na prática contribuem e muito para colocar o meio ambiente em risco, como no caso da indústria de biotecnologia…
    E quantos diretores de empresas deixaram de andar em enormes carros SUV 4×4, poluidores ao extremo? pois é…

  14. Avatar de Izabela Izabela disse:

    É duro…

  15. Avatar de escriba escriba disse:

    vc trabalha com que , Izabela?

  16. Avatar de Izabela Izabela disse:

    Caro coleguinha, sou estudante de jornalismo. Estou terminando o curso, muito desapontada por sinal. Já pensava em cursar outra faculdade quando redescobri a natureza, com Marcos Sá Correa e Whashington Novaes. Desde então estou tentando me aprofundar no tema através da pesquisa. E através de pequenas discussões tento capturar novos pontos de vista, pontos de vista semelhantes e tb busco defender o olhar que desenvolvi a partir dos meus, ainda simplórios, estudos.

  17. Avatar de Izabela Izabela disse:

    Mas trabalhar pros tubarões… tsc, tsc. Preciso descobrir logo o caminho para um jornalismo sitêmico, sem morrer de fome, hehe. Aliás, sites e blogs têm sido uma fonte de inspiração.

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