Um repórter do Le Monde Diplomatique passou uma semana com a nata dos conservadores americanos num cruzeiro marítimo pelo Oceano Pacífico. O relato publicado na edição de fevereiro da revista é um dos mais assustadores retratos da elite do mais poderoso país do mundo! É esse pessoal que dá as cartas por lá. Mas enfim… somos todos homens comuns…
Segue um trecho:
A nau dos dinossauros
No crepúsculo da Era Bush, centenas de neo-conservadores norte-americanos embarcam num cruzeiro marítimo, durante o qual debatem o “sucesso notável” dos EUA no Iraque, a “inexistência” do aquecimento global e o “risco iminente” de dominação muçulmana sobre a Europa. Nosso repórter estava com eles.
Johann Har
De frente para o Oceano Pacífico, pés na água, deixo-me levar pelo bate-papo casual tão apreciado pelos norte-americanos em férias. Uma bondosa senhora de Los Angeles está sentada a meu lado, sobre as rochas. Ela me fala de seu filho. Eu lhe pergunto se tem só um. “Sim. E o senhor, tem filhos, lá na Inglaterra?” Respondo que não e sua expressão é de assombro. “O senhor deveria pensar a respeito. Os muçulmanos se reproduzem como coelhos. Logo, logo, vão invadir toda a Europa.”
Começo a me habituar a esse momento estranho em que a discussão amena entre dois viajantes envereda para… não sei muito bem o que, exatamente. Embarquei em um navio de um branco ofuscante, dotado de dois restaurantes, cinco bares e quinhentos assinantes da National Review. Aqui, a guerra do Iraque é um “sucesso notável”. O aquecimento global “não existe”. A Europa está se transformando em um califado. E não tem para onde fugir.
Regularmente, a National Review, a Bíblia dos conservadores norte-americanos, organiza um cruzeiro para seus leitores, a fim de coletar fundos. Paguei 1.200 dólares para me juntar a eles. Obriguei-me a uma única regra de conduta. Quando um passageiro perguntar o que sou, responderei a verdade: jornalista. Meu objetivo: misturar-me à massa, para descobrir o que dizem os conservadores quando se imaginam a salvo de ouvidos indiscretos.
A íntegra do texto está aqui.

Uma beleza dessa a gente só encontra na imprensa estrangeira. A daqui não presta. É jeca demais. (Segundo o Dines, “nossos jornalões são sensatos, coerentes, judiciosos, edificantes).
Bela matéria, mesmo.
Jorge, porque você não se inscreve num jantar beneficiente de Madame Milu, ou similar, e depois nos conta como é por aqui! Quem sabe os leitores do blog não fazemos uma vaquinha para ajudar na inscrição!
Abração,
mh
Suspeito que ficaria ainda mais surpreso do que o repórter do Le Monde, Mario Henrique!
E Fábio, com certeza esse tipo de reportagem não tem muito espaço mais no jornalismo brasileiro, infelizmente….
Casal 10 » Blog Archive » Nojo
[…] a ótima matéria no Blog do Escriba, que vale também a visita. […]