O áudio enfim apareceu

Demorou, mas apareceu o áudio da farsa por trás da publicação, às vésperas do primeiro turno das eleições, das fotos do dinheiro que seria usado na compra do dossiê Vedoin. A história toda foi inicialmente revelada pela revista Carta Capital no último fim de semana (ver algumas notas abaixo), mas não obteve ressonância entre os cães de guarda da mídia brasileira – vale à pena ler o por quê do silêncio neste artigo do Marco Aurélio Weissheimer, da Agência Carta Maior.

Agora, enfim, apareceu o áudio da negociação feita entre o delegado Edmilson Bruno, da PF (que entregou os CDs com as fotos) e os jornalistas Lilian Christofoletti (Folha), Tatiana Farah (O Globo), Paulo Baraldi (Estadão) e André Guilherme (rádio Joven Pan). Para ouvir, visite o blog PTlhando, clique com o botão direito do mouse e salve o arquivo no computador – se apenas clicar para ouvir, não rola. O som tá meio ruim, mas a íntegra da conversa pode ser conferida aqui.

Pode-se discutir se o comportamento dos jornalistas envolvidos foi ou não ético, até mesmo legal, mas está claro que não foram honestos quando não questionaram o delegado sobre a farsa que ele montou para justificar o sumiço das fotos. A repórter da Folha chegou a escrever uma matéria com Bruno informando que as fotos sumiram e que ele abriria um boletim de ocorrência para apurar o acontecido. Pô, ela participou da negociação e depois escreve uma matéria dando credibilidade à versão mequetrefe do delegado? Ela mentiu! Vai ser cara-de-pau (pra dizer o mínimo) lá na sede do PFL !!!

Atualizando: O caso é que para a nossa impresa, vale tudo para conseguir migalhas de informação. As fotos do dinheiro eram assim tão importantes pra deixar a ética jornalística de lado? Vale tudo para conseguir uma manchete? Um amigo jornalista, dos bons, me citou um trecho do código de ética do The Guardian, um dos melhores jornais do planeta, que em linhas gerais, diz:

Um jornalista pode fazer tudo que não precise ser escondido de seus leitores. Ou seja, todos os procedimentos para obter informações deveriam ser transparentes. Se tiver que esconder do leitor, ou mentir para o leitor, melhor não fazer.

A íntegra do código de ética do jornal inglês pode ser lido aqui.

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27 Responses to O áudio enfim apareceu

  1. Avatar de Marcelo Kischinhevsky Marcelo Kischinhevsky disse:

    Ô, Jorge, vai dizer q vc nunca fez acordo desse tipo pra preservar fonte de matéria? Jornalistas mentem o tempo todo, e isso não é necessariamente maligno. Tudo em nome do furo, com o perdão da imagem escatológica.

    Isso me lembra a “Música que os loucos ouvem (chupando balas)”, do Mundo Livre S/A (o disco é o “Güentando a ôia”, de 1996, lá se vai uma década):
    “Essa não é a música / que os arcebispos ouvem / quando estão fornicando

    Essa não é a música / que as enfermeiras ouvem / quando estão matando
    Essa não é a música / que os jornalistas ouvem / quando estão mentindo
    Essa não é a música / que os suicidas ouvem / quando estão caindo

    (Lang, Chessman… farão videoclipes / Sandino, Marcos… milhões de heróis se acotovelam em nossas telas / e nós os velamos em nossas salas / chupando balas)”

  2. faço minhas as palavras do código de ética do The Guardian. A busca pelo furo, pela manchete, pela história única, não deve ser na base do vale-tudo. Nunca usei desse procedimento escuso – talvez isso explique um pouco do meu fracasso como jornalista…

  3. Avatar de Marcus Marcus disse:

    Eu acho esse historinha bem sórdida. Mas vou esperar os comentários de gente mais abalizada, no Observatório da Imprensa.

  4. Avatar de Marcus Marcus disse:

    É claro que eu não estou dizendo que a sua opinião não é abalizada :^D
    Eu também publiquei o link para o áudio, e fico espantado com o silêncio sepulcral dos principais portais.

  5. silêncio mais do que previsível, meu caro velho do farol… imprensa, a exemplo da máfia, não gosta de falar de si própria…

  6. Avatar de Soraya Aggege Soraya Aggege disse:

    Poxa, Jorge, fiquei surpreendida e muito, muito decepcionada com vc agora! Como é que vc pode escrever e publicar que a Tatiana, a Lilian, o André e outros são “desonestos”? Sem sequer ouví-los? Que coisa feia! Contra quem mais vc tem feito isso?

    Além de connhecê-los, eu acompanhei quase toda a história e te digo: Eu, Soraya Aggege, faria exatamente o que eles fizeram! E, por isso, eu o desafio a PROVAR que eu sou desonesta! Mas eu acho e provo que desonesto e sem ética quem está sendo é vc! Se eu fosse eles, processaria vc, assim como o pessoal da Carta Capital. Não só por eles terem a mesma profissão que a nossa, não. Porque eles são cidadãos. Que coisa feia!

    Apesar de ficar morrendo de vontade, não escrevi ao pessoal da Carta, porque NUNCA os encontrei em um plantão ou coletiva na vida (só os vejo escrevendo sobre o que escreveram aqueles que ralam de verdade, igualzinho, aliás, boa parte do pessoal da Veja). Mas vc… Vc eu pensei que fosse diferente. Que pena!
    Peço que vc, antes de julgar, cumpra o princípio de ouvir todos os lados. E mais: se vc estivesse lá no plantãozão da PF, estando em um dos veículos, não pegaria a cópia do CD? Vc iria privar seus leitores de informações relevantes como aquela? Duvido! Agora, se a informação foi ou não manipulada, isso não é culpa de peões como a gente, não é mesmo? Acho muito fácil vc ficar aí com o bundão na cadeira atacando os seus colegas que estão ralando. É fácil dizer “eu faria assim ou assado!”. Achei a postura da Carta muito parecida com a de Veja, se vc quer saber. Agora, jamais esperaria uma postura tão babaca de alguém como vc. Que vergonha, Jorge!

  7. Avatar de Ricardo Ricardo disse:

    Escuta aqui, Jorge, tá parecendo que você nunca trabalhou na grande mídia, né? Dizer que o comportamento dos repórteres pode ser considerado desonesto é atitude de canalha, coisa que você não é. Esqueceu de como as coisas funcionam? Esqueceu quem é que manda? Pára com isso. Pra que citar os nomes dos repórteres? Cite os editores. Quero ver. Acho que você não leu as matérias do dia 16. Se tivesse lido, tomaria mais cuidado. Colocar todo mundo no mesmo saco é um absurdo.

  8. Avatar de Ricardo Ricardo disse:

    Quer ouvir mais uma, Jorge? Acho que você está com muito tempo ocioso. Vá fazer alguma coisa produtiva em vez de ficar caluniando gente honesta. Você nem sabe o que aconteceu pra ficar aí escrevendo merda como se fosse o arauto da moralidade. Procure se informar antes de jogar o nome dos outros no lixo. Pra mim, essa sua raiva contra tudo e todos não passa de ressentimento.

  9. soraya, me desculpe, mas acho que vc está exagerando. Sendo injusta mesmo. Chamei de desonesta a falta de questionamento quando o delegado Bruno montou uma historia pra alegar o sumico das fotos. Todos ali sabiam que nao aconteceu do jeito que ele disse, mas se omitiram. E pelo menos na Folha eu li uma materia dando credibilidade à versao dele. Vc acha isso honesto? Ela nao mentiu ao leitor da Folha? Acha correto omitir do leitor como as fotos chegaram à imprensa? Publica-las é uma coisa, agora compactuar com uma mentira por motivos eleitorais acho muito ruim. Para os leitores, para a imprensa,para a democracia.

    A questao aqui nao é a publicacao das fotos, nem preservacao da fonte, mas a forma como foi urdida a trama. Vc acha mesmo isso correto? Nao valeria uma explicacao do pessoal que obteve as fotos de como um delegado da PF vazou o material?
    Tentei falar com a Tati, a unica que conheço do grupo, e ela me respondeu com um simples não.
    E vem cá, que fato relevante é esse? Fotos do dinheiro? Por que? Havia alguma duvida de que o dinheiro existia? Lembra o caso Lanus? Havia alguma irregulraidade naquele dinheiro todo? Nao. Mas derrubou a Roseana. O jornalismo brasileiro sofre desse mal do vale-tudo pela manchete, pelo furo. No caso, a meu ver, as fotos nao tinham essa relevancia toda, era mais um fetiche insuflado pela oposicao. E para consegui-lo, compactuaram com um crime (roubo) e uma mentira (as fotos nao vazaram de bobeira, havia uma clara e conhecida intencao, que foi omitida).
    Sinceramente, sua agressividade me entristece mas nao surpreende. Ela é sua sobrinha e vc está no seu papel de defende-la. Mas deveria respeitar meu direito de achar que desonesta a forma como foi omitida do publico as reais intencoes do delegado. Era perfeitamente possivel publicar as fotos e, preservando o nome da fonte, informar como elas chegaram à imprensa, as intencoes, etc e tal.

    Fico com o codigo de etica do The Guardian.

  10. Pronto, parece que ganhei alguns inimigos… enfim, quem fala o que quer, escuta o que nao quer…
    O que posso fazer? Nao joguei o nome de ninguém na lama, nao tenho essa pretensao… Talvez tenha exagerado ao dizer que “não foram honestos”, admito, poderia dizer que não tiveram o cuidado devido, mas no fundo seria a mesma coisa.
    Nao sou arauto da moralidade, pelo contrário, tenho meus pecados – muitos deles conhecidos. Nao estou tao ocioso assim, felizmente. Citei o nome dos reporteres que eram de conhecimento publico, nao inventei nada, nao menti, apenas opinei sobre um fato que tomei conhecimento. Nao posso? Novamente, acho que vcs estao exagerando… A Soraya falou em processo, vc me chamou de canalha…

    Tenho muita consideracao por vc, pela Soraya, pela Tati. Mas compreendo perfeitamente a bronca de vcs, aceito numa boa.

  11. Avatar de Tatiana Tatiana disse:

    Jorge, estou triste. A indignação fica para os que não me conhecem e escrevem coisas sem apurar. Para quem nem me dei o trabalho de responder. Ninguém dessas pessoas queria saber mesmo nada. Todos tinham e têm sua opinião.
    A seu respeito, mesmo, ficou a tristeza. E não é pequena. Você não leu o Globo. Se tivesse lido… Apuração vale para tudo. Para reportagem, para opinião. Para tudo. Não fui desonesta, não fui anti-ética. Fui o que sou. Quanto a isso estou tranqüila. Não houve crime. As fotos não são do inquérito. São do delegado. Foram confirmadas como autênticas pela direção da PF.

    As circunstâncias do encontro foram descritas. O leitor sabe, pensei que os amigos soubessem. Aliás, os amigos sabem.
    Você disse que eu estava “famosa”. Não estou. Você perguntou se eu queria te passar “um ou outro bastidor” da conversa. Eu disse que não. Não sou sua fonte. Era sua amiga. Amigos ligam e perguntam sobre momentos doloridos pelos quais passamos, não pedem bastidor. Até nos cobram, é claro, sobre o que acham que não foi honesto. Amigos até escrevem coisas sobre nós das quais discordamos.

    Enfim, amigos são amigos. E nos ouvem. E são corretos. Ou tentam ser. Eu não sou sua fonte. Neste caso, você deveria ter formalizado as perguntas.
    Enfim, desculpe os pensamentos desalinhados, porque estou um tanto surpresa.
    A Soraya não é só minha tia. Ela é uma colega de quem me orgulho muito. E você sabe. É um símbolo para mim de trabalho honesto e humanidade. De humildade. O Ricardo é um irmão. É minha família. Fico feliz que tenham me defendido. Porque sabem da história. Nem precisaram perguntar. Leram e, antes disso, nunca suspeitaram. Não porque sejam meus amigos apenas. Mas, sendo meus amigos, me conhecem. Sabem a minha história e sabem como eu conduzo a minha vida. Quais os meus valores.

    Então, é isso.

  12. Avatar de Ricardo Ricardo disse:

    Não te chamei de canalha, pelo contrário. Se você não fosse alguém que eu conhecesse e gostasse, estaria pouco me fodendo. Acontece que você não sabe o que aconteceu. Pelo menos o que aconteceu aqui. Portanto, não tem base para dizer o que disse. Isso, a meu ver, é comportamento canalha. Principalmente se tratando de amigos. Concordo que publicar a versão do delegado sabendo que é falsa é um absurdo. É mentir deliberadamente, muito diferente de cometer um erro de apuração. Acontece que não foi todo mundo que fez isso. Leia as matérias do dia seguinte e compare. Se a Tati não quis falar com você é porque ela tem os motivos dela. Você poderia ter ligado para qualquer um daqui e ficaria sabendo o que aconteceu. Simples assim.

    Quanto à ociosidade, é o seguinte: falei acima sobre amigos. Para mim, amizade está muito acima disso tudo. Relação pessoal vale mais do que princípio profissional. Muito mais. Criticar uma matéria na mesa de bar é uma coisa. Colocar os nomes dos caras na internet é outra. Magoa as pessoas. Longe de mim querer dar palpites na sua vida mas você evitaria um monte de tristeza se parasse com essas agressões gratuitas e, a meu ver, desnecessárias. Continue escrevendo sobre rock’n roll e ecologia. Neste caso você está sendo profundamente injusto. Como escrevi antes, repórter não manda porra nenhuma. Você sabe disso. No mais, quem diz o que quer… etc.

  13. Avatar de Lucas Portugal Lucas Portugal disse:

    Caro Jorge, a matéria de O Globo mostra perfeitamente como as fotos chegaram aos jornalistas, agora, a sua mancada foi colocar no mesmo saco a matéria da Folha e as outras. Respeito sua opinião, mas creio que como jornalista vc deveria ter se embasado melhor e ouvido todos os lados antes de publicar algo sobre os envolvidos.

  14. Avatar de Fábio Mello Fábio Mello disse:

    Jorge, estou de saída. Quero apenas desejar-lhe feliz aniversário, por enquanto. E dizer-lhe que concordo com tudo o que você escreveu.
    Sou do tempo em que jornalistas não concordavam em esconder atitudes pouco louváveis de autoridades. Pelo contrário, denunciavam as maracutais dos poderosos. Isso quando a censura assim permitia. Um tempo que, infelizmente, já passou.

    Forte abraço. Porque de uma coisa eu tenho certeza: canalha, você não é.

  15. Tatiana, tentei te ouvir. Se pedi ‘bastidores’, foi uma ironia, uma brincadeira, para usar o jargão de jornalista com vc, nao tinha intencao de formalizar nada, era só pra saber o que rolou da boca de quem participou da historia toda. Como amiga (ou ex, sei lá), vc me conhece e sabe como sou e brinco com as coisas. Mesmo sendo um assunto sério, queria saber de vc se tinha algo a falar sobre o assunto, sobre o qual te disse que ia escrever.
    acho que vcs estão p da vida por conta da palavra ‘desonestidade’. Como disse antes, pro Ricardo, talvez eu a tenha colocada equivocadamente no texto, talvez pudesse explicar melhor sobre o que me referia, tentava mostrar minha desaprovacao em relacao à omissão de quem estava na historia toda em revelar os reais propositos da divulgacao daquelas fotos naquele momento, daquele jeito. Minha critica direta era em relacao a materia da Folha, que dava credibilidade à versão falsa do delegada.

    De qq maneira, acho que tudo ali foi errado. A publicacao das fotos nao acrescentou nada de relevante à historia, a nao ser fazer o jogo de quem quer botar fogo no circo. Fizeram com sucesso contra a Roseana Sarney, no caso Lanus, e agora novamente. Quando li que vc estava no meio, tambem fiquei triste. Pensei, po, ela poderia ter questionado a historia toda, etc e tal. Mas enfim…
    Renovo meu apreço por vc, Soraya e Ricardo. Se sou agora ex-amigo de vcs, sinto muito, de verdade. Fiquem no entanto sabendo q de minha parte continua tudo na mesma. Aceito as palavras duras que me jogam por aqui, mas relutarei em aceitar o novo status de nosso relacionamento. Quando um nao quer, dois nao brigam – nem desfazem a amizade.
    Eu nao quero.

  16. Avatar de Soraya Aggege Soraya Aggege disse:

    Injusta? Desculpe, mas injusto (e muito) foi vc, Jorge. Devia pedir desculpas. Muitas. E não estou indignada porque a Tatiana Farah é minha sobrinha. É mais que isso. Ela é, mais que sobrinha, minha amigona, parceira de todas as horas. Também são meus amigos o André, a Lilian. Aliás, eles não precisam da defesa da tia, nem da amiga, não. São profissionais dos bons. Eu escrevi o que penso porque o considerava meu amigo. E fiquei indignada com a sua atitude! Muito!

    Eu não admito uma sacanagem dessas com os nomes dos outros, sabe? Eu ouço o outro lado até de calhordas que roubam merenda escolar! E ouço com respeito, porque sou repórter e sei que um outro lado pode virar toda uma história. Agora, eles são profissionais, que escreveriam também se a fita fosse do dinheiro do PSDB. Vc errou, errou feio e o mínimo que faria é pedir desculpas a eles. Seria caso de processo sim. Democracias funcionam assim. Vc escreveu, depois de citar os nomes das pessoas: “Pode-se discutir se o comportamento dos jornalistas envolvidos foi ou não ético, até mesmo legal, mas está claro que não foram honestos quando não questionaram o delegado sobre a farsa que ele montou para justificar o sumiço das fotos.” E continua… Ora, vc nunca trabalhou na imprensa? Vc sabe, por acaso, que a Tatiana, por exemplo, teve a matéria citada no Jãnio de Freitas por ter esclarecido a história? Vc leu o que ela escreveu? Ouviu a matéria do André, na rádio? Vc sabe se o texto da Lilian foi editado? Poxa, vc precisa saber! Quem não sabe direito, não deve publicar.

    Tô muito, muito chateada com vc. Não vou entrar na polêmica sobre a notícia. Já disse o que eu penso: eu teria a mesma atitude que eles. Acho notícia sim, fosse contra o PT, o PSDB ou qualquer outro P da vida. Agora, se vc quiser discutir o papel da mídia na política brasileira, precisa primeiro dar nomes aos bois, atacar os grandalhões. Não colegas honestos, que acumulam horas e horas em plantões nas portas da PF, por exemplo.
    Hasta!

  17. o link é de uma área restrita do UOL. O que é?

  18. Avatar de Tatiana Tatiana disse:

    É o artigo do Janio de Freitas sobre o caso.

    “Prego” aqui um parágrafo. Não achei a minha matéria porque ainda não domino as ferramentas do site do Globo.


    Desde que fez as prisões no hotel paulistano, o delegado da PF Edmilson Pereira Bruno manteve-se próximo de repórteres, inclusive dentro da PF em dias de sua folga, com contribuições ao noticiário fermentativo. Não tardou a distribuir, para um grupo de repórteres, jogos de fotos das pilhas impressionantes de dinheiro apreendido. Mentiu para fazê-las, passando-se por delegado do inquérito. Mentiu aos superiores na PF, negando a autoria da distribuição. Identificado como único possível autor das fotos e da distribuição, mentiu ao dizer que o fizera para proteger-se “de uma armadilha”, porque furtaram de sua mesa um dos três CDs com as fotos. Mas “O Globo”, presente à distribuição, deixou discreto registro de que, já ao fazê-la, o delegado Edmilson Bruno “disse que iria reportar a sua chefia que o CD entregue aos jornalistas havia sido furtado: “Isso aqui (o CD) alguém roubou e deu para vocês. O que vai parecer? Que alguém roubou [da mesa dele] e vazou na imprensa'”.

  19. Avatar de Fábio José de Mello Fábio José de Mello disse:

    Meu nome é Fábio José de Mello. Meu RG, 17.384176. Meu CPF, 07898966816. Moro no número 571 da rua Pedro Guidugli, em Descalvado. Portanto, a partir desses dados vocês podem dar um início ao processo judicial. Porque eu vou merecer.
    Nunca vi um grupo de jornalistas tão seviçal, sabujo, covarde, mequetrefe, rasteiro quanto o que foi cumprir as ordens do patrão, do editor, do caralho a quatro. Lidaram com o delegado como se fossem “compradores” de muamba, de droga. São os muambeiros da notícia. Compactuaram com um criminoso. Criminoso confesso. “Bom, eu vou falar que fui roubado, ok?”. E as ovelhinhas aceitaram, ordinárias que são.

    Simplesmente nojento. Esse é o jornalismo nojeto, asqueroso, do qual vocês fazem parte.
    Afinal, vocês tornam essa merda possível.
    Com medo de perder o emprego, então aceitam qualquer incumbência, honesta ou não.
    Chega. Mais, não falo.

    Que me processem.

  20. Avatar de Tatiana Tatiana disse:

    ei, do RG, eu não te conheço e que se dane a sua opinião. Respondi ao Jorge, a quem conheço, não a você. Eu, particularmente, gosto da palavra mequetrefe. É coisa de gente simples. Sem superlativos. É, sou empregada, não sou patrão. Não sou colega do Mino, nunca fui dona de nada. A vez em que ganhei dinheiro de governo, era funcionária, não era dona de nada, não. Tô tranqüila. Sou colega do cara da escuta, do menino que tira o xerox, do repórter que rala. É, sou vidraça, não tenho como ficar atirando pedra em quem não conheço. Trabalho muito para dar conta de necessidades prosaicas, comezinhas. Essa vida mequetrefe. De sabujo não tenho nada não. Espero que, daí do alto, você aprecie a vista, moço do RG.

  21. Avatar de Fábio Mello Fábio Mello disse:

    Daqui do alto, comigo, estão milhões de leitores que condenam veementemente a manipulação do noticiário. Acreditam que a divulgação da foto pode até ser sido moralmente defensável. Indefensável é omitir a mentira do delegado, que afirmou, com todas as letras, que prestaria queixa de um falso crime.
    Daqui do alto eu me lembro que em 84, quando eu trabalhava na TV Globo, os funcionários da casa, em São Paulo, enfrentaram o patrão por não concordarem com a manipulação do noticiário, que escondia a vonta popular por eleições livres e diretas.

    Daqui do alto eu me lembro que em 89, quando eu ainda trabalhava na Globo, da atitude corajosa do jornalista Wianey Pinheiro em denunciar, na Folha de S. Paulo, a edição criminosa do debate entre Collor e Lula. Claro, o Pinheirinho foi demitido. De lá do alto.
    Daqui do alto não estou só. Basta olhar o que os leitores dizem dos jornalistas e das grandes corporações de mídia.
    Daqui do alto eu me recordo que o jornalismo serve aos cidadãos, não aos editores, aos (tu)barões e seus negócios.

    Daqui do alto dá pra ver o que acontece no seu litoral. E a vista não é nada boa.
    Daqui do alto.

  22. Avatar de Lucas Portugal Lucas Portugal disse:

    Daí do alto, vc não leu a matéria de “O Globo”…

  23. Avatar de Ricardo Ricardo disse:

    Fábio quem? Vê se te emenda. Você não é nada. Não vale nem um telefonema pro advogado.

  24. Avatar de Marcelo Kischinhevsky Marcelo Kischinhevsky disse:

    É, pessoal, a coisa ficou séria aqui. Do meu cantinho, acho que não devemos levar tudo tão a ferro e fogo. Preservar fontes, seja mentindo, seja omitindo, é do jogo do dia-a-dia jornalístico. Não somos vestais. As fontes tentam nos operar o tempo todo, geralmente com a chancela da chefia imediata nas redações. E não estamos sequer protegidos por cláusula de consciência, como na França. Continuo achando que faria o mesmo se estivesse lá no malfadado plantão e, cá entre nós, concordo com os coleguinhas que se sentiram atingidos: faltou apuração à crítica, faltou cotejar as matérias, ler as entrelinhas, onde o tiro do delegado acabou saindo pela culatra. Jorge, vc cometeu um deslize e tanto – mas quem de nós nunca perpetrou um? Não se abata, filho. Shit happens. Avohai.

  25. nao acho que cometi deslize algum… digo e repito: fico com o código de ética do The Guardian.
    Por essas e outras nossa mídia vive uma crise sem tamanho… Ninguém mais dá muito crédito ao que se publica porque via de regra sabem que atende a algum interesse inconfesso. Do jeito que está, nossa imprensa privilegia a fofoca à reflexao; o vale-tudo ao debate.

    Em que essas fotos contribuíram para os fatos? Alguém duvidava que o dinheiro existia? Por que exigir sua publicação? Que fetiche foi esse que levou as redacoes dos jornalões a essa gincana de caça ao tesouro que culminou nessa negociação espúria?
    E Marcelo, é justamente por ler as entrelinhas que sempre escrevo sobre a imprensa. Não há nada no mundo que me irrite mais do que as entrelinhas. Porque elas revelam o processo escroto de se fazer jornalismo….

  26. Avatar de manoel de brito manoel de brito disse:

    Respeito muito todas opiniões aqui. Faço um convite sincero para um encontro com todos. Num bar ou lá em casa. Vamos – ou vão – conversar olho no olho , sem desarmes, e tentar resolver a questão. Como gosto e conheço um pouco de vcs, acho que seria uma boa.
    PARATODOS.
    Quanto ao Fábio, aprendiz de churrasqueiro que só põe carvão , me parece um cego. Deve escutar bem portanto.

    Coloquemos um viva voz.
    Vamos moçada?

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