
O Greenpeace fez hoje uma ação na frente do prédio da Bayer CropScience, em São Paulo, para protestar contra o milho transgênico da empresa, que pode ser liberado comercialmente no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em reunião que acontece amanhã (quarta-feira), em Brasília. Os ativistas bloquearam a entrada principal da empresa, cercaram o prédio com uma faixa escrita ÁREA CONTAMINADA, colaram duas faixas na fachada principal (Milho transgênico: no nosso prato não!) e plantaram vários milhos transgênicos no jardim em frente. O produto da Bayer é cercado de dúvidas cruciais sobre sua segurança, tanto para a saúde das pessoas como para o meio ambiente. Isso porque ele é resistente a um poderoso agrotóxico (o herbicida glufosinato de amônia), graças à introdução de genes de bactérias e vírus na planta feita pela Bayer. Assim, os agricultores podem usar e abusar do herbicida no milho sem se preocupar com o milho (o transgênico), porque ele é resistente. O mesmo não acontece, no entanto, com qualquer outra forma de vida que possa existir na região de plantio. Quem já foi num campo de testes desse milho diz que é esquisito pacas, não tem inseto, pássaros, mato, lagartos, nada. Tudo morre. É um silêncio assustador. Já não basta o deserto verde dos eucaliptos?
Foi minha primeira ação desde que comecei na ONG semana passada. Não participei diretamente, fiz assessoria de imprensa. Mas perdi o início porque tive que ficar no ponto de encontro agendado com os jornalistas – alguns quarteirões distante do local da ação, pra não chamar a atenção da empresa – esperando os retardatários.
Quando cheguei ao local, o cenário já estava pronto, com direito a viaturas da polícia e alguns curiosos. Não houve, porém, estresse algum. O comandante da PM no local, um major, chegou a revelar (em off) que era fã do Greenpeace! “A gente tem que se preocupar com o futuro de nossos filhos, acho o trabalho de vcs muito importante…”
O pessoal da Bayer parecia ter sido atingido por um de seus produtos, já que estavam que nem baratas tontas, sem saber o que fazer, pra onde ir, com quem falar, subiam e desciam do prédio toda hora. A gente queria que eles respondesse a uma carta enviada em 7 de novembro pedindo explicações detalhadas sobre os produtos (milho transgênico Liberty Link e agrotóxico fabricados pela empresa). Caso contrário, a porta principal continuaria bloqueada e os ativistas permaneceriam no local. Eles diziam que já tinham enviado a resposta – mas não mostravam o protocolo de envio. Aí, lá pelas tantas, vieram com uma carta mandrake, com toda pinta de ter sido feita na hora (com data de 16 de novembro). A-hã… tá bom, me engana que eu gosto. De qualquer maneira, a carta nada dizia de relevante, apenas agradecia a preocupação do Greenpeace e dizia que os dados sobre os produtos (estudos científicos, especificações, etc) eram públicos, e estavam disponíveis no site da CTNBio. Não é bem assim. Os estudos que estão lá são insuficiente e incompletos. Por muito menos, esse milho teve seu plantio proibido, ou pelo menos suspenso, em diversos países da Europa.
Como a situação empacara, os ativistas deixaram o local, não sem antes apresentarem denúncia contra a empresa na própria CTNBio. Os executivos da Bayer então ordenaram que fossem retirado tudo que fora colocado ali. Parecia época de colheita, deu boas imagens pro pessoal da imprensa que estava lá.
Quem quiser saber quais os problemas desse milho geneticamente modificado, clique aqui. E o Greenpeace está com uma cyber-ação em seu portal para internautas protestarem contra essa bizarria tecnológica da empresa alemã. Deixe lá seu recado!
Jorge,
Além de ter qualidade e precisão, o seu blog agora também é “responsável”. Valeu pela matéria do Greenpeace. E valeu pelo puxão de orelha que você, sem querer, meu deu: como posso me juntar a essa turma boa que sacode a bayer?
Abraços cariocas!
André Mello..
VIVA O GREENPEACE!!!!!
Calma Brô, amanhã Lula e seu time observarão com todo cuidado a questão. Tenho certeza que se aparecer uma sobra só de dúvidas quanto aos efeitos nocivos do produto, será devidamente apurada. E barrado seu plantio.
Pô, quando tiver mais alguma ação, dá um toque.
Jorge, mudando de assunto, tem novidade nas bancas: ‘Grandes Clássicos – DC – Alan Moore’, via Panini. É uma seleção de histórias roteirizadas por Moore nos anos 80 para a DC, quando provavelmente ele tinha de mexer com super-heróis tradicionais para pagar as contas (vem junto ‘A Piada Mortal’). Tem Superman, Vigilante, Arqueiro Verde, blablablá, mas, você sabe, sendo do Alan Moore as histórias têm um diferencial. Mas tem o preço, 37 contos de réis, o que prova de vez que quadrinhos no Brasil são para uma elite econômica de tiozinhos.
Ufa…complicada essa questão dos transgênicos.
Primeiro, porque é bastante difícil você detectar se um produto foi alterado genéticamente depois de pronto.
Segundo…bem, quase tudo o que comemos hoje em dia é alterado geneticamente.
Stephen Hawkings está certo: é bom a raça humana arrumar um jeito rapidinho de se espalhar pelo espaço, porque isso aqui tá com cara de ir pro brejo logo.
Se você duvida, tente lembrar as experiências com ratos e superpopulação, que – teoricamente – você estudou lááááá atrás.
Ou você acha que somos tão diferentes assim?
Acho que há uma diferença crucial aí: uma coisa é manipulação genética de seres outra é seleção genética. Em muitos casos, há variedades de vegetais resistentes que podem ser usadas com igual ou maior eficacia, mas grandes empresas preferem apostar na engenharia, porque lhes renderia mais grana, e o monopolio de producao e venda de sementes. No caso do milho é assim, soja também, trigo, etc. Nao a toa paises como a India resistem com força a tal procedimento, porque pode prejudicar milhares de agricultores que nao querem plantar transgenicos.
O grande problema, do jeito que está, é a contaminação de plantacoes nao transgenicas. O principio da precaucao deve ser sempre prioritario, mas Monsanto, Bayer CropScience, Syngenta e afins não estao nem aí.
E se o transgenico é tao inofensivo assim, porque as empresas nao adotam a rotulagem, como alias previsto em lei? Estranho, nao?