Pará ecológico: me engana que eu gosto

Não foram poucas as manchetes louvando a criação no Pará de uma gigantesca área de proteção ambiental. Li a maioria delas e fiquei abismado com a falta de espaço para as críticas das comunidades locais e de ONGs de peso como o Greenpeace, que afirmam categoricamente que tais áreas privilegiam mais a indústria madeireira do que a natureza em si. O governador Simão Jatene (PSDB) afirmou em entrevista a Paulo Henrique Amorim que o certo é proteger produzindo. Até concordo, mas parece que não é bem isso que está acontecendo.

Talvez a galera tenha se empolgado com os grandes números divulgados, 15 milhões de hectares, uma área que cobre o equivalente a um terço da Espanha. Ou seria apenas mais um sintoma de que, na média, a imprensa não está preparada para cobrir essa questão de desenvolvimento sustentável? Se levarmos em conta os comentários debochados que 9 entre 10 jornalistas fazem do movimento ambientalista, fica claro que o problema não é só de capacidade, mas também de preconceito e até caráter. Não à toa dão corda a ataques contra a ministra Marina Silva sem um pingo de questionamento. São os tais inocentes úteis que ajudam a girar a roda da confusão…

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1 Response to Pará ecológico: me engana que eu gosto

  1. Avatar de Apolo Apolo disse:

    Essa é uma questão das mais complicadas, meu caro Escriba. É fato que muitos de nós fazemos sempre piadinhas de mau gosto contra os ecologistas. Não estamos mesmo preparados para cobrir pautas dessa natureza. Quando pensamos no Greenpeace, pensamos logo: “Lá vem os chatos”. Mas deixa a Terra esquentar mais um pouquinho e começar a torrar nossos miolos pra vermos a merda que estamos fazendo com esse mundo. A começar pelo lixo que não reciclamos em casa.

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