Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia – filme de Hector Babenco (1977)

Filme dirigido por Hector Babenco em 1977, dois anos depois da morte do Lúcio Flávio real, assaltante que roubou, segundo publicaram jornais à época, mais de 200 bancos em várias cidades brasileiras. Encontrei no Netflix e vi antes que tirassem do ar – havia um aviso no site dizendo que ele estaria disponível apenas até o dia 1o. de maio. Um belo retrato do Brasil do final dos anos 60 e início dos 70, época em que a ditadura militar estava no seu auge e o famigerado Esquadrão da Morte nascia. Pouco antes de morrer, Lúcio contou sua vida a um repórter policial e denunciou todo o esquema de proteção da polícia a assaltantes e como facilitavam fugas em presídios. Também entregou nomes de policiais envolvidos com o Esquadrão. A história virou um livro, escrito por José Louzeiro.

No elenco, Reginaldo Farias (como Lúcio Flávio), Ana Maria Magalhães (sua mulher), Ivan Cândido (Bechara, delegado que o caçou durante anos e foi um dos fundadores do Esquadrão), Grande Otelo (amigo de Lúcio Flávio), Paulo Cesar Pereio (policial ‘parceiro’ traíra de Lúcio), Milton Gonçalves (policial da equipe de Bechara), José Dumont (preso que matou Lúcio Flávio em presídio no Rio), Lady Francisco (amante de um dos integrantes do bando de Lúcio), Ivan Setta (integrante do bando de Lúcio – e foi amigo do meu pai) e Stepan Nercessian (preso que dividiu cela com Lúcio e se matou), entre outros.

Em 1979, foi feito um outro filme, chamado Eu Matei Lúcio Flávio (também pode ser visto na íntegra no Youtube), direção de Antônio Calmon, que pouco tem a ver com o famoso assaltante. Narra mais a história do Esquadrão da Morte no Rio de Janeiro, quando foi comandada pelo delegado Mariel Maryscotte, vivido no filme por Jece Valadão (que também produziu o filme). O ator Paulo Ramos faz o papel de Lúcio Flávio neste filme.

lucio

Destaco uma cena, logo no início, da qual não me lembrava e é genial. Começa aos 7 minutos e 57 segundos: os policiais Milton Gonçalves e Ivan Cândido entram num boteco do subúrbio carioca atrás de informações do paradeiro de Lúcio Flávio. Encontram Grande Otelo tomando sua cachacinha. E se dá o seguinte diálogo:

Milton Gonçalves: “Alguém aí conhece o Lúcio Flavio?”

Grande Otelo: “Noquinha?”

Milton: “Noquinha?”

Grande Otelo: “É isso mesmo, moço. É um menino sonhador.”

Milton: “Esse bandido é gente, vovô?”

Grande Otelo: “Eu não tô falando do bandido, eu tô falando de um menino que eu conheci. Se deu no que deu não foi culpa dele, foi culpa da mãe dele que não apelou para Iemanjá.”

Milton: “Assim a gente não prende ninguém, vovô.”

Grande Otelo: “Ah, e isso interessa alguma coisa? Pra polícia a gente é o que a polícia quer que a gente ‘seje’. Por exemplo, qualquer negro pra polícia é malandro. Hahahahah!”

Atualíssimo, não?

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4 respostas para Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia – filme de Hector Babenco (1977)

  1. Alex disse:

    Essa cena de grande Otelo e Milton morais é memorável, federal.

  2. Fidel disse:

    Esse filme eu acho que é obrigatório. Uma obra prima. Sério, que direção!!!

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