Ao ver George Foreman atacando Muhammad Ali como um trem descarrilhado em luta realizada em 1974 no Zaire (a célebre Rumble in The Jungle eternizada no filme Quando Éramos Reis), o ex-campeão Joe Frazier observou: Foreman está lutando estupidamente. Mas como? Muhammad Ali mal saía das cordas, de onde absorvia os golpes do enfurecido adversário. Aos poucos, no entanto, o repertório de Big George foi minguando. Suas pancadas perderam efeito e, cansado, viu Ali ressurgir no oitavo assalto para um vitória triunfal por nocaute, para delírio da multidão que lotava o estádio. A observação de Frazier fez então todo sentido.
Não foram poucos os comentaristas (ou analistas, como preferirem) políticos que decretaram a vitória de Geraldo Alckmin no debate da TV Bandeirantes por ter ele partido para o ataque e pretensamente encurralado o presidente Lula nas cordas com sua verborragia oca embalada por falso moralismo e hipocrisia – ou alguém acredita realmente na indignação de Alckmin? Nem a Opus Dei… O que fez foi apenas desfiar um sem-número de acusações descontroladamente, sem eira nem beira (não à toa teve seu microfone cortado por estourar o tempo por diversas vezes), sem respeitar o adversário, mostrando um descaso completo pelo país ao ignorar os apelos de Lula para uma discussão séria sobre programa de governo, preferindo desferir pancadas a rodo. Fugiu ao seu estilo sóbrio para adotar o papel de boneco plástico de ventríloquo do que há de mais sórdido na sociedade brasileira.
Tal como Foreman, Alckmin não mediu esforços para desferir ataques, na ânsia de se mostrar forte e defensor do cinturão da moraaaaal e bons costumes. Acertou muito pouco, não discutiu os destinos do país e deu motivos para receber um contundente contra-ataque. Parafraseando o ex-campeão do boxe: Alckmin está debatendo estupidamente. Aguardemos o oitavo round, no dia 29 de outubro.
Se o Gerrraaaaaldo tivesse vencido o debate, uma hora dessas os jornalões dos (tu)barões estariam soltando manchetes pelas ventas.
O que valerá mesmo é o debate na Globo, se é que debate vira jogo (desde que não façam uma edição criminosa, como em 89). ÀS 22h30, depois da novela, para satisfazer a sanha dos anunciantes. E que se dane o trabalhador que levanta às 5h. Primeiro o faturamento, depois o resto – incluindo aí o destino do país.
Belissimo artigo! Lula merecia ter Jorge Cordeiro como ghoswriter!
Observe sobre o que falou Geraldo no jornal nacional do dia de ontem e perceberá, que devido ao que deve ter aprecido nas pesquisas internas pós-debate, ele já está mudando o foco.
No dito jornal ele só falou sobre crescimento ecônomico.
Sei não, Jorge, acho q vc tá com síndrome de Estocolmo. O Lula seqüestrou seu senso crítico (rs). Não acho o Geraaaaldo essa maravilha, mas o barbudo plastificou-se completamente desde q foi eleito pela mão dos Dudas Mendonças e Delúbios, na onda “ex-radical paz e amor”. Não entro nessa de conspiração da mídia, q muita gente nas universidades anda ventilando. O Lulinha só é vítima dos próprios pecados. Até pq os tucanos, com rabo preso, demoraram meses a bater no PT do caixa dois e do mensalão.
Abs
Entao me explica, Marcelo, porque ninguem observou que o Alckmin estourou seu tempo por várias vezes (tendo o microfone cortado), ninguem o criticou pelo absurdo que falou em relacao ao aviao presidencial (ele gastou o valor de um aviao em quatro anos), ninguem questionou o fato dele nao ter aceito discutir programa, quando todo mundo pedia justamente isso?
meu senso crítico está aguçadíssimo…
É aquela velha história: Yo no creo en brujas, pero….
Brilhante Jorge!
Além disso, o tiro pode ter saído pela culatra. Já ouvi gente (não é uma observação científica) que achou desrespeito e mudou de voto.
No mais, gostaria de lembrá-los do seguinte:
Será que o Alckmim sabe que Sérgio Guerra, seu coordenador de campanha, foi um dos anões do orçamento? Não, pois então não vamos deixar ninguém mais esquecer.
Leia mais em: http://www.anoosfera.zip.net .
Um abraço
boa, Ademir, nao lembrava disso… O cara tem um anão do orçamento como coordenador de campanha e vem falar de ética, de indignação? Ah, peralá…
Ninguém quer discutir nada, é claro, até pq as tais reformas sempre cobradas pelo mercado vão ser pra lá de impopulares (a terceira parte da da Previdência, por ex.). Vc sabe q nunca fui eleitor tucano e ajudei a botar o Lula-lá. Mas o sapo não gosta de debate, se pediu pra discutir propostas na telinha foi pra fugir das perguntas sobre as denúncias. Nesses quatro anos, foram duas entrevistas coletivas. Quando chamado a debater programa de governo, mandou o Lima pros três grandes jornais do país. Se achamos isso bonito, estamos mal parados. Não dá pra desqualificar a imprensa inteira e achar q o barbudo é um herói, ícone nacional, “nunca antes na história desse país”, blá-blá-blá… Lulinha decepcionou milhões de eleitores e isso não é culpa da mídia, só dele mesmo. E viva o debate blogueiro!
nao desqualifico a imprensa inteira, apenas os aquários das empresas das sete grandes famílias… meu caro, evidentemente que Lula decepcionou, mas muito mais aos que queriam isso aqui transformado em uma Albânia. Eu confesso que sou mais fã dele hoje do que era em 1989.
Ele não é herói, mas soube fazer o que muitos nunca nem tentaram. Nao dá pra negar que houve avanços em todas as áreas, poderíamos ficar até amanha aqui falando quais. Mas o que importa, pra mim pelo menos, é o seguinte: diga-me quem tenta derrubar o sapo barbudo que eu te direi de que lado estou…
abração!!
Ótima metáfora, Jorge!
O Marcelo me parece ser mais um daqueles que não estão entendendo nada. Não se deram conta do momento histórico. Vai fazer coro com a HH. Decepcionou quem, cara pálida? Decepcionou aqueles que não precisam de R$ 150,00 por mês. Decepcionou aqueles que já estavam fora da linha de pobreza. Claro! Poderia ser melhor. Mas, eu imagino sendo um governo próximo, não digo igual, digo próximo, ao de Chaves, no que diz respeito a rompimento com essa mídia `escrota`, com uma política econômica menos ortodoxa… Não durava 15 minutos. Se sendo uma decepção, como dizem alguns, está para ser dizimado… Imagina. Lôco isso, né? Apanhar pela direita e pela esquerda. Acho que, no fundo, é todo mundo de direita. A HH botou a mãe dizendo que vai votar no CHUCHU. Ela não pode, o partido não pode, mas a mamãe dela pode (com ela sorrindo do lado é claro! Que democrata!). Nojo!!!
A primeira tem um tom meio, digamos, alckmista (agressivo). Que não é minha intenção. Delete (Jorge), por favor.
Ademir, o Marcelo é um cara legal… tá desiludido como muitos, mas tenho certeza de que na hora H, vota no Lula.
Cheguei tarde!!!
O Ademir se referiu a quem não precisa de 150 reais. Bem, mas quem está dando 150 reais?
Escriba v3.0 » Quem não tem imprensa, caça com internet
[…] Lula se saiu bem novamente, pelo simples fato de que tem o que mostrar. Alckmin abandonou o estilo George Foreman e, pianinho, ficou com aquele papo bocoió de que era diferente do Lula, de que é possível fazer mais, que ele vai promover o crescimento, cortar gastos, dar emprego e renda… afff, que saco! É o típico candidato fadado ao fracasso, porque não tem o que dizer – sua administração em São Paulo foi um caos (o PCC tá aí pra não nos deixar mentir…). Tirando um barraco mais acentuado, os dois próximos debates – nas TVs Record e Globo – serão mais do mesmo. […]