
Mesmo mais de 20 anos depois do fim do regime militar, ainda há pessoas que não se acostumaram com a democracia. Talvez não se acostumem nunca. Têm medo à liberdade de expressão, do salutar choque de idéias e do inevitável jogo de pressão e lobby que se faz em ambientes livres de qualquer cerceamento ao cidadão.
Esse parece ser o caso do jornal O Estado de S. Paulo, que no último dia 26 (segunda-feira) afirmou em editorial que as manifestações feitas pelo Greenpeace e outras entidades da sociedade civil contra os transgênicos eram um caso de polícia. Ou seja, o negócio é descer a borracha em quem protesta, se manifesta, questiona e exige ter sua opinião respeitada.
No caso do Greenpeace, o que melindrou o jornal pró-transgênico foi a atividade feita em Brasília no dia 14 de fevereiro em que pessoas com máscaras de milho simularam uma contaminação genética em torno dos membros da CTNBio, isso no dia em que eles iriam se reunir para aprovar algumas variedades de milho transgênico. A manifestação foi pacífica e divertida, mas esse pessoal não parece ter o mínimo de senso de humor.
Também não gostaram (jornal e cientistas) da cyberação em que os internautas eram convidados a enviar emails aos membros da CTNBio pedindo que eles não aprovassem os transgênicos. Milhares de mensagens foram enviadas, entupindo as caixas postais deles. Ora, se eles são info-analfas e não sabem bloquear mensagens indesejadas, problema é deles!
Em vez de gastar energia criticando protestos legítimos e manifestações típicas de ambientes democráticos, o Estadão deveria investir em reportagens para mostrar o fracasso da tecnologia de engenharia genética no mundo, conforme mostra relatório feito pelo Greenpeace, ou o envolvimento de um membro da CTNBio no contrabando de bactérias para o Brasil.
Mas talvez não atenda à sua agenda político-econômica…
É aquela velha história. Há 30 anos muitos apontavam para o problema ambiental no planeta, criticavam indústrias poluentes, denunciavam crimes ecológicos e eram classificados de ecochatos. Hoje, tudo o que diziam vem sendo comprovado. A história se repete agora com a biotecnologia. Os alertas vêm sendo feitos sobre os perigos da transgenia há pelo menos 10 anos.
Errar é humano, repetir o erro…
Cadeia para os (tu)barões da mídia.