Escândalos sob medida

Eu ia escrever sobre a seletividade da mídia na hora de escolher os temas que devem contar com a repulsa da sociedade, como neste caso agora do dossiê que envolve Serra no esquemão dos sanguessugas. Desviaram o foco para a compra do material por alguns petistas e necas de pitibiriba de escarafunchar as raízes da falcatrua. A gestão do atual candidato ao governo de São Paulo no Ministério da Saúde durante os anos FHC será investigada pela CPI dos sanguessugas mas isso parece não ser muito importante aos barões da mídia. Eles têm um projeto em mente e nele está escrito a ferro, fogo, arrogância e prepotência que o Brasil só tem jeito se for do jeito deles. E para isso eles estão convencidos de que é preciso acabar com uma certa “raça”. Ainda não conseguiram mas, sob o manto de uma tal imparcialidade jornalística (sic), bem que tentam, dia sim, outro também.

Mas me enviaram um bom artigo do Marco Aurélio Weissheimer, da Agência Carta Maior, que diz tudo que eu queria dizer com muito mais propriedade e qualidade, e por isso vou poupá-los de minhas mal traçadas linhas. Segue abaixo um dos melhores trechos:

Ficou tudo por isso mesmo. Essa é uma expressão familiar à história política do Brasil. Ao longo do século XX, o país teve duas experiências de governos com pendores populares, com todos os seus limites e contradições. Um deles acabou com o suicídio do presidente da República. O outro foi abortado por um golpe militar. A terceira dessas experiências, que estamos vivenciando agora, curiosamente experimenta alguns fenômenos que se repetiram nas duas primeiras. O “mar de lama” parece só vir à tona no país quando um governo com algum grau de comprometimento popular chega ao poder. Isso aconteceu também em escala regional. A mais importante experiência de um governo estadual de esquerda no país, o governo Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul, foi atravessada por denúncias de corrupção e de envolvimento com “a máfia internacional da jogatina”. Este governo enfrentou uma CPI da Segurança Pública, tão pródiga em denúncias quanto em falta de provas, o que resultou no arquivamento das primeiras pelo Ministério Público.

O quadro então é este. Qualquer governo que tenha um cheiro de esquerda, por mais tênue que seja, é logo acusado de estar patrocinando um “mar de lama”. Os outros governos, com cheiro, gosto e cor de direita, seriam expressões de moralidade pública. Considerando o tempo histórico que uns e outros governaram esse país, chega-se à conclusão que os problemas do Brasil devem-se aos poucos anos que governos com algum pendor popular estiveram no poder.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

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7 Responses to Escândalos sob medida

  1. Avatar de Ademir Ademir disse:

    Caros,
    Saiu no Blog do Zé Dirceu e eu copiei só os trechos grifados, vejam como ficou:
    (O Estado de São Paulo – 01/09/2006)
    “…Falta ao PSDB munição para “incendiar palheiro (…) O PSDB não tem munição para ‘botar fogo no palheiro’ do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (…) Os estrategistas do PSDB e do PFL avaliam que, a esta altura da campanha, apenas uma denúncia inédita e de impacto poderia criar um clima de polarização entre Lula e Alckmin (…) Como a coleta de novas denúncias não conseguiu nada de relevante até agora, restam as opções político-jurídicas…”

    Vejam agora o que saiu HOJE na Mídia:
    (Gazeta Mercantil – 21/09/2006)
    O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, hoje na Gazeta Mercantil, isse que o dossiê Serra é “muito pior” que o caso Watergate.
    É um prejulgamento. Pior, é julgamento, já que ele é juiz, e pior ainda, porque ele é ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.

    Como disse o jurista Dalmo Dallari ao Terra Magazine, o ministro Marco Aurélio vem emitindo opiniões políticas, e não jurídicas. “Ele tem uma opinião pré-concebida. Ele mesmo está se impedindo.”
    COMENTÁRIO MEU: NÃO ACREDITO EM BRUXAS, MAS QUE ELAS EXISTEM…. EXISTEM…
    ENTÃO, LEIAM O ARTIGO DO JORNALISTA MAURO CARRARA, ESCRITO PARA A REVISTA NOVAE:

    http://http://www.novae.inf.br/pensadores/mobilizacao_ja.htm

  2. Avatar de Léo Bueno Léo Bueno disse:

    Jorge, como diria o marido da Messalina (ela tinha marido?), “o que me mata é essa dúvida”.
    Acho que a hipótese de um golpe é perfeitamente plausível. Não precisa ser com tiro disparado nem com militares na rua. Paulo Henrique Amorim já discorria sobre as muitas maneiras de se dar um golpe de Estado nos dias de hoje (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=271ASP005). Portanto, quando eu falo de golpe, estou falando de uma coisa muito mais próxima, mais comezinha, do que a palavra sugere.

    Duas coisas muito ruins podem acontecer: 1) a impugnação da candidatura; 2) o impeachment do presidente a curto prazo. Ambas palpáveis – e por que não? A estratégia da direita era minar Lula para ele não ter chance nas eleições. Naufragou. Agora eles é que não vão aceitar mais quatro anos dessa raça.
    Antes, porém, me parece que nenhum sistema sustentaria um golpe de Estado brasileiro se não tivesse apoio externo para isso. Os golpes em número impressionantemente alto que seguiram a Guerra Fria nos anos 60 e 70 tomaram América Latina, África e Ásia como um jogo de dominós. Até agora, não se vêem golpes – exceto na Tailândia, e atenção com ela, mas lá a situação é diferente – e sim guerras privadas (“privadas” em todos os sentidos, leia-se a Caros Amigos deste mês).

    Vejo também indícios otimistas aqui dentro. O maior deles parece ser o fato de que há classes que estão dando bananas para a mídia (novamente Caros Amigos, entrevista com Franklin Martins, o MELHOR texto que li esse ano). Isso é ruim para nós, comunicadores: desaprendemos a nos comunicar com determinado público. Mas é bom, também. Vide as repercussões do último texto do Dines no Observatório, indignadas e espontâneas.

    Abraços
    Léo

  3. Avatar de Léo Bueno Léo Bueno disse:

    Ah, mais uma coisa: Mauá, a cidade aqui do lado da minha, está sem prefeito até hoje. Na última campanha municipal, eram dois os candidatos mais fortes: Márcio Chaves, do PT, e Leonel Damo, do PV/PSDB. As pesquisas davam a vitória de Chaves no primeiro turno. Aí um material pago pela Prefeitura petista de então (um material cuja concepção foi realmente burra) deu munição para que fosse pedida a impugnação do favorito. E ele foi impugnado. E não houve eleição. Um interventor foi nomeado, ficou por dois anos, e foi substituído por… Leonel Damo. Ou seja: Mauá vive hoje sob uma ditadura municipal.

    Claro que não dá para comparar Mauá com o Brasil. Cinqüenta por cento de brasileiros é muita gente. Mas que a cidade pode ter servido de laboratório, pode.

  4. Avatar de Fábio Mello Fábio Mello disse:

    E qual vai ser a reação da sociedade? Os movimentos sociais aceitarão passivamente um golpe contra um governo democrático e popular? Não vão. Terão os golpistas apoio das forças armadas e da comunidade internacional? Duvido.

  5. Avatar de manoel de brito manoel de brito disse:

    Me parece apenas um balão de ensaio. Um tempero light na reeleição.

  6. O mais curioso nessa história toda é que Serra e Negri estão numa boa, apesar das fortes acusacoes contra eles… seletividade é isso aí!!

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