De bobó

foto-0050.jpg

Toda casa deveria ter uma boa rede. Varanda também. Naquele balanço molenga, as idéias clareiam, o corpo relaxa e o tempo, vagaroso, chega às raias do infinito. É a pedida certa depois de um estupendo bobó de camarão com arroz de açafrão como o servido generosamente na casa do meu tio Quinho, na Barra. E a rede me recebeu de panos abertos.

Tio Quinho nunca mediu esforços para promover a felicidade geral e irrestrita. No dia anterior, fomos eu, ele e meu pai a Itaboraí onde tem um pequeno terreno numa localidade conhecida como Pacheco. Lá, arrumou um cantinho para Dona Penha, seu marido, filha e netas, que sem a ajuda certamente engrossariam a legião de perdidos na noite suja carioca. Fiquei pasmo de ver a dignidade que teto, terra e solidariedade confere às pessoas. São pobres, mas não miseráveis. Dona Penha, 74 anos, ficou viúva e sem conseguir a tão sonhada aposentadoria, pediu socorro. Levamos duas cestas básicas e papeamos um pouco. Apesar da casa ser diminuta e o mato estar alto, o que mais vi lá foram belos sorrisos, brancos, fortes. Advogado, meu tio prometeu ajudar D. Penha a conseguir a aposentadoria (quiçá até uma bolsa-família) e ainda vai pagar um cara para capinar a área, pra que ela possa plantar feijão, batata, couve.

Saí de lá com a sensação de que o mundo ainda não está totalmente perdido.

Paramos para almoçar num restaurante italiano, o Buonasera, às margens da rodovia BR-101, que fica dentro de um forno de tijolos de uma antiga olaria. O lugar tinha sido abandonado, o atual dono viu, gostou, tomou posse e montou o restaurante. Serviço e comida de primeira.

Seguimos para Campo Grande, visitar um outro tio meu, o Celsinho, que está meio caído, com problemas de saúde e na família. Antes, passamos na casa de um amigo deles dos bons e velhos tempos do bairro, Oswaldo, casado com uma prima de meu pai, a Lia. Papo vai, papo vem, tentamos convencer Celsinho de ir ao Chope da Vila, bar de Campo Grande que tem cerveja artesanal, deliciosos bolinhos de bacalhau, sambas, choros e boleros saindo dos alto-falantes e inúmeras fotos antigas do bairro, como essa abaixo do time local (o grande campusca!) em formação de 1962 – o goleiro é meu pai, que todo orgulhoso recitou o nome dos companheiros ao seu lado. Celsinho não foi. Pena. Foi divertido.

campusca.jpg

trio.jpg

(o trio de coroas mais arruaceiro de Campo Grande – Jorginho, Quinho e Oswaldo)

Esta entrada foi publicada em civilização. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

7 Responses to De bobó

  1. Avatar de Paulo Lima Paulo Lima disse:

    E aí? Perguntou do Jorge Wilson, o melhor center four que o Campusca já teve…

    Paulo

  2. Avatar de Elen Elen disse:

    uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
    entrei aqui e to ouvindo roberto carlos nas paradas do sucesso!!!!! hehehehehehe

  3. Avatar de sheila pithan sheila pithan disse:

    que legallllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll

  4. Avatar de Lázara Lázara disse:

    O melhor mesmo não foi o bobó, hein!!
    Fotos lindas e com seu estilo!!!
    Saudades!!

  5. Avatar de escriba escriba disse:

    Obrigado, Lazara!! Saudades também!! bjs!

  6. Avatar de escriba escriba disse:

    Perguntei, Paulo, mas ele nao se lembrava nao… acho que era muito antes do tempo dele no time.

  7. Avatar de Raquel Raquel disse:

    Esse papo de bobó me deu uma saudade de Cumuru…
    Gritos e aplausos para o tio Quinho!!!! Não só pelo bobó, claro, mas pelos esforços para promover a felicidade alheia…

    Não, meu amigo, o mundo NÃO ESTÁ PERDIDO!!!!
    Besos

Deixe um comentário