Carnaval? Onde?

Este ano eu consegui: fiquei completamente alheio às festividades do rei Momo. Tirando uma ou outra xeretada na TV, onde vi parte do desfile constrangedor da Porto da Pedra, no Rio, e matéria sobre a violência nas ruas de Salvador durante a passagem dos blocos, passei quatro dias (de domingo a quarta) de bobeira total, na pacata cidade de Holambra, no interior de SP. Tranqüilidade regada a caminhadas no parquinho com as crianças, sorvete de milho verde, mergulhos na piscina e sorrisos de Sofia e Martim – que se fantasiaram respectivamente de Sininho e Homem-Aranha para o baile infantil da cidade.

Li mais umas duas histórias da compilação de contos fantásticos feita por Ítalo Calvino, revi Perfume de Mulher, com Al Pacino, e folheei antigas revistas semanais.

O grande acontecimento do feriadão foi o ataque de um cachorro a um dos gansos do lago do parque vizinho. Apesar da forte dentada que levou no pescoço, o bicho parece ter sobrevivido – com algumas penas a menos. Martim ficou impressionado e até hoje fala sobre o assunto. “Saiu sangue pela boca (do ganso), pai. Eu vi!”, explica ele, para em seguida fechar os olhinhos e deixar cair a cabeça nos ombros. “Mas não se preocupe, papai, ele já foi pro hospital e está bem.”

Sofia está uma exímia nadadora e destemida que só ela, se atira à piscina mesmo na parte funda – de bóia nos braços, claro. Minha peixinha. Bate as perninhas com desenvoltura e até se mete a apostar corrida com o irmão, que já já deixa de usar a tal proteção flutuante. Bom saber que já se viram bem na água desde pequenos, uma preocupação a menos.

Bom, de volta à vida real nesta quinta-feira com cara de segundona. De cinzas. É uma leseira geral. Nada que uma bicicletada até o trampo não espante. Espero.

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11 Responses to Carnaval? Onde?

  1. Avatar de Lacerad Lacerad disse:

    Sorvete de milho verde é o que liga, hehe

  2. Avatar de Jesuan Jesuan disse:

    Cara, também quase não vi carnaval este ano -tirando alguns blocos pra criança, né??? Mas o melhor programa foi levar o Rafa ao Maraca pela primeira vez; o garoto adorou!!!! Dá uma olhada nas fotos que coloquei no orkut… Grande abraço

  3. sorvete de milho verde é o que há, Lacerad!
    E Jesuan, imagino a emoção do Rafa! Aqui em casa, quem curte mais jogar bola é a Sofia. O Martim é mais de corrida e natação. Vou conferir as fotos!
    abração!

  4. Avatar de Léo Bueno Léo Bueno disse:

    Porra, cê tá zuando!
    Pois eu também passei o carnaval de papo para o ar, dando apenas uma olhada nos desfiles pela TV, ficando na piscina a maior parte do tempo, supervisionando o Murilo com boinha nos braços.
    E sabe onde?
    Em Holambra!!!
    E eu nunca tinha ido lá. Estávamos numa chácara cuja entrada fica a mais ou menos uns quinhentos metros do portal, na penúltima rotatória. E de vez em quando íamos para a cidade comprar picanha no Bonetto, comer doce holandês na confeitaria, ver as capivaras do lado do lago – uma das quais eu quase atropelei anteontem à noite, quando estava indo embora.

    Deve ser a tal sincronicidade junguiana de que falam.

  5. no creo!! Estava em Holambra? sério? como não nos encontramos naquela megalópole? A casa dos meus sogros fica pertinho desse lago, na primeira esquina do lado direito (olhando para o lago). Vida tranquila aquela, heim?
    Se der tudo certo, quero envelhecer por lá…

  6. Avatar de Léo Bueno Léo Bueno disse:

    Bem legal, não conhecia a cidade. Aliás, nós demos umas voltas justamente para apreciar as casas daquela região central, todas muito bonitas, com gramados que certamente a Prefeitura multa se o dono não cortar.

    Eu também fico sonhando em viver escrevendo num lugar destes, viajar só umas três ou quatro vezes por mês para São Paulo, para ir ao cinema ou visitar os amigos. Nem precisa ser depois da aposentadoria.
    O último lugar que tinha me dado essa vontade foi Analândia. Agora, Holambra.

  7. Com uma boa conexão de internet, tv a cabo (e um aparelho de plasma 42″) e frilas, dá até pra pensar. O problema, no meu caso, é que sou muito urbanóide, gosto do tumulto, do asfalto, do buchicho da esquina, essas coisas.

    Mas vamos ver em, digamos, 30 anos…

  8. Avatar de Fábio José de Mello Fábio José de Mello disse:

    Os dois estavam pertinho da minha casa em nem para fazer uma visita!
    A vida no Interior é isso. Aos 43 anos, não me arrependo nem um pouco de ter me mudado para cá. São Paulo é logo ali. Como diz um amigo meu, ir à Capital é ótimo para “vampirizar” a cidade. Passar um final de semana, desses de feriado prolongado, curtir as coisas boas, e depois voltar para o sossego.

    Eu só folguei na segunda e terça. Não vi nenhum desfile e fiquei em paz com a mother nature. Só curtindo “Em nome do pai, do filho, do Elpídio dos Santos”, com o grupo Paranga. Marchinhas das antigas, leves. No slsk mais próximo. Ao ataque, bucaneiros!

  9. Avatar de Fábio José de Mello Fábio José de Mello disse:

    Só mais uma coisa: percebo que o nível de ensino aqui é muito bom. Os alunos saem do grupo escolar e muitos conseguem entrar em universidades de ponta. São Carlos é a cidade com maior números universidades públicas e de PHDs por metro quadrado. Tenho três amigos formados em Física pela Ufscar que estudaram em escolas públicas. Aqui tem essa vantagem.

  10. Tu tá com o boi na sombra, Fábio…

  11. Avatar de Fábio José de Mello Fábio José de Mello disse:

    É essa a sensação que me passa – a de estar com o boi na sombra, vivendo uma espécie de férias. Da minha casa até a cachoeira mais próxima, com 72 metros de altura e 42 de queda, a distância é de 8 quilômetros.

    Há um certo otimismo no ar quanto ao futuro da região – que tem água e energia em abundância, além de terras férteis, boa infra etc. Quanto à profissão, há espaço em assessorias e muita coisa a ser feita.
    Quanto aos amigos que têm filhos pequenos – longe de querer me intrometer na vida alheia, apenas a título de conversa -, fico pensando como deve ser difícil criá-los numa cidade grande.

    Tenho dois sobrinhos que quando vêm pra cá se esbaldam. Comem melhor, dormem que nem anjinhos, têm liberdade para brincar em grandes espaços com outras crianças, estão em contato permanente com a natureza… Enquanto os adultos ficam tranqüilos, pois aqui ainda dá para dormir com a janela aberta.
    E mais legal de tudo: o povo da roça é muito gente fina. Festeiro até não poder mais.

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