Martelaram tanto com a história do dossiê Vedoin, fizeram de tudo para conseguir as fotos do dinheiro, publicaram os maiores absurdos dando por vezes contornos de verdade absoluta a frágeis suposições, sempre com aquela aura de quem o faz em prol do bem público, e nada. Confirmada a reeleição de Lula, o assunto minguou na grande imprensa, com as manchetes se transformando em reles notinhas. Mas o inconfesso projeto político dos (tu)barões da mídia continua de vento e popa. Sai o fetiche de fotos de cédulas entra a verborragia iracunda apoiada numa greve de controladores de vôo.
O assunto greve em geral ganha manchete apenas para mostrar o sofrimento de quem fica privado do serviço. Nada sobre as reivindicações, as condições de trabalho, as alternativas para que o problema não se repita. A culpa é sempre dos sindicatos e trabalhadores. Mas pode-se abrir uma exceção e culpar o governo também, desde que ele seja do PT. É o que está acontecendo agora com essa greve dos controladores de vôo. Uns a chamam de ‘apagão’ do governo Lula; outros como Clovis Rossi, chegaram ao delírio de fazer um paralelo da historia do acidente do vôo 1907 da Gol com o massacre do Carandiru! E a culpa, claro, é do governo. 100%.
Por que não agiram assim os jornalões quando uma greve do Metrô quase parou SP? Não foi um ‘apagão’ do governo Alckmin? E as rebeliões na Febem e nos presídios paulistas? A imprensa continua míope e distorcendo os fatos, e assim vai se distanciando cada vez mais do grande público. E gente do naipe do Alberto Dines ainda critica e se surpreende com a onda anti-mídia que cresce dia após dia no Brasil. Ele ainda não viu nada…
As patifarias da (co)mídia não param. Eles têm uma fonte inesgotável de safadezas. Depois que tomam um sacode iá-iá, como ganharam do Requião (tamos mais por baixo que sola de sapato), choram e fazem beicinho.
Agora mesmo está acontecendo algo de muito sério em Oaxaca, no México. “Agora” é força de expressão; desde 22 de maio a população daquele estado encontra-se insurgente. Muitos já morreram, inclusive um jornalista da CMI, outros tantos foram presos.
Anteontem o quadro agravou-se. O polícia tentou furar o bloqueio à força, mas não conseguiu. Criou-se uma rede de comunicação, envolvendo a rádio APPO e a internet (ainda vou criar um monumento em homenagem à rede), e os apelos dos oxaqueños foram ouvidos. Em minutos foram enviados reforços – além de água, alimentos, ácido muriático…
Ficaram sabendo de alguma coisa pelos jornalões? Leram alguma análise séria dos (de)formadores de opinião? Será interessante dar visibilidade à causa deles, que pode espalhar-se por outros países das Américas Central e do Sul?
Quem quiser mais sobre o que acontece em Oaxaca, pode acessar o site oficial da APPO.
E se quiser matar a saudade do bom jornalismo, é só ouvir a rádio da entidade. É de arrepiar.
Link: http://www.asambleapopulardeoaxaca.com/
Urubus querendo aparecer, todos mercenários! Beijus
Vc esqueceu de outra situação que a grande mídia vem martelando no pós-eleição: a “ameaça” à liberdade de imprensa. Escrevi isso no meu blog, aquele que vc nunca aparece!!! hehehe
Abraços