Robert Cailliau, um dos inventores da internet, é claro em sua entrevista para o Estadão, publicada neste sábado: a grande rede de computadores é uma puta ferramenta para exercitarmos o colaboracionismo e, assim, transformarmos os direitos autorais, a propriedade intelectual e a produção de informação. O problema, diz Cailliau, são os engravatados do mundo corporativo, que tudo fazem para manter a internet em rédea curta como uma grande promotora de vendas apenas. Consumo de bens, não de informação. Um trecho:
O senhor declarou recentemente estar decepcionado quanto à evolução da web. Por quê?
Há muitos aspectos sobre os quais eu estou contente: a Wikipedia, os blogs, os círculos de pessoas que têm coisas raras a compartilhar. Na verdade não há muito além de alguns aspectos sobre os quais eu estou decepcionado: a velocidade da compreensão de que a rede mundial é uma construção coletiva. Empresários, políticos e freqüentemente jornalistas não compreendem isso. Nós poderíamos avançar mais rápido se tivéssemos colaborado mais em vez de promover a competição em um tema no qual a competição é muitas vezes nefasta.
Nesta e nas demais respostas, o belga deixa claro que não está criticando a internet, mas o uso que dela fazem. O repórter bem que tentou arrancar dele alguma declaração que corroborasse a pauta que tinha em mãos, mas nada feito. Ainda assim o título da entrevista foi Criador da web critica a própria invenção. Heim??!? Enfim… o Estadão sabe como poucos editar a realidade para caber na pauta – principalmente quando o entrevistado ataca frontalmente os dogmas pelos quais reza o jornal. Cailliau é um macaco – e dos mais invocados!
sALVE, JORGE
me indica alguém para reformar o meu blog. pago mal, mas agradeço bastante
putz, Menon, o único cara que eu tinha pra indicar não tá mais fazendo isso… mas vou dar uma garimpada por aí, se eu encontrar, te aviso! abração!