
Redescobri hoje como é divertido tomar um bom banho de chuva. Sentir cada pingo que cai do céu sob o rosto, a camisa, as pernas. Não se preocupar em ficar encharcado, lamber os filetes d’água que descem pela cabeça, achar engraçado o barulho que se faz ao pisar no chão – squish!
Há semanas venho também redescobrindo o prazer de andar de bicicleta. De sentir as coxas queimarem na subida e fechar os olhos pra sentir melhor o vento na descida. Não fico preso no trânsito, reduzo minha contribuição para o aquecimento global, me exercito, fumo menos e me divirto.
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Lá pelas tantas, entre um carro a ser evitado e uma calçada pra saltar, a melodia de Bicycle, do Queen (clique para curtir o som), me veio à cabeça e cantarolei alguns de seus versos no caminho de volta pra casa. O Jazz foi um dos meus primeiros discos, comprei lá na Bulgária quando tinha 10 anos, num daqueles catálogos que vendem de tudo um pouco (era moda na época, o catálogo digo). Talvez por ter valor sentimental, considero ele um dos melhores discos do grupo inglês. Daí minha surpresa hoje ao encontrar uma crítica da Rolling Stones americana, feita à época do lançamento, detonando o trabalho:
Não há Jazz no novo disco do Queen, em caso dos fãs de ambos os estilos estarem preocupados com a depreciação de um ícone. Queen não tem imaginação para tocar jazz – Queen não tem imaginação para tocar roquenrol. Jazz é apenas mais do mesmo enfadonho pastiche que dominou todos os trabalhos desse supergrupo britânico.
Assim começa o artigo que chega a classificar o grupo de fascista. Acho que o crítico não gostou do teor de algumas das letras das músicas, como a de Bicycle, que ridiculariza o american way of life. Foda-se a Rolling Stone, sempre foi – e continua sendo – um lixo de revista.
Enfim, pedalando na chuva, rasgando poças e saltando buracos e meio-fios, voltei aos tempos de moleque. Dá até pena de ver tanta gente enlatada pra lá e pra cá, priorizando a chegada, não a viagem. Vão sentir falta disso em breve…
Eheheh, você gosta de uma chuvinha nas costas, né?
Brincadeirinha.
Bom, sobre os críticos da Rolling Stone, vale a famosa frase do Zappa.
Mas crítica é foda. Principalmente a crítica feita para as massas, que geralmente é iletrada, não tem a mínima base. Situação parecida, aliás, com todo o jornalismo atual. Fulano não sabe nem juntar um sujeito com um predicado e já se sente o juiz da humanidade.
Quando se fala em cinema, por exemplo, a deusa total da crítica foi a Pauline Kael. E mereceu, vide o magnífico documentário sobre o processo de filmagem de ‘Cidadão Kane’.
Pois não dá para fazer uma compilação de textos da Pauline Kael sem encontrar muitos, muitos mesmo, em que ela errou clamorosamente. Só de puxar pela memória, me lembro de ‘Doutor Jivago’. Ela triturou o filme, arranjando assim a inimizade não só do David Lean, mas de toda uma geração de românticos de carteirinha.
Tem um filme da atriz Maria de Medeiros muito legal sobre o assunto. Recomendo.
não é chuva amarela nao…
E faz tempo que adotei a seguinte estratégia: só leio critica DEPOIS de ver o filme ou escutar a música ou ver o show.
Mas os caras da RS eram hors-concours em termos de arrogância… impressiontante!
vou conferir esse filme ae.
abração!
só vejo/leio depois também. a crítica influencia na degustação da arte. eu concordo.
sobre as bikes, já foi publicada no diário oficial uma lei interessante para as bicicletas. se rolar mesmo, será lindo.
aquele [abraço]
fabrício
colé dessa lei?
acabei de ler lá no seu blog, bom mesmo. vou dar o link aqui mais tarde. valeu!
Fat bottomed girls
They’ll be riding today
So look out for those beauties oh yeah.
Nem chuva ácida, né?
outro dia falei de tomar chuva aqui em são paulo, e também me falaram sobre a tal ‘chuva ácida paulistana’.
quiseram tirar o meu prazer de curtir a chuva sem nóias.
acabei debochando, claro…rs.
[se for real, eu nem senti…rs]
aquele [abraço]
fabrício
Adoro Queen, mas tendo a outros álbuns como The Game ou A Kind of Magic (ah, vai, fala que vc não queria ser um Highlander? hehehe). Mas é complicado para um fã se ater a este tipo de preferências. Os caras eram/são fantásticos.
Quanto à lei, dá uma olhadinha aqui:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=14640
será que vai mudar alguma coisa em menos de 30 anos? Sei lá… palavra de quem não larga da bike, heheheheheheh
Po, Savio, A KInd of Magic é beeem fraquinho…
E eu vi essa parada da nova lei, bem legal mesmo.
Se tem uma coisa que falta em SP é ciclovia…
Jorge, meu querido,
O que vou dizer parecerá infinitamente ridículo, mas, lá vai:
Não entendo nada de musica, mas adoro Queen.
Adoro tomar chuva e andar de bicicleta.E vice-versa ou só vice ou só versa.
Resumindo: adoro você!
bjs.
Que boooom!! Também te adoro, eulália!!
beijos!